Leo Chioda
Por Leo ChiodaLeia em 3 min.28/09/2018 

Arcano do mês: A Morte

O Tarot inspira sabedoria e resistência diante de mudanças decisivas em outubro de 2018

O décimo-terceiro Arcano Maior é um dos mais temidos, embora seja fácil perder o receio dele quando se estuda sua simbologia. A Morte tradicionalmente representa transformações — mudanças nem sempre pressentidas mas que são importantes para quem as vivencia ou se depara com seus efeitos.

Longe de ser uma carta do Tarot que prenuncia morte física especificamente, A Morte é um sinal de que certas alterações são importantes, tanto em nós quanto nos outros e nas coisas ao redor.

Quando A Morte rege um mês, toda atenção é necessária aos detalhes de situações, sentimentos e atitudes. Por mais que haja momentos difíceis de confronto, pânico e ansiedade diante do futuro e do desconhecido, é justamente nestes momentos em que é preciso haver força para encarar o que não está certo e o que merece correção ou coragem.

A Morte é o arcano do Tarot que vem nos lembrar de que nós temos poder de escolher melhor e de fazer diferente.

A vida pede constantes ajustes, e é por isso que as coisas e as pessoas nascem e morrem. Ninguém ganha uma luta contra a natureza da vida e das coisas, por mais que se tente.

E quanto mais tentamos nos esconder ou nos proteger de assuntos como a morte ou a mudança das coisas, menos preparados estaremos quando elas chegarem. Além disso, é sempre encarando o escuro que se perde o medo dele.

A analista junguiana Clarissa Pinkola Estés, autora do best-seller Mulheres que correm com os lobos [Rocco, 1994], diz que ‘sem a morte não há lições; sem a morte não há o fundo escuro contra o qual o diamante cintlila’. Ela quer dizer que tentar ultrapassar o medo da morte fazer com que as coisas e as pessoas sejam aproveitadas ao máximo em vez de deixar tudo para depois. Assim, em tempos difíceis e incertos como este, A Morte é o arcano do Tarot que vem nos lembrar de que nós temos poder de escolher melhor e de fazer diferente.

ARCANO A MORTE E A VIDA AMOROSA EM OUTUBRO

Para quem está em um compromisso afetivo, o arcano de outubro pressupõe cuidados cada vez maiores com a rotina amorosa. Em vez de se deixar levar pela tristeza ou mesmo pelo tédio, como se apenas uma injeção de adrenalina salvasse a relação, o mais prudente é entender as diferenças pessoais e o tempo que cada um precisa para si próprio.

Assim, havendo mútuo respeito de um relação ao outro, mudanças importantes acabam acontecendo. A Morte é uma carta que inspira uma pessoa a pensar mais em si. E, no caso de um relacionamento sério, ela inspira a pensar pelo bem das pessoas envolvidas.

Para quem não está em um compromisso afetivo, A Morte indica que outubro tende a ser fértil para fechar-se para balanço. Rever as expectativas depositadas nas pessoas e mesmo o comportamento diante delas pode ser crucial para haver clareza diante de contatos e vínculos. O amor acontece aos poucos, e não em poucas horas. O arcano do Tarot inspira cuidados c com sua aparência e com seus próprios valores, já que é tempo de ‘morrer’ para haver um novo eu. Mudanças são sempre bem vindas, mesmo havendo medo e comodismo.

REVER ATITUDES, CONTATOS E CERTEZAS

No âmbito das relações cotidianas, A Morte em outubro é um aviso claro de que certos amigos e colegas tendem a ser reavaliados. Mesmo que digamos que há falta de tempo para se reunir com quem gostamos, a verdade é que os vínculos também devem passar por reflexões mais sérias e frequentes: será que não é hora de abrir mão de certas companhias e certos encontros de rotina?

É prudente questionar se algumas relações são ainda importantes para a sua vida ou se estão meramente ‘sobrando’, assim com você pode sentir que não faz mais diferença na vida de determinadas pessoas. Em todo caso, A Morte lhe convida a reciclar as amizades de modo sincero e sereno, sem abrir mão repentinamente de quem convive com você. Avalie seus sentimentos quando sair ou estiver por perto de certas pessoas. Pode ser este o tempo mais que propício para rever sua própria ideia de amizade e companheirismo.

O FUTURO A NÓS PERTENCE

É chegado o fim de um período negativo e o começo de mudanças importantes. Politicamente falando, o Brasil vai sentir na pele a instituição de um novo governo que tende a mobilizar todas as classes para o funcionamento efetivo das leis e das correções que devem ser aplicadas. Por mais que haja medo, é importante entender que A Morte é um arcano pessoal e intransferível, ou seja, ele diz respeito a cada um de nós e não a uma entidade ou um membro específicos que regerá o mês de outubro. A morte simbolizada pela carta é a mudança dos paradigmas e das expectativas em relação ao que acontece no país e no mundo.

A Morte, portanto, significa acordar para questões urgentes que dizem respeito ao nosso próprio futuro. Independente dos resultados das eleições, a influência deste arcano em outubro é positiva porque nos livra de certos pesos e nos impõe outros fardos que devem ser trabalhados com atenção e constância. Adaptar-se às mudanças prometidas para 2019 e cobrar por outras tantas também são medidas sugeridas com firmeza pelo oráculo. O futuro não está apenas nas mãos dos políticos, mas está nas nossas também.

PARA ACEITAR A IDEIA DE QUE TUDO ACABA

Entre os budistas, a consciência de morte é algo constante. A semente de um abacate, por exemplo, é vista como uma espécie de arquivo contendo milhões de outros abacateiros que vieram antes deste abacate. E agora, a semente dentro deste abacate pode ser plantada e dar outros milhares de abacates que também carregarão os milhões de abacateiros do passado.

Conosco acontece a mesma coisa. Para estarmos aqui, um número imenso de pessoas precisou nascer, viver e morrer. Saber desse detalhe simples mas poderoso é crucial para entender que somos parte de um grande e longo processo. E ‘morte’ é o nome dado a uma etapa deste processo. Mas além de estarmos cientes deste processo, o mais importante é aceitá-lo. A Morte do Tarot aparece neste mês para nos lembrar de que muitas coisas têm acontecido e acontecerão independente de nossas vontades.

Consentir que não somos o centro do mundo é um bom começo para aproveitar mais e melhor cada momento ao lado de quem gostamos e cada momento em que fazemos o que gostamos. A vida, nessa perspectiva, é um presente passageiro. Cabe a cada um dar o devido valor a cada vez que se respira.

Leo Chioda

Leo Chioda

É escritor e tarólogo. Dedica-se a palestras sobre Tarot, pesquisas históricas e prática da leitura das cartas. É também autor do Tarot Direto e Tarot Mensal do Personare.