Roberta Struzani

Os tipos de menopausa e dicas para amenizar sintomas negativos

Informações são importantes para mulheres de todas as idades, pois é uma consciência que devemos ter desde muito cedo

Os tipos de menopausa e dicas para amenizar sintomas negativos

A menopausa é um evento biológico espontâneo e natural, que se refere ao último período menstrual do ciclo de desenvolvimento feminino, tempo em que a capacidade reprodutiva da mulher finda.

A palavra menopausa significa “dar um tempo na menstruação”. Há diferentes tipos de menopausa, mas, em todos, seus sintomas devem ser naturais e não prejudiciais.

Neste artigo, você acompanhará todos os sintomas que ocorrem no corpo neste período e saber de que forma pode evitá-los.

Essa matéria é para mulheres de todas as idades, e não só para quem já alcançou a menopausa ou recebe os sinais do corpo, pois é uma consciência que todas nós, mulheres, devemos ter desde muito cedo.

Deve ser uma filosofia de vida do modo como interpretamos nossa natureza.

Tipos de menopausa

Menopausa iatrogênica

Trata-se do cessar da menstruação devido à remoção cirúrgica dos ovários, quimioterapia ou radiação, como após tratamento de câncer, por exemplo.

Relato de uma paciente com menopausa iatrogênica:

No último mês chegou uma paciente minha que tinha realizado tratamento comigo há uns 4 anos, pois teve câncer de mama, passou por quimioterapia que antecipou sua menopausa.

Mês passado então ela voltou a menstruar. Ficou sete dias sangrando, com todos os sintomas da menstruação, como cólicas menstruais, TPM e inchaço, e entrou em desespero achando que poderia ter voltado um câncer.

Os médicos mandaram ela fazer exames às pressas e, no fim, era nada mais nada menos que o corpo dela voltando a funcionar.

O que aconteceu porque ela estava participando de muitas vivências do feminino, fazendo viagens de lazer para o exterior, inclusive deixando o namorado em casa enquanto viajava mundo afora.

Se permitindo a liberdade de viver sem restrições, se amando e alimentando seu feminino, ela teve um sinal do corpo e voltou a menstruar novamente.

Agora, o que precisamos descobrir é se a menstruação dela deu um sinal de vida por talvez agora o corpo realmente estar entrando na menopausa natural dela, ou se foi simplesmente pelo reforço positivo da mente que fez o corpo voltar a funcionar.

Menopausa precoce

Quando a menstruação cessa antes da idade comum, cuja referência é de 40 a 50 anos, essa manifestação pode acontecer por:

  • doença autoimune
  • alterações genéticas
  • medicação forte
  • exposição a radiações
  • cirurgias que interfiram de alguma forma na fisiologia da menstruação
  • forma idiopática, ou seja, sem causa definida

Nestes casos, é muito comum ter um fundo emocional, no qual o corpo reage de acordo com a mente, porque já se acha velha demais, madura demais.

Isso acontece, por exemplo, quando a mulher precisou abdicar de sua infância, de suas alegrias e prazeres para assumir responsabilidades logo cedo.

Algumas vezes, até mesmo é a filha que passou a cuidar dos pais, perdendo o senso comum de hierarquia, gerando revolta inconsciente e degradando o ciclo natural feminino do corpo.

Esta é a explicação metafísica da questão que observo na prática clínica

  • quando uma mulher tem características muito mais yang

Ou seja, quando tem qualidades muito ligadas à energia masculina, como ser autoritária, mandona, viciada em trabalho, “senhora-dá-conta-de-tudo”, racional, estrategista.

Nestes casos, o cérebro acaba por se comportar como um cérebro masculino, chegando até a produzir maior dosagem de hormônios masculinos.

Com isso, o corpo vai parando de ciclar direito, cessa os hormônios femininos e desregula o funcionamento dos ovários, como se atrofiassem.

Também por esse motivo a menopausa pode chegar mais cedo, pois o corpo já não se reconhece mais como feminino, mas, sim, como o paizão da casa, o chefe da família, o senhor presidente do seu próprio mundo.

Menopausa precoce é um pedido do corpo para que a mulher seja mais meiga, para que sinta mais prazer na vida, leve a vida com mais leveza.
Aprenda a delegar, a colocar cada qual com uma função, mesmo que seja em casa.

Para que se sinta menos sobrecarregada, se permita ser frágil, chorar, pedir colo. Para que seja mulher.

Pré-menopausa

Quando se inicia uma elevação gradual dos níveis de hormônio folículo estimulante (FSH), aproximadamente aos 40 anos, é a fase pré-menopausa.

Neste momento, começa uma fase natural de diminuição da atividade ovular, com a consequente produção de estrogênio que é realizada neste órgão.

Alguns sintomas, muitas vezes, já aparecem, como: menstruação irregular; suores noturnos; ondas de calor que começam de repente e sem motivo; irritabilidade, tristeza, ansiedade e flutuações de humor; insônia, ou sonos de menor qualidade.

Assim como diminuição da libido e da lubrificação; pele menos elástica e firme; cabelos menos sedosos; perda de força da musculatura em geral e, inclusive, do assoalho pélvico, podendo apresentar alguns graus de incontinência urinária; e diminuição da potência do orgasmo.

Mas, calma! Continue lendo o artigo que, mais para frente, vou trazer algumas dicas de como reverter todo esse quadro.

Perimenopausa

Fase imediatamente anterior à menopausa. É o início das alterações biológicas, endocrinológicas e sintomas físicos, que já apontam as últimas menstruações, trazendo também as menstruações irregulares.

Climatério

Transição da fase reprodutiva para fase não reprodutiva, que seria a menopausa. Idade média de 51 anos, e no geral é um termo utilizado mais global que carrega todas essas fases citadas que antecedem a menopausa em si (a última menstruação).

No entanto, a menopausa só pode ser confirmada, após um ano, em média, sem menstruar.á que nunca se saberá quando, de fato, quando foi a última menstruação, até que passe longo período sem menstruar, e porque natural, na fase do climatério, ficar meses sem menstruar e, depois, menstruar de novo por meses.

Algumas mulheres relatam que isso acontece até mesmo depois de alguns anos, com uma ou outra menstruação que vem de surpresa.

Nas minhas vivências de reconsagração do ventre, já tive quatro casos de mulheres que já tinham alcançado a menopausa há anos e que menstruaram durante a reconsagração ou alguns dias depois, quando o processo de desbloqueio das memórias do útero ainda estava surtindo seus efeitos.

Sintomas da menopausa

Toda menopausa se baseia na diminuição do estrogênio.

Todos os hormônios que começam a trabalhar em prol da chegada da menopausa atuam em cima da falha de atividade do ovário e da diminuição da produção de estrogênio, que são atividades naturais do corpo, quando a mulher chega nesta fase.

Essa diminuição de estrogênio deve acontecer de forma gradativa, o que pode se estender por alguns anos, até que a menstruação, de fato, desapareça.

O problema é que a queda de estrogênio causa uma série de manifestações na vida da mulher. Veja alguns exemplos:

  • alterações articulares – aumenta a possibilidade de manifestação de doenças reumáticas, ou quando já se tem, aumenta os sintomas
  • alterações cardiovasculares – o estrogênio diminui o colesterol total, trata-se então de uma proteção cardíaca, quando é diminuído no corpo pode causar mais possibilidade de infarto
  • alteração cerebral – aumenta a incidência de Alzheimer e AVE (acidente vascular encefálico). Não se sabe o motivo, mas a ala médica observou que aumenta relativamente a incidência, o que se torna relevante citar
  • alterações cutâneas – diminui a atividade dos fibroblastos, que são as células produtoras de colágeno, reduzindo, assim, a tonicidade da pele, a firmeza, aumentando rugas e flacidez
  • alterações genitourinárias – mucosa vaginal se torna mais fina pela falta de tonicidade da região e da diminuição de colágeno. A vagina perde a elasticidade, que é necessária para receber o pênis ou a introdução de brinquedos, o que pode tornar o ato sexual mais dolorido e até mesmo causar fissuras e sangramento
  • infecção e a incontinência urinária – outras manifestações comuns e que estão intimamente ligadas à diminuição da pressão uretral, que é a capacidade que o esfíncter uretral tem de se manter tenso para segurar a urina e de ser flexível e se abrir quando a bexiga contrai para eliminar a urina.

Na falta de força muscular decorrente da falta de tônus global pela deficiência de estrogênio, o esfíncter uretral também tem sua deficiência resultando em incontinência urinária.

No caso da infecção de urina, esse mau trabalho pode gerar urina que não é completamente eliminada, proliferando bactérias. Além disso, o útero mais baixo, já que o canal vaginal se encurta, também migra bactérias com maior facilidade

  • alterações metabólicas – diminuição gradual da taxa metabólica,o que leva ao aumento de peso a partir da perimenopausa
  • alterações psicológicas – ocorre um distúrbio de humor e dificuldades cognitivas, aumento dos sintomas depressivos, irritabilidade, choro com facilidade, maior ansiedade, humor depressivo, falta de motivação, energia e concentração.

Isso tudo acontece pois existe uma hipoatividade do hipotálamo e o hipocampo, responsáveis pelo sono e produção da serotonina e acetilcolina, que, por sua vez, são os neurotransmissores responsáveis pela normalização de humor, alegria e prazeres na vida

  • alterações ósseas – diminuição da densidade óssea, causando osteoporose ou, pelo menos, maior probabilidade de fratura
  • alterações vasomotoras – calores, fogachos, suor noturno. Os dois primeiros anos da menopausa costumam ser mais intensos e o mecanismo fisiopatológico que explica isso é a alteração dos neurotransmissores cerebrais, que, pela diminuição de estrogênio, aumentam a liberação de Gn-Rh (hormônios liberadores de gonadotrofina), que causam perturbação do equilíbrio térmico do corpo.

Mudanças de hábitos que amenizam os sintomas

  • O pompoarismo induz a liberação de estrogênio de forma natural, postergando a menopausa ou estimulando um pouco mais da atividade ovariana.

Além disso, os exercícios vaginais melhoram toda questão genitourinária, melhorando a elasticidade e tonicidade da vagina, a lubrificação, o fortalecimento, a resistência da mucosa vaginal, a sensibilidade de prazer e o orgasmo pelo estímulo da região quando houver atividade sexual.

Também facilita toda saúde local para quando for realizar exames ginecológicos, evitando o desconforto, assim como é capaz de prevenir e tratar episódios de infecção e incontinência urinária

  • Práticas de atividade física
  • Regularizar e padronizar hábitos de sono, já que as áreas do cérebro responsáveis pelo sono estão em hipoatividade, causando dificuldade para dormir, o que influencia consequentemente nos neurotransmissores de alegria e pode levar a maior nível de estresse, ansiedade e depressão.

Neste caso, a dica que trago é ter hora para dormir, escuridão absoluta, um cházinho quente, meditação ou música tranquila antes de se preparar para o sono, baixando as ondas cerebrais.

Tome cuidado com o que faz antes de dormir, evite ver tv, mexer no celular, passeios muito agitados ou atividades cansativas e estressantes

  • Incluir ingestão de três colheres de soja no cardápio para diminuir os calores
  • Trabalhos terapêuticos de aceitação desta fase da vida, e novo viés sobre essa fase
  • Aromaterapia: alguns alguns óleos essenciais abaixo podem ser utilizados em colares de aromaterapia ou difusores aromáticos, dos quais sobe o aroma até sua narina, para que fique sentindo-o.

Outra receita indicada pela especialista Solange Lima é misturar, para cada 30 ml de óleo vegetal de uma marca confiável e segura 6 gotas de óleo essencial, e passar no baixo ventre.

Ou ainda usar 2 gotas do óleo essencial escolhido, diluídas em água, e colocar em difusores no ambiente ou spray.

Óleo essencial de sálvia esclareia – é um tônico uterino, estimula a produção hormonal, e também considerado o óleo da feminilidade para a mulher madura. Óleo essencial de funcho doce – ideal para ser usado na menopausa, pois estimula a produção de estrogênio no corpo.

Outra dica natural é utilizar óleo de coco na vagina para diminuir o ressecamento, aumentar resistência tecidual desse local, pode inclusive ser usado junto da prática do pompoarismo.

Lembre-se sempre que o aromaterapeuta é o profissional mais indicado e pode te indicar os óleos com segurança.

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Roberta Struzani

Roberta Struzani

Terapeuta especializada em sexualidade e saúde ginecológica. Realiza atendimentos presenciais e online focados no autoconhecimento, na elevação da autoestima e na saúde do aparelho reprodutor feminino. Sua principal ferramenta de trabalho é o Pompoarismo. Saiba mais