Maria Cristina
  • Por Maria Cristina
  • Leia em 5 min.
  • 17/04/2020
  • Atualizado em 16/06/2020 às 21:35

Sozinha aos 40: a solidão feminina a partir da Constelação Familiar

Entenda como os emaranhados sistêmicos podem nos prender de forma inconsciente e impedir de ter um relacionamento

Sozinha aos 40: a solidão feminina a partir da Constelação Familiar

Por qual motivo uma mulher chega sozinha aos 40 anos, sem ter constituído uma família com um companheiro ao lado?

Atualmente, é crescente o número de mulheres que por volta dos 35, 40 anos ainda não têm uma relação sólida que as permita constituir família.

Se isso não é um desejo, está tudo certo.

Mas para aquelas que se sentem tristes e solitárias e estão em busca de algum relacionamento que valha a pena investir, é importante entender um pouco dos emaranhados sistêmicos que as prendem de forma inconsciente e as impede de se relacionar saudavelmente com o outro.

Como as leis sistêmicas atuam

Na visão da Constelação Familiar, para que possamos fluir em todas as áreas da vida, é preciso estar em conformidade com as algumas leis sistêmicas que nos regem.

A lei do pertencimento, da ordem ou hierarquia, e a lei do equilíbrio atuam em nós, mesmo que não saibamos delas.

A lei do pertencimento não permite que haja exclusões no sistema familiar. Todos aqueles que fazem parte do nosso sistema de maneira que interfiram em nossa existência fazem parte. Também os sentimentos e comportamentos destas pessoas pertencem.

Essa é uma das leis mais importantes, que dá o tom das outras. Facilmente excluímos aqueles que já morreram ou tiveram ou têm comportamentos que condenamos.

Além disso, nem sempre reconhecemos os que cederam lugar para o sistema, como os ex- parceiros dos pais, por exemplo. E ainda dinâmicas nas quais as pessoas se ligam a desconhecidos por assassinatos ou acidentes.

A lei da ordem ou hierarquia apenas revela o processo natural da vida: quem vem antes tem prioridade no sistema. Também tem mais força e é maior.

A desordem é comum quando alguém de uma geração julga ou critica outro da geração anterior por qualquer razão. Com isso, desconecta-se da força que vem da origem, da fonte, e também perde força em alguma área da vida.

E a última lei é a do equilíbrio das trocas entre o dar e receber. Esta atua em relações entre iguais: casal, amigos, e colegas de trabalho.

Nela, é importante saber equilibrar aquilo que dou, mas também me permitir receber algo do outro em troca.O desequilíbrio acontece quando alguém não se permite receber ficando em uma posição superior, ou quer apenas receber sem dar, como na relação de uma criança com seus pais.

Por que uma mulher chega sozinha aos 40?

A seguir, veja alguns exemplos de desequilíbrios nos emaranhados sistêmicos que podem levar uma mulher a chegar sozinha aos 40:

A falta de lugar

Quando transgredimos alguma lei, facilmente saímos do nosso lugar em nosso sistema de origem e, consequentemente, no sistema atual.

Isso ocorre quando inconscientemente existe alguma necessidade de resolver algo para a geração anterior. E este anterior pode ser bem antes do que imaginamos. Em alguns casos, a origem pode estar na geração dos pais dos bisavós.

Como exemplo, podemos pensar em uma mulher hoje que pode estar inconscientemente ligada ao destino de sua bisavó, que sofreu com os homens. Desta forma, ela se vinga dos homens em nome de sua ancestral.

Com isso, ela sai de seu lugar de pequena diante de seu sistema de origem e fica grande para resolver os problemas do passado.

Mas, às vezes, a questão nem chega a ir tão longe, basta examinar a postura diante dos pais.

A crítica à mãe

Se os pais tiveram um relacionamento conturbado e conflituoso, a filha deste casal pode, de alguma forma, reproduzir o problema em sua relação com os homens.

A tendência é pensar que se o pai foi um “mau” homem para sua mãe, então, a filha incorpora a ideia de que os homens são maus e não se relaciona com eles.

Mas na visão sistêmica não é tão simples. O problema, muitas vezes, reside em uma relação fora de ordem com a mãe, e não com o pai.

Uma possibilidade é a mulher olhar a mãe como fraca ou incapaz de resolver a questão e, assim, não respeita o feminino dentro dela. Com isso, o masculino interno se sobressai e ela afasta os homens.

Ela também pode ter sido colocada no lugar de confidente da mãe, o que aumenta a possibilidade de criticá-la e de se sentir maior ou melhor do que ela.

Com isso, inconscientemente, ela evita se relacionar para não experimentar algo semelhante ao que a mãe e correr o risco de repetir. Então não repete e fica sozinha.

O respeito ao masculino dentro de cada um

Quando a relação dos pais, ou mesmo de avós foi muito abusiva, a mulher que sai do seu lugar para tentar resolver a questão, de forma inconsciente, pode repetir a dinâmica internamente.

Existe o masculino e o feminino dentro de cada um. Em alguns casos, os conflitos são repetidos externamente e as mulheres também se submetem a relacionamentos abusivos para ser leal às mulheres da família.

Contudo, a dinâmica que é reproduzida internamente quase não é percebida e é geralmente aquela que leva as mulheres à solidão.

Como dito anteriormente, o masculino interno irá submeter o feminino. Então, esta mulher será extremamente independente, não aceitará ajuda de forma alguma, e pode até trabalhar em excesso.

Há um masculino que abusa do feminino dentro dela, e isto cria uma luta contra os homens de forma externa. Então, os homens se afastam, pois no fundo não se sentem respeitados.

Como resolver essas questões

Todos os exemplos citados podem sinalizar algumas posturas que são dissonante das leis e que podem ser expressadas pelas frases:

  • “Eu me vingo por você”
  • “Sou melhor que você”
  • “Eu por você”.

Estas frases atuam na alma e revelam a postura que emaranha a mulher, fazendo com que ela chegue sozinha aos 40, por exemplo.

Em contrapartida, a postura em conformidade com as leis sistêmicas exige que a mulher reconheça que todos as mulheres do sistema fizeram o que podiam e deram o seu melhor dentro dos recursos que tinham.

Sem críticas, nem julgamentos, é possível reconhecer a grandeza com que muitas carregaram um destino muitas vezes pesado.

Olhar para os pais e honrar e reverenciar cada um da forma como são e independentemente dos erros cometidos como homem e mulher.

Quando olho com gratidão para aqueles que me deram a vida e deixo todo o resto de lado, é possível tomar a vida de forma mais plena. Assim, é possível respeitar o masculino e o feminino internamente e externamente e colher os frutos de uma relação a dois equilibrada.

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Maria Cristina

Maria Cristina

É psicóloga e atende em consultório em BH e online, por Skype. Tem amor pela profissão e o desejo constante de auxiliar as pessoas a enfrentar suas crises e a buscar o autoconhecimento. Saiba mais