Gabriella Brandão
Por Gabriella BrandãoLeia em 3 min.12/05/2015 

Nós testamos: disciplina sem gritos

Mãe de dois conta como estabelece comunicação eficiente com filhos, evitando birras e conflitos

Ter filhos é, sem dúvida, o maior presente e o maior desafio da vida. Sempre escutamos falar muito das dificuldades de quando a criança ainda é bebê: dificuldades com sono, amamentação, cólicas etc. Mas, para mim, cuidar de bebê foi muito mais fácil; difícil mesmo é lidar com o crescimento deles e estabelecer uma comunicação eficiente.

A comunicação entre pais e filhos permite o conhecimento mútuo e o compartilhamento de ideias, sonhos, dores, frustrações e alegrias. Uma comunicação eficaz fortalece e muito os laços afetivos entre pais e filhos. Acredito que a relação entre pais e filhos deve ser cheia de afeto e de confiança, e deve ser estabelecida desde muito cedo.

Para a criança, grito paralisa e pode ser pior que palmada

Aqui em casa temos uma relação muito boa com as crianças e sempre busco o diálogo. Brinco muito que falava tanto com eles enquanto bebês que hoje os dois não param de falar um minuto. Sou mãe da Luisa, de 7 anos, e do Antonio Pedro, de 5 anos. A diferença de idade entre os dois é bem pequena e acho que ajuda muito na nossa relação e na rotina familiar.

Alguns artigos sobre o grito na infância alertam inclusive que muitas vezes ele tem um efeito pior que as antigas palmadas, e que vem se tornando uma comunicação comum entre as pessoas.

Temos as nossas regras, nossos pequenos combinados do dia a dia e combinados que precisamos estabelecer na hora que o conflito aparece. Uma das nossas regras básicas e para mim uma das mais importantes é que aqui em casa ninguém grita! Tenho verdadeiro horror a grito. Alguns artigos sobre o grito na infância alertam inclusive que muitas vezes ele tem um efeito pior que as antigas palmadas, e que vem se tornando uma comunicação comum entre as pessoas.

Na minha opinião, o grito é uma péssima maneira de se comunicar. Quando começamos a gritar com a criança, ela não consegue se concentrar no que estamos falando e simplesmente para de agir por susto ou medo. Além da regra do grito, temos regras para uso da televisão, videogame, não atrapalhar quando a outra pessoa está falando etc.

Trocar o grito pelo acordo acaba fortalecendo a confiança

Sou adepta dos combinados; quando combinamos algo, criamos aquela cumplicidade, aquele acordo de companheiros. Fazemos até um aperto de mãos para garantir que está tudo combinado! Também faço muito isso quando vamos sair: “Olha, hoje não vamos comprar nada, só vamos ao cinema…”

precisamos estar sempre ligados que crianças são crianças e não podemos exigir delas mais do que podem dar naquele momento

Os combinados evitam muito as birras das crianças e os desgastes do dia a dia. É claro que nem tudo funciona 100% do tempo, mas posso garantir que pelo menos aqui tem funcionado. Esse ano, vi-me numa situação nova. Luisa passou a levar dinheiro para a escola, e também combinamos o que ela pode comer. Até hoje está funcionando, sem furos nem estresse. A relação de confiança entre pais e filhos é fundamental no processo de educação, mas com um detalhe: precisamos estar sempre ligados que crianças são crianças e não podemos exigir delas mais do que podem dar naquele momento.

Claro que eu também tenho os momentos de raiva e a vontade de gritar, mas, como adulta tento me controlar ao máximo. O que mais funciona comigo para não gritar é sair de cena naquele momento, respirar fundo e voltar logo depois. Mas não vou mentir, já gritei, sou humana e também tenho aqueles dias de exaustão. Então, nas ocasiões em que estou exausta, procuro evitar o conflito com as crianças.

 

Gabriella Brandão

Gabriella Brandão

Gabriella Brandão é mãe da Luisa e do Antonio Pedro e também autora do site Dicas Pais e Filhos - http://dicaspaisefilhos.com.br/