Leonardo Lemos
Por Leonardo LemosLeia em 4 min.10/11/2019 

Crise dos 40 anos explicada pela Astrologia

Como os ciclos de Plutão, Netuno e Urano provocam transformações profundas na nossa forma de encarar a vida nesta idade

Em uma semana corriqueira, você percebe que quer mais da vida e certos afazeres começam a aborrecê-lo, dando a vontade de recomeçar do zero. Seria a crise dos 40 anos? Você se pergunta sobre o que fez com os sonhos e quantos deles foram realizados. Onde você está hoje? Qual a graça e qual o colorido da vida hoje?

Numa bela manhã você tem uma ideia totalmente inesperada e, de repente, uma nova brisa passa a soprar na vida. A brisa pode se tornar um tufão e fazer com que você acorde para novos interesses, desafios e cenários, numa vida só sua.

Cenas como essas são apenas exemplos superficiais de um dos momentos mais impactantes das nossas vidas, de acordo com a Astrologia. Trata-se de um período entre os 36 e os 43 anos de idade. Trata-se das crises simbolizadas pelos aspectos (ângulos formados entre dois pontos no mapa astrológico) de Plutão, Netuno e Urano em relação às suas posições de nascimento, respectivamente.

Muito se fala do ciclo de Saturno, cujo retorno acontece aos 29 anos, inaugurando uma etapa na qual buscamos realizações, fazemos questionamentos a respeito da nossa função no mundo e do nosso papel social. É a fase das estruturas, de desafios que nos exigem responsabilidade e realizações.

Aqueles que nessa idade não fortaleceram suas bases, nem enfrentaram seus medos ou limitações (o que é absolutamente normal!), passam por uma fase de reflexões, revisões e de correção de posturas.

Saturno simboliza as requisições e exigências sociais, padrões muitas vezes instaurados pela cultura, pelo social ou externo para que as coisas funcionem e a sociedade se mantenha.

Esse planeta representa a realidade e nossas conquistas práticas, fala de participação social, daquilo que devemos fazer simplesmente. Mas não trata de criatividade e de ir além dos nossos limites.

A partir do século 18, Urano, Netuno e Plutão, só pelo fato de terem sido descobertos, causaram reboliços e contradições até entre os astrólogos. Há vertentes que preferem não considerar sua simbologia, fundamentadas nos princípios tradicionais anteriores à tomada de conhecimento das suas existências no sistema solar. São chamados de astros geracionais por conta de seu movimento mais lento em relação aos demais planetas, marcando gerações inteiras com as qualidades dos signos que percorrem. “

Transpessoais” é outra denominação desses planetas, indicando seu potencial “para que se vá mais além”. Os transpessoais nos tiram do roteiro, questionam o pré-estabelecido, alteram as regras e nos desafiam pela sua característica naturalmente caótica. Seja pela destruição, seja pela desconstrução, eles nos tiram das certezas, crenças e valores automáticos, muitas vezes abalando alicerces e convicções.

Há um período, uma faixa etária na qual passamos pelos ciclos relacionados a esses três planetas, sendo esta uma época de viradas e ressignificação da personalidade, dos interesses, dos objetivos e daquilo que tínhamos como garantias.

Um ciclo completo de cada um desses astros leva muito tempo, por conta de seu lento movimento. Urano retorna a sua posição natal por volta de 84 anos, Netuno em 165 anos, e Plutão, em 248 anos aproximadamente. Devido a isso sentimos a potência de cada um deles quando formam ângulos tensos com suas posições natais, geralmente entre os 37 e 43 anos de idade.

Crise dos 40 anos e Plutão: intensas transformações

Fase de intensas transformações, Plutão tem entre seus significados o poder – e muito comumente seremos apresentados a ele nessa época. No mapa do nascimento, Plutão marca um assunto que nos instiga, provoca nossos instintos e nos estimula a agirmos de forma controladora, forte e obsessiva. Seremos levados a intensas mudanças, com situações que se revelam.

Pressões e problemas apontarão para apegos e hábitos que deverão passar por uma conscientização e, daí, serem mudados pelo confronto com nossos medos.

A função de Plutão é nos fazer descobrir potenciais e, para tanto, há de se pagar com algo de valor, algo com o que temos um grande vínculo ou apego. É como ter de quebrar os ovos para entender que assim se faz a omelete, ou seja, perder e abandonar algo que não tem mais sentido, sentir que saímos de uma zona de segurança para então compreender que buscávamos nosso tesouro no lugar errado.

As provocações surgem no setor em que transita Plutão para que se desperte o nosso Plutão pessoal. É ver que estávamos inconscientes de quem realmente éramos e do que queríamos e, ao tirar a máscara, reconheceremos uma “usina de força”, nossas verdadeiras riquezas.

Aliás, é importante ressaltar que o nome Plutão significa “o rico”, o Senhor de tudo que está sob terra, relacionado com aquilo que é muito mais profundo e vai além das aparências. Situações dramáticas podem vir e alterar totalmente nossos valores e nossa forma de encarar o mundo.

Há perda de sentido, como uma morte simbólica, um vazio, para que uma nova vida aconteça sem aquilo (ou aqueles). Olhar apenas para frente e seguir adiante, cada um no seu tempo são as únicas coisas que podemos fazer.

Peculiaridades de Plutão

  • a órbita irregular de Plutão faz com que seu ciclo varie e o vivamos em diferentes idades conforme as gerações.
  • Os nascidos entre 1952 até 1989 vivem a fase plutoniana entre 37 e 40 anos. Nascidos em 1990 passarão pela quadratura de Plutão aos 44 anos.
  • Os que nasceram em 1996, irão passar aos 46 anos, e os que nasceram em 1999, com quase 50 anos.
  • Os nascidos no início do século XX também passaram por isso tardiamente, com quase 60 anos de idade.

Netuno nos apresenta o paraíso

Sonhar faz parte da vida. Situações encantadoras, desejos, esperanças, intenções, idealizações e a imaginação estão constantemente interagindo conosco. A diversão, a arte, o bom e o belo, a espiritualidade e tudo o que é sensível recheiam nossas vidas.

A posição de Netuno em nossos mapas nos mostra onde os sonhos atuam de maneira mais forte, o tema que insistimos em ver com idealização e expectativas muitas vezes irreais.

É onde buscamos o perfeito que caiba nos nossos desejos, pois naquele assunto queremos nada menos que a fusão e a comunhão total e irrestrita com algo mágico e divino.

Netuno é necessário como função lúdica, imaginativa, inspirada e coletiva de doação e empatia. Porém, devemos estar atentos para termos bases sólidas ou um porto seguro, que são nossos valores e critérios.

Reparem que “valores e critérios” são termos bastante subjetivos e que nem sempre ajudam a lidar com as situações de Netuno, astro encantador que nos apresenta nada mais do que o “Paraíso”, podendo ele ser a representação de um ponto de conexão entre o ser humano e algo muito sutil.

Netuno é o elo entre a realidade e o que pode ser melhorado, para que todos tenham um pleno aproveitamento, não importando o assunto da vida, se pessoal, material, social ou emocional.

E para que descobrir como podemos contribuir com as melhorias que o mundo precisa, devemos encarar a realidade sem o anestésico, para efetivamente aceitar e entender o que é necessário ser feito.

Para viver Netuno

  • O período em que vivemos a quadratura de Netuno em trânsito ao Netuno natal é aquele dos 40 aos 42 anos.
  • Nessa idade, nos damos conta de que nem tudo saiu como o planejado, que a concretização dos sonhos não depende apenas do nosso querer.

Netuno tem a função de nos mostrar a realidade pelo caminho inverso, nem sempre fazendo o percurso numa linha reta. Esse planeta nos coloca em contato com partes pouco práticas da vida, mas que auxiliam muitíssimo a criarmos nossas percepções e intuição.

Quando alcançamos o ponto de poder comparar nossas impressões com os detalhes reais, temos a possibilidade de enxergar a imagem inteira, a situação por fora e por dentro e daí escolhermos o que for melhor para nossas vidas.

Esta é a época em que se decide buscar ajuda pela terapia, pela espiritualidade ou por atividades que nos conectem com o lúdico e com o sutil.Aqueles que nutriram desejos ligados à arte têm aí uma oportunidade para extravasar. O que importa nesse trânsito é não se perguntar “para que vou fazer isso?” e simplesmente deixar fluir.

Mesmo que entre nuvens ou em terreno arenoso. Deixar acontecer e aprender a ler nas entrelinhas, sentir mais do que racionalizar, aceitando o momento de dissolução de situações, e o início de novas perspectivas dali por diante.

A crise dos 40 anos e as revoluções de Urano

Entre os 42 e os 43 anos de idade vem uma vontade de fazer tudo diferente. Assim mesmo, do nada e sem um porquê. Nos assuntos do mapa natal onde Urano aparecer, não vamos mais tolerar a mesmice. Urano pede para despertarmos para novas possibilidades e irmos mais além do previsível. É mudar usos e costumes, mesmo que não se queira.

O elemento imprevisível entra em cena, exatamente onde temos o nosso Urano natal, provocados pelos assuntos da casa onde Urano estiver transitando. Alguns questionam as estruturas, independentemente se algo ruim estiver acontecendo.

Flexibilidade e jogo de cintura podem ser chaves importantes nesses trânsitos, já que para alguns o período é sentido como sustos e surpresas que desestabilizam.

Mas vamos falar da tão sonhada liberdade. Chega aí a hora de se fazer o que se quer, com quem se quer e do jeito que se quer. Para que esse ciclo funcione de forma plenamente criativa, o exercício de Saturno dos anos anteriores, ligado a estruturas e poder conduzir a própria vida com responsabilidade, é fundamental.

Mudar de emprego, carreira, casa, cidade, relacionamentos ruins ou que inibem o nosso poder de escolha, hábitos e modo de ver a vida são tópicos bem comuns nessa idade. Urano vem coroar o início da quarta década da vida, lembrando da urgência em se fazer as coisas. Já não somos tão jovens que dependemos da aprovação dos outros e já não estamos dispostos a esperar mais. Temos a vitalidade e a possibilidade de agir com sinceridade conosco mesmos, respeitando a nossa verdadeira identidade e com disposição para assumir posturas e tomar decisões. A função de Urano é nos tirar da dependência de algo.

Figurativamente, Urano rompe “o armário” no qual estamos presos, ou escondidos confortavelmente. Gostemos ou não, muda o ritmo da música e a gente tem de dar novos passos. Descobertas pessoais são muito comuns. Novos sabores, preferências e afazeres, mesmo que temporariamente, só para arejar a vida.

Urano e o autoconhecimento

Este ciclo, assim como os outros, pode ser oportunidade para o autoconhecimento e dar à vida um novo significado. Nem sempre estamos a fim ou aceitamos o que esses astros simbolizam. Não é fácil lidar com os lutos (reais ou simbólicos) de Plutão, com o desbotamento das cores e dissoluções de Netuno ou com as bruscas rupturas de Urano.

Daí a importância da coerência e sabedoria de Saturno e da autoestima e respeito próprio do Sol estarem em vigor nas nossas vidas. Sol e Saturno delimitam o nosso caráter e permeiam nossas escolhas.

A Astrologia, através da interpretação do mapa de nascimento, permite o reconhecimento do nosso caráter e isso faz com que passemos por qualquer etapa, boa ou ruim na vida. A boa que precisa ser bem aproveitada e a ruim que precisa ser compreendida e aceita como uma experiência fortalecedora.

Sempre lembro da personagem criada pelo diretor inglês Willy Russell, Shirley Valentine, uma dona de casa que conversava com as paredes e objetos da casa, já que seu marido a ignorava completamente. Um dia, Shirley ganha uma oportunidade de viajar e dá uma virada em sua própria vida, tomando para si o protagonismo e reconhecendo o quanto ainda não fez e o que foi dos seus sonhos.

É o que Jung denominou de metanóia, ou o processo de arrependimento, busca por redenção e mudanças na forma de encarar a vida, através de uma reforma, de novos conhecimentos que permitem ampliar a nossa consciência.

A proposta das crises astrológicas vividas na casa dos 40 anos.é dar mais uma chance para a superação de condições, a resolução de conflitos e, assim, vivermos novos capítulos da nossa história.

Leonardo Lemos

Leonardo Lemos

Astrólogo formado em Santos-SP. Ex-presidente da Central Nacional de Astrologia (CNA) e atualmente professor da Escola Regulus de São Paulo. Há 28 anos traduz os símbolos do céu através da Astrologia.