Marcia Fervienza
Por Marcia FervienzaLeia em 5 min.04/04/2017 

Lua-Saturno e o vazio que nunca é preenchido

Aspectos desafiadores entre os dois planetas no Mapa Astral geram sofrimento emocional

Assim como encontramos pessoas que sofrem no mundo, podemos identificá-las simbolicamente no zodíaco, por meio do Mapa Astral. Na minha opinião, os aspectos que mais geram sofrimento emocional são aqueles desarmônicos (quadratura, oposição ou conjunção) entre Lua e Saturno.

Os signos regidos por esse luminar e por esse planeta estão em oposição na roda zodiacal. Na prática, é o seguinte: a Lua rege Câncer e a Casa 4: fala da vida privada, de família, de lar, de mãe, de nutrição, de vida íntima e interior. Já Saturno rege Capricórnio e a Casa 10: fala sobre vida profissional, carreira, vida pública e tudo aquilo que está mais exposto na gente. Além disso, indica o ponto mais alto que queremos alcançar em nossas vidas, como queremos ser vistos e reconhecidos pelo mundo.

A Lua fala de contenção, Saturno fala de estrutura. Saturno é frio e seco. A Lua é acolhedora.

Pessoas marcadas por Lua-Saturno sentem que não receberam o que precisavam da mãe

O que geralmente acontece quando estes dois planetas se reúnem em desarmonia em um Mapa é um sentimento de vazio emocional. Lua-Saturno geralmente acredita que é emocionalmente autônomo: não precisa de nada nem de ninguém, pode fazer tudo sozinho. Esta postura, provavelmente, é resultado de uma mãe percebida como rígida na infância, que não dava muito espaço para o afeto e para os sentimentos. Então, a pessoa acredita que demonstrar o que sente é um sinal de fraqueza: para ela, os sentimentos não são para serem sentidos, mas sim para serem administrados de maneira prática. E tudo o que a Lua não deveria ser é prática.

a pessoa acredita que demonstrar o que sente é um sinal de fraqueza: para ela, os sentimentos não são para serem sentidos, mas sim para serem administrados de maneira prática. E tudo o que a Lua não deveria ser é prática.

Com Saturno em quadratura, conjunção ou oposição à Lua, o senso de nutrição familiar em idade precoce ficou comprometido: a pessoa não foi nutrida com o que precisava. Algumas não foram amamentadas quando bebê: a mãe não tinha leite, a mãe não tinha tempo ou o leite da mãe não alimentava o bebê. Existe um “algo” de alimento para a alma que está ausente.

Assim, Lua-Saturno pode crescer e se tornar um indivíduo obeso ou com sobrepeso: com medo de que lhe falte comida, termina devorando tudo o que vê pela frente. No campo das relações afetivas, Lua-Saturno também pode acabar querendo “devorar” o outro, com medo de que este lhe falte. E é justamente o seu medo que pode gerar a perda do outro. Podemos encontrar também uma supercompensação: um indivíduo que recebeu muito pouco e que compensa isso dando muito, o que acaba sufocando o outro.

Pessoas tentam se proteger do sofrimento, o que acaba gerando mais vazio

Se existe algo que Lua-Saturno sente é medo – e culpa! Indivíduos com aspectos desarmônicos entre os dois planetas podem ter tido mães muito presentes, mas o alimento da alma ainda falta. Então, essas pessoas podem se proteger emocionalmente, não se deixar tocar, não deixar que cheguem ao seu coração, com medo de se tornarem vulneráveis, enfraquecidas e, em ultima instância, por medo de contarem com algo que creem que vão perder em algum momento (o outro). Lua-Saturno não aprendeu a ter, pelo contrário, aprendeu a não ter e também a contar com a falta.

Lua-Saturno não aprendeu a ter, pelo contrário, aprendeu a não ter e também a contar com a falta.

O que acontece é que essa excessiva proteção dos vínculos não costumam protegê-lo do sofrimento, da solidão, da tristeza. Há um vazio que não preenche nunca, há algo que nunca chega, que fica pendente. Geralmente, esse algo que se busca nos outros atuais não se refere à pessoa em questão, mas a um outro anterior, muito mais antigo, um outro da primeira infância, que funcionou como pai ou mãe (geralmente mãe) para o indivíduo. Assim, naturalmente, o vazio não é preenchido nunca: o que se está procurando não é o que o outro atual tem para dar ou precisa dar. É aquele outro primeiro, do passado.

E quem convive com pessoas com este aspecto pode ficar com a sensação de que é impossível agradá-las, fazê-las felizes, que nada é suficiente, nada as preenche. Realmente é assim, mas isso não é culpa nem do dono do aspecto e muito menos de quem convive com ele. O nativo não quer se sentir assim e nem fazer os outros se sentirem assim. O que foi perdido está em outros do passado, na memória de Lua-Saturno, mas continua se fazendo presente, se representando repetidas vezes e sendo projetado em outras pessoas.

Você só se lembra do que deu errado?

Falando de memória, isso é algo que Lua-Saturno tem e muito, mas para as coisas ruins. Esses dois planetas em aspecto desarmônico no Mapa Astral sugere que a pessoa lembra em detalhes de tudo o que o outro não fez, não lhe deu, de todos os momentos em que faltaram com ela. Há uma lente de aumento sobre o mal que lhe fizeram e nenhum destaque para as coisas boas que recebeu. O bom sempre foi menor e é ofuscado pelo que aconteceu de errado com o nativo, por aquilo que deixaram de dar a ele.

Há uma lente de aumento sobre o mal que lhe fizeram e nenhum destaque para as coisas boas que recebeu. O bom sempre foi menor e é ofuscado pelo que aconteceu de errado com o nativo, por aquilo que deixaram de dar a ele.

Lua-Saturno não tem que ser assim o resto da vida. Mas, se o aspecto não for trabalhado conscientemente, não será vivido em outro nível. Sem trabalho duro (Saturno), a situação não é resolvida. Lua-Saturno pode aprender a interagir com outras pessoas de forma diferente com o tempo (Saturno), pode se sentir mais seguro nas relações que o acompanham de longa data, pode aprender (Saturno) com o passado (Lua) para construir outra coisa em seu presente e em seu futuro. Não há necessidade de carregar essa história nas costas, seja boa ou ruim, por toda a vida. Mas Saturno sempre envolve trabalhar duro com dedicação e enfrentar os próprios medos.

Para enfrentar o medo, é preciso se expor a ele

E muitas vezes a única maneira de confrontar nossos medos é nos expondo a eles. Portanto, o caminho mais rápido e curto para superar os medos de se vincular, ser machucado e ser abandonado é justamente se expondo aos vínculos, correndo o risco de a ser machucado e abandonado.

A verdade é que na vida não há garantias de que essas coisas não acontecerão. O que Lua-Saturno precisa aprender a fazer é dar tempo aos relacionamentos e às pessoas para se revelarem, sem tirar conclusões definitivas quando a primeira coisa não sai como esperado. É preciso deixar de buscar todo o tempo por evidências que lhe deem razões para se manter emocionalmente fechado, para que continue se protegendo.

Um dos aspectos positivos de Saturno é que ele sabe usar a experiência passada como referência para eventos futuros. Mas Lua-Saturno em desarmonia tem essa capacidade distorcida, o que joga contra o nativo: as únicas experiências do passado que usa como referência são as negativas. Não dá espaço à possibilidade de que o novo seja diferente, melhor. E quando dá lugar, exige tanto que não dá chance ao menor erro, a nenhuma falha ou equívoco, nem dá tempo para que o outro se acomode na relação, para que esta chegue a seu lugar, para que as coisas se ajustem e se encaixem. Tem que dar certo desde o início e para sempre.

Portanto, o que os indivíduos Lua-Saturno precisam aprender é a dar lugar à dúvida, ao medo e à queda. Porque, ao abrir espaço para o fracasso, também se abre espaço para o sucesso. Assim, a pessoa começa a viver uma vida como a de todo e qualquer outro ser humano: com bons e maus momentos, mas uma vida inteira e plena, não uma vida pela metade.

Consulta com a autora

Ficou curioso para saber mais sobre este ou outros aspectos de seu Mapa Astral? Marcia Fervienza, astróloga e autora deste artigo, realiza atendimentos à distância, por SKype. Para marcação de consulta ou mais informações, mande um e-mail para a especialista: astronews2010@gmail.com

Marcia Fervienza

Marcia Fervienza

Astróloga há mais de 15 anos e psicóloga, atua como colaboradora em Astrologia para diversas revistas e possui trabalhos publicados em vários países. Oferece atendimentos astrológicos presenciais e virtuais.