Pare agora tudo que está fazendo

Interromper qualquer atividade, por 1 minuto, impulsiona melhores escolhas

Sempre que paramos (para meditar, para praticar Mindfulness), voltamos diferentes. Esta é uma valiosa constatação de Jon Kabat-Zinn, norte-americano responsável por trazer a prática de Mindfulness ao Ocidente, em seu livro Wherever you go, there you are (ed. Hyperion). Faça um teste: da próxima vez que estiver correndo ou estressado, experimente simplesmente parar, por apenas 1 minuto, para sentar e respirar conscientemente. Sem técnicas específicas. Apenas estar atento à sua respiração enquanto ela acontece. Depois, continue seu dia.

Sim, parar pode ser transformador

Quando paramos, saímos do piloto automático. Sob pressão e ansiedade, com muitas tarefas a cumprir, nos desconectamos. Abrimos mão de responder conscientemente a cada momento. Esse é o modo “piloto automático”, no qual reproduzimos antigos condicionamentos, velhos hábitos, padrões repetitivos. Parando, aumentamos as chances de perceber o automatismo e escolher entre segui-lo ou não. Parar e conectar-se com o momento presente nos faz relembrar que somos nós que estamos no controle das nossas escolhas e ações.

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Porque, quando paramos, mudamos o foco. Criamos um espaço para a mente contemplar, perceber outros aspectos da mesma questão. Se estávamos muito preocupados em resolver um problema específico, parar dessa maneira permite que a mente descanse, à deriva, e pode estimular novas comunicações no cérebro, fazendo surgir espontaneamente ideias inovadoras. “Eureca!”.

Porque, quando paramos, mudamos do “modo fazer” para o “modo ser”. Olhamos para dentro; sintonizamos com nosso mundo interno, o que geralmente pode levar a questionamentos e reflexões. (“O que a minha presença traz para as pessoas que convivem comigo? O que eu sei fazer bem? Do que eu realmente preciso para ser feliz? Meu estilo de vida tem me proporcionado isso?” etc.)

E, também, porque parar estimula uma resposta compassiva consigo mesmo. Diante da sensação de que nada dá certo, não somos competentes, estamos sempre “correndo atrás”, no prejuízo… Parar é um ato radical de autocuidado.

Existem outras formas de parar: receber uma massagem (a Ayurvédica relaxa e previne doenças), viajar sozinho (confira dicas para fazer uma viagem assim), fazer um retiro, tirar 15 minutos depois do almoço para descansar, passar um domingo em casa sem compromisso nenhum, tomar um banho no escuro. Ou outra coisa, desde que seja um momento só seu, sem pressa nem expectativas.

Experimente abrir pequenos espaços no seu dia para parar, por um minuto, e respirar conscientemente. O que você percebe?

  1. Como você estava se sentindo antes da parada estratégica?
  2. Como se sentiu durante e depois de parar?
  3. Algo mudou no modo de lidar com as tarefas e situações cotidianas?
Rita Kawamata

Rita Kawamata

Praticante e instrutora de Mindfulness, formada pela MTI. Membro da Rede Abramind e sócia da Assertiva Mindfulness, que oferece cursos, palestras e workshops de atenção plena. Contatos: rita@assertivamindfulness.com.br / www.assertivamindfulness.com.br