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A carta do Tarot que ensina a aprender com o passado

Memórias da infância voltam sem aviso e travam decisões de hoje. Veja o exercício com Taot para aprender com o passado e seguir em frente

Atualizado em

Aprender com o passado começa por olhar para a infância com atenção e sem julgamento. No Tarot, a carta O Sol descreve esse movimento com precisão: duas crianças se aproximam, prontas para se tocar.

Esse abraço simbólico sugere o reencontro com a criança que você foi e que segue morando dentro de você. É uma cena de calor humano e autenticidade, e funciona como porta de entrada para um trabalho pouco explorado nas leituras.

A seguir, você encontra o que essa carta indica sobre a sua história e um exercício prático, em quatro passos, para estabelecer esse contato.

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Por que o Tarot ajuda a aprender com o passado

O Tarot funciona como um espelho do mundo e de quem consulta. Por meio dele, você percebe tanto as próprias riquezas quanto o que ainda dói ou falta.

É um instrumento construído por símbolos, e essa é justamente a razão de sua utilidade nesse tema. Símbolos acessam material que a linguagem direta costuma proteger.

Entre as muitas abordagens possíveis nas leituras, o contato com a criança interior é uma das menos usadas. Ainda assim, os Arcanos Maiores oferecem imagens muito claras para esse trabalho, e O Sol é a mais evidente delas.

O que a carta O Sol mostra sobre a sua história

Na tradição de Marselha, usada no Personare, O Sol é o arcano XIX. Sua imagem traz duas crianças em um jardim, sob um sol que ilumina a cena inteira.

A luz que cai sobre elas indica visibilidade. Nada fica escondido, e essa é a chave simbólica da carta quando o assunto é memória: o que estava obscurecido pelo tempo volta a ser visível.

A criança interior é a fonte de criatividade, alegria e senso de irmandade que você nutre pelos outros e pelas coisas. Ela também guarda o que ficou sem resposta.

Ninguém teve uma infância perfeita. Ainda assim, é possível rever o que passou, separar o que serve do que já cumpriu seu papel e seguir adiante com mais firmeza.

Como usar a carta O Sol para acessar sua criança interior

O exercício a seguir não exige preparo especial nem toma muito tempo. Ele é útil para rever fatos antigos e observar bloqueios que se repetem.

Comece observando a imagem do arcano. Ela funciona como uma porta para o encontro que vem a seguir.

⚠️ Se as memórias envolverem violência, negligência grave ou trauma, interrompa a prática e procure acompanhamento de um profissional de saúde mental. O exercício é um recurso de autoconhecimento e não substitui psicoterapia.

1. Encontre uma fotografia da infância

Procure fotos suas daquele período. Se não tiver nenhuma, retenha na mente a sua imagem de quando era criança.

Uma alternativa é buscar fotos de outras crianças parecidas com você naquela fase. Pergunte a si mesmo quantos anos ela tem e siga a intuição na resposta.

2. Observe até a imagem ganhar movimento

Escolha uma foto e observe-a com atenção. Continue até que ela esteja nítida na sua mente, a ponto de você conseguir imaginá-la se movendo e falando, como se fosse um filme.

A partir daí, relembre o ambiente, o que acontecia naquela data e como você se sentia. Se a memória não vier, mantenha o foco na expressão facial e corporal da criança na foto.

3. Apresente-se e faça perguntas

Segure a imagem e se apresente. Frases simples funcionam bem: eu sou você hoje, você mora dentro de mim, como você está?

Registre tudo o que ouvir ou sentir a partir desse momento. Do que ela precisa? O que ela sente agora?

💡 Anotar as respostas em um caderno logo depois da prática ajuda a perceber padrões quando você repetir o exercício.

4. Imagine o abraço da carta

Visualize-se abraçando essa criança, do mesmo modo que o arcano mostra. Observe como é esse contato.

A dificuldade de visualizar a cena também é informação. Ela indica o quanto essa parte de você foi mantida à distância.

O que costuma aparecer durante e depois do contato

Aprender com o passado pode doer, porque a criança que aparece às vezes está ferida ou magoada há muito tempo. Esse desconforto costuma ser passageiro.

O movimento também tende a ser transformador, na medida em que a autoestima ganha forma e força. Ao longo do processo, muita gente descobre uma nova maneira de olhar para as pessoas e para si mesma.

O modo como você foi cuidado na infância tem relação direta com o amor-próprio que sustenta suas escolhas hoje. Por isso, acolher sua criança interior costuma trazer efeitos concretos na vida adulta.

Lembrar que não era possível ter tudo o que queria quando era pequeno vira lição útil no presente. O que você conquistou desde então ganha outro peso.

Afirmações positivas para lidar com as lembranças

Depois que as memórias vêm à tona, afirmações positivas ajudam a reorganizar o que apareceu. Elas funcionam como orientações repetidas, e não como negação do que aconteceu.

Alguns exemplos que costumam funcionar bem nesse contexto:

  • “Eu perdoo as ofensas, humilhações e ausências e sigo em frente, firme e forte.”
  • “Sou dono de mim e tenho controle sobre a minha existência.”
  • “Sei que a tendência da minha vida é dar certo e trabalho para isso.”

Escolha uma frase por vez e repita durante alguns dias. A repetição importa mais do que a quantidade de afirmações.

Como aprender com o passado sem ficar preso a ele

A criança interior é um espelho do que precisa ser revisto. Muitas vezes, o processo se revela um resgate das suas origens e do modo como você administra gostos, preferências e escolhas.

O passado não se apaga. Ele pode, porém, ser reorganizado, de modo que você defenda suas escolhas com mais convicção.

Se você cresceu e chegou até aqui, consegue olhar para trás e estender a mão para essa criança que ficou em algum canto escuro. Resgatar a criança interior é um processo gradual, e cada retorno traz uma camada nova.

Conclusão

O Sol descreve um encontro iluminado, sem sombras e sem disfarces. Aplicada à sua história, a carta sugere que aprender com o passado exige visibilidade antes de qualquer decisão.

O exercício das fotografias é um começo simples. Repetido com regularidade, ele tende a mudar a relação que você mantém com as próprias memórias.

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Perguntas frequentes

O que significa aprender com o passado?

Aprender com o passado significa revisitar experiências antigas para extrair delas informação aplicável ao presente. A diferença em relação a remoer está no objetivo: quem remói repete a cena mentalmente sem chegar a lugar algum, enquanto quem aprende identifica o padrão, nomeia o que sentiu e decide o que fazer com aquilo agora. No trabalho com o Tarot, esse movimento aparece quando uma carta ilumina uma situação que estava sem contorno claro. O processo costuma ser gradual e raramente se resolve em uma única sessão de reflexão.

Qual carta do Tarot representa a criança interior?

O Sol, arcano XIX na tradição de Marselha, é a carta mais associada à criança interior. Sua imagem mostra duas crianças em um jardim, sob luz plena, em um gesto de aproximação. Essa cena remete à espontaneidade, à criatividade e à confiança que existem antes das defesas que você construiu ao longo da vida. Outras cartas tocam o tema de forma indireta, mas O Sol é a referência mais direta para quem quer trabalhar essa parte da própria história.

Como fazer o exercício da fotografia da infância?

Escolha uma foto sua de criança e observe-a com atenção até que a imagem fique nítida na sua mente. Depois, relembre o ambiente, a data e o que você sentia naquele momento. Apresente-se à criança da foto com frases simples, faça perguntas sobre o que ela sente e do que precisa, e registre tudo o que aparecer. Feche imaginando um abraço, como o gesto que a carta mostra. O exercício leva de 10 a 20 minutos e pode ser repetido quantas vezes fizer sentido.

Aprender com o passado é o mesmo que perdoar?

Não são a mesma coisa, embora caminhem juntos com frequência. Aprender com o passado é um trabalho de compreensão, que envolve entender o que aconteceu e o que aquilo produziu em você. O perdão é uma decisão posterior, que nem sempre chega e nem sempre precisa chegar. Alguns processos permitem soltar a mágoa com naturalidade, outros pedem tempo e acompanhamento profissional. Forçar o perdão antes da compreensão tende a produzir apenas um silêncio sobre o assunto.

Com que frequência repetir o contato com a criança interior?

Não existe número fixo. Muitas pessoas fazem o exercício uma vez por semana no início e depois espaçam conforme as respostas ficam mais claras. O que costuma funcionar é manter regularidade sem transformar a prática em obrigação. Se cada encontro deixa você mobilizado por dias, reduza a frequência e considere apoio terapêutico. Se, ao contrário, o contato traz alívio e clareza, você pode aproximá-lo da rotina, inclusive combinando com uma leitura de Tarot para orientar a pergunta da vez.

Leo Chioda

Leo Chioda

Leo Chioda é professor, escritor e um dos principais tarólogos em atividade no Brasil. É doutor em Literatura pela Universidade de São Paulo e sua tese é sobre poesia e alquimia. No Personare é autor do Tarot Mensal, Tarot e Amor e Tarot Direto. Também criador do Curso Básico de Tarot, Curso de Tarot para o Amor e faz atendimentos online pelo Personare.

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