Especial 2º semestre

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Anitta escondeu 13 cartas de Tarot no novo álbum: descobrimos todas

São 12 as cartas de Tarot escondidas nos visuais de EQUILIBRIVM II, de Anitta. Veja o significado de cada uma e tire a sua carta do dia

Atualizado em

Os visuais de EQUILIBRIVM II, segundo volume do projeto que Anitta lançou em 23 de julho de 2026, estão atravessados por referências ao Tarot.

Identifiquei 13 cartas do baralho espalhadas pelas imagens do disco, e a ordem em que elas se encaixam forma uma narrativa muito interessante.

A leitura a seguir é minha interpretação. O Tarot não funciona como legenda fechada: cada carta abre um leque de sentidos, e o recorte que apresento aqui dialoga com a história que a artista vinha construindo desde o documentário “Larissa: O Outro Lado de Anitta”.

Se naquele projeto ela mostrou a distância entre a figura pública e a pessoa por trás dela, as cartas de EQUILIBRIVM II sugerem o que veio depois dessa constatação.

Resumo sobre o Tarot de Anitta

  • São 13 cartas identificadas nos visuais de EQUILIBRIVM II, entre Arcanos Maiores e Arcanos Menores.
  • A sequência começa em 2 de Espadas, a decisão tomada às cegas, e termina em 4 de Espadas, o descanso.
  • Oito Arcanos Maiores conduzem o percurso: A Sacerdotisa, A Torre, A Lua, A Roda da Fortuna, O Sol, A Estrela e O Mundo.
  • Entre os Arcanos Menores aparecem apenas Espadas e Ouros, o que concentra a jornada no plano mental e no plano concreto.
  • A Roda da Fortuna, que aparece no meio do percurso, é também o Arcano regente de 2026 pela soma numerológica do ano.

Onde o Tarot aparece em EQUILIBRIVM II

EQUILIBRIVM II é o nono álbum de estúdio da cantora e completa o projeto iniciado em abril de 2026. O disco retoma temas de amor, espiritualidade e ancestralidade, e chegou acompanhado de um curta-metragem musical.

As referências ao baralho já apareciam antes do lançamento. No teaser de anúncio, publicado em julho, a artista surge diante de um mural com ilustrações no estilo de cartas de Tarot, e cada desenho remete a uma fase diferente da carreira dela.

Nos visuais do disco, as citações ficam mais explícitas. Algumas reproduzem a composição clássica de uma carta específica, com os mesmos elementos simbólicos na mesma posição.

Há ainda um detalhe que só aparece quando você olha o conjunto: um beija-flor atravessa várias das composições, sempre na borda do quadro. Ele nunca ocupa o centro da cena, e observa.

As 13 cartas de Tarot em EQUILIBRIVM II, uma a uma

Organizei as cartas na ordem em que elas contam a história, que nem sempre coincide com a ordem de aparição nas imagens.

2 de Espadas: a escolha feita no escuro

Duas lâminas cruzadas sobre o peito, os olhos vendados e o mar agitado logo atrás. A tradição esotérica inglesa batizou o 2 de Espadas de “paz restaurada”, e o apelido guarda uma armadilha: a paz que ela descreve vem da suspensão do conflito, uma trégua que empurra o problema para frente.

Nos Arcanos Menores, o naipe de Espadas trata do plano mental. Aqui ele sugere uma mente que se anestesia para não sentir o peso da própria escolha.

Repare que a venda foi colocada por ela mesma. Ninguém vendou nada.

A Sacerdotisa: o silêncio depois do automático

Quando a decisão cega deixa de se sustentar, alguma coisa por dentro pede pausa. A Sacerdotisa é a carta desse silêncio.

Vale olhar os detalhes da composição. As duas colunas marcadas com B e J são Boaz e Jachin, do templo de Salomão, e quem se senta entre elas aceita permanecer no meio, sem escolher lado ainda. A romã pendurada ao lado remete a Perséfone, que passa metade do ano no subterrâneo e volta.

O Arcano II segura um livro parcialmente coberto pelo manto. Ela sabe, e não conta tudo.

O Carro: retomar as rédeas

Depois do silêncio vem o movimento. O Carro é o Arcano VII, a carta de quem decide para onde vai.

O detalhe decisivo costuma passar despercebido: as duas figuras que puxam a carruagem olham para lados diferentes, e quem conduz segura um cetro no lugar de um chicote. O que mantém o veículo em linha reta é a vontade.

Por isso, essa carta fala de vitória com uma condição embutida. Ela indica avanço enquanto as forças contrárias dentro de você seguirem puxando para o mesmo lugar, e sugere dispersão no instante em que esse fio se solta.

Na sequência de EQUILIBRIVM II, essa carta faz a ponte entre a escuta e o tombo. A pessoa retoma o controle antes de descobrir, algumas cartas adiante, o que ainda precisava cair.

A Torre: o que precisa ruir

A Torre costuma assustar, e nem sempre com razão. O Arcano XVI aponta para o desmoronamento de estruturas que já estavam frágeis antes do raio chegar.

Observe o que cai primeiro na imagem: a coroa. O elemento mais alto e menos preso da construção, aquele que dizia respeito à posição e não à sustentação.

Na leitura alquímica que estudo há anos, essa carta corresponde à calcinação, quando o material vai ao fogo para que reste apenas o que não queima.

3 de Espadas: a dor que atravessa o peito

Três lâminas cravadas em um coração, sob nuvens carregadas. O 3 de Espadas trata da desilusão que precisa ser sentida no corpo.

Essa é a etapa que a maioria das pessoas tenta pular. O alívio, na leitura tradicional dessa carta, tende a chegar apenas depois da travessia.

Preste atenção nas nuvens da composição. Elas indicam que a chuva ainda vem, e chuva, nesse simbolismo, lava.

A Lua: a confusão que faz parte do caminho

A Lua é o território incerto, aquele em que o instinto assume o comando porque a razão perdeu os pontos de referência.

Nenhum elemento dessa carta tem contorno fixo. A água mexe, as montanhas somem no escuro, o crustáceo emerge do lago sem que você saiba o que ele é. Esse bicho que sobe do fundo costuma representar a parte de você que ainda não tem nome.

O Arcano XVIII sugere que nem tudo precisa estar claro para você seguir andando. A névoa faz parte do percurso e costuma se dissipar sozinha.

A Roda da Fortuna: a virada

A Roda da Fortuna marca a mudança de direção do ciclo, e ela não depende de decisão de ninguém.

Fortuna, aqui, não é a palavra italiana para sorte. É a deusa romana que gira a roda de olhos vendados e distribui destino sem critério de mérito. A roda é a máquina dela, uma das raras cartas do baralho que representam um mecanismo.

Por isso, essa carta trata tanto de boa quanto de má sorte. Tudo fica possível ao mesmo tempo, para todo mundo, em uma espécie de democracia do acaso.

Há ainda uma sutileza numérica que poucos percebem: 10 reduz a 1, número de O Mago. Atrás de toda virada existe alguém que resolveu agir com o que tinha na mão.

💡 Vale um parêntese: 2026 é um ano regido por esse mesmo Arcano na numerologia das cartas, já que 2+0+2+6 resulta em 10. O Arcano do ano não é escolhido nem sorteado, ele é imposto pelo cálculo.

Em um ano assim, meu conselho é sempre o mesmo. Observe o eixo. A borda da roda sobe e desce sem parar, e o eixo permanece, então identifique o que você quer manter firme enquanto o resto gira.

O Sol: a clareza depois da confusão

Depois da névoa de A Lua vem O Sol, e a ordem das duas cartas no baralho segue exatamente essa.

Repare na diferença de qualidade da luz. Nas cartas anteriores, ela chegava refletida, filtrada, insuficiente. Aqui ela é a própria fonte, e o astro tem rosto humano olhando de frente.

O Arcano XIX indica a verdade exposta sem receio de ser vista. É a etapa em que a pessoa para de administrar a própria imagem e simplesmente aparece.

9 de Ouros: a abundância que se sustenta sozinha

Uma figura em um jardim maduro, cercada pelo que ela mesma plantou. O 9 de Ouros indica autonomia material e emocional.

O detalhe mais bonito dessa carta está na mão erguida. O pássaro pousado ali é um falcão adestrado, e falcão só volta para a mão de quem treinou. A imagem trata de desejo domesticado por escolha própria, não por imposição de fora.

Vale notar também que o jardim é cercado. Abundância, nessa carta, tem muro, e o muro foi levantado por quem mora dentro.

Ás de Ouros: o começo concreto

O Ás abre o naipe, e o de Ouros trata da oportunidade que chega em forma palpável, já disponível na mão.

Todo Ás no Tarot chega como oferta. Observe que a mão que segura a moeda sai de uma nuvem, ou seja, vem de fora, e o que você faz com ela já é outro capítulo.

Em uma tiragem, o Ás de Ouros costuma pedir ação prática de curto prazo. Ele indica solo fértil, e o plantio continua sendo tarefa sua.

A Estrela: a esperança depois da tempestade

A Estrela aparece logo após A Torre na sequência dos Arcanos Maiores, e essa vizinhança diz muito.

Os dois vasos da composição despejam água em lugares diferentes, um na terra e outro no lago. É a imagem de quem devolve ao mundo e ao próprio inconsciente aquilo que recebeu.

O Arcano XVII trata do brilho que reaparece quando a pessoa para de se esconder de si mesma. Note que a figura está descoberta, sem adorno: depois de A Torre, não sobrou fachada para manter.

O Mundo: a integração

O Mundo encerra os Arcanos Maiores. O Arcano XXI indica a sensação de que uma fase inteira finalmente faz sentido.

Olhe para os quatro cantos da imagem. Um touro, um leão, uma águia e um rosto humano correspondem aos quatro signos fixos do zodíaco, Touro, Leão, Escorpião e Aquário, e reúnem os quatro elementos em um mesmo quadro.

A guirlanda que emoldura a figura tem formato de zero. Fim de ciclo e ovo ocupam o mesmo desenho, o que explica por que essa carta celebra e abre passagem ao mesmo tempo.

4 de Espadas: o descanso

Uma figura deitada sobre a pedra, imóvel, com três lâminas suspensas na parede e uma quarta gravada embaixo dela. Essa quarta espada ié a batalha que já foi deposta.

O vitral ao lado da cena mostra um gesto de bênção, e isso muda a leitura: o repouso aqui tem caráter sagrado, escolhido, com hora marcada para acabar.

Fechar a jornada nessa carta é uma decisão significativa. Ela sugere que descansar também é uma forma de continuar inteira.

O que a sequência das 13 cartas sugere?

A leitura ganha outra camada quando você observa o conjunto em vez das cartas isoladas. Quatro pontos chamam atenção.

O primeiro é a moldura. A jornada abre em 2 de Espadas, com os olhos vendados, e fecha em 4 de Espadas, com o corpo em repouso.

Os dois extremos pertencem ao mesmo naipe, o que indica um percurso que começa e termina na mente, com a diferença de que na primeira carta ela está tensa e na última, enfim, silenciosa.

O segundo é a ausência. Não há Copas nem Paus entre os Arcanos Menores identificados, ou seja, nem o campo puramente emocional nem o da ação impulsiva conduzem essa história. O peso recai sobre pensamento, escolha e construção concreta.

O terceiro é a proporção. Oito dos doze são Arcanos Maiores, o que sugere um período de viradas estruturais, e não de ajustes de rotina.

O quarto é o que mais me chamou atenção. As três fases clássicas da obra alquímica aparecem quase em ordem no conjunto:

  • A Torre e o 3 de Espadas cumprem a nigredo, a fase negra da dissolução;
  • A Lua e A Estrela ocupam a albedo, o branqueamento que purifica;
  • O Sol e O Mundo fecham na rubedo, quando a matéria chega ao vermelho e a obra se completa.

Escrevi minha tese de doutorado sobre poesia e alquimia, e digo com tranquilidade que raramente encontro essa progressão tão nítida fora dos tratados antigos.

Como usar essa leitura na sua própria vida

Uma leitura de trajetória alheia serve como espelho. Alguns caminhos práticos:

  • Identifique em qual das 13 etapas você se reconhece hoje, sem pressa de estar mais adiante do que está.
  • Se você se vê no 2 de Espadas, observe qual decisão vem sendo adiada por meio do automático.
  • Se A Torre descreve o seu momento, considere o que já estava rachado antes da queda.
  • Se A Estrela ressoa, note o que voltou a ter graça depois de um período difícil.
  • Em qualquer etapa, use o conselho de A Roda da Fortuna e defina o seu eixo, aquilo que permanece firme enquanto o resto gira.

Nenhuma carta determina desfecho. Elas indicam tendências e oferecem uma linguagem para nomear o que já está em movimento.

Conclusão

O Tarot de Anitta em EQUILIBRIVM II desenha um arco reconhecível: decisão às cegas, silêncio, retomada de direção, colapso, dor, névoa, virada, clareza, autonomia, recomeço, esperança, integração e descanso.

Talvez seja esse o motivo de a leitura ter repercutido tanto. A jornada dessas 13 cartas não pertence a uma artista específica, e sim a qualquer pessoa que já tenha decidido de olhos fechados para não sentir o peso da escolha.

Se você conhece o baralho, é bem provável que sua leitura difira da minha em alguns pontos, e isso faz parte do jogo. O símbolo abre caminhos, e quem percorre é sempre quem lê.

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Perguntas frequentes sobre o Tarot de Anitta

Quais são as 13 cartas de Tarot em EQUILIBRIVM II?

As cartas identificadas nos visuais do álbum são 2 de Espadas, A Sacerdotisa, O Carro, A Torre, 3 de Espadas, A Lua, A Roda da Fortuna, O Sol, 9 de Ouros, Ás de Ouros, A Estrela, O Mundo e 4 de Espadas. Oito delas pertencem aos Arcanos Maiores e cinco aos Arcanos Menores, distribuídas entre os naipes de Espadas e de Ouros. A ordem em que aparecem nas imagens nem sempre coincide com a ordem narrativa, e a leitura apresentada aqui organiza as cartas segundo a progressão que elas sugerem em conjunto.

Anitta confirmou que usou Tarot no álbum?

As referências ao Tarot aparecem de forma explícita no material visual do projeto, incluindo o teaser de anúncio, em que a artista surge diante de um mural com ilustrações no estilo das cartas. A identificação de cada carta e a interpretação da sequência apresentadas neste artigo são uma leitura autoral, feita a partir dos elementos simbólicos visíveis nas imagens. Leituras de Tarot admitem mais de um caminho válido, e outras interpretações do mesmo material são possíveis.

O que significa a carta A Torre no Tarot?

A Torre é o Arcano XVI e costuma indicar a ruptura de estruturas que já não se sustentam. A imagem tradicional mostra uma construção atingida por um raio, com o topo se desprendendo. Em uma leitura, a carta tende a apontar para mudanças bruscas, revelação de verdades ocultas e fim do comodismo. O convite dela é reconstruir sobre bases mais honestas, já que aquilo que desaba costuma ser justamente o que estava frágil. Assusta na aparência e organiza no resultado.

Por que A Roda da Fortuna chama atenção em 2026?

Pela numerologia das cartas, a soma dos dígitos do ano indica o Arcano regente do período. Em 2026, essa soma resulta em 10, número de A Roda da Fortuna. O Arcano X trata de ciclos, movimento e reviravoltas que independem de vontade individual. A recomendação que costumo dar é observar o eixo da roda, ou seja, aquilo que você quer manter firme enquanto o resto gira. Aparecer justamente no meio da sequência de EQUILIBRIVM II reforça o caráter de virada dessa etapa.

Como começar a ler as cartas por conta própria?

Um bom ponto de partida é conhecer os 22 Arcanos Maiores, que carregam os arquétipos centrais do baralho, e depois avançar para os quatro naipes dos Arcanos Menores. Tirar uma carta por dia e anotar o que aconteceu ajuda a construir repertório com base na sua própria experiência, que é o que dá consistência à leitura ao longo do tempo. Evite decorar significados isolados, porque o sentido de cada carta muda conforme a pergunta e as cartas vizinhas.

Leo Chioda

Leo Chioda

Leo Chioda é escritor e um dos principais tarólogos em atividade no Brasil. É doutor em Literatura pela Universidade de São Paulo e sua tese é sobre poesia e alquimia. No Personare é autor do Tarot Mensal e Tarot Direto. Professor do Curso Básico de Tarot faz também atendimentos online pelo Personare.

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