O que aprendi com Deva Premal e Miten sobre soltar
Em entrevista ao Personare, veja o que Deva Premal e Miten ensinam sobre mantras, desapego e paz interior
Por Carolina Senna
Você já se pegou sabendo que precisa soltar algo, mas sem conseguir? Um relacionamento, um trabalho, uma versão de você mesma que já não cabe mais? Esse é um dos lugares mais difíceis de estar.
E foi exatamente sobre isso que conversei em uma entrevista com Deva Premal e Miten, um casal que dedica mais de 30 anos a ajudar pessoas a encontrar o caminho de volta para si mesmas através do som dos mantras.
Sou fundadora do Personare, especialista em saúde integrativa, mestre em Reiki e conduzo meditações há mais de 15 anos. Os mantras de Deva e Miten guiam minhas práticas e são a trilha sonora da minha casa o tempo todo.
Quando surgiu a oportunidade de entrevistá-los, fiquei emocionada de verdade. Nossa conversa foi sobre o poder real do canto, sobre o que move uma vida dedicada ao sagrado, e sobre como soltar o que já não cabe mais num ano que pede recomeço.
Depois que a câmera desligou, essa pergunta ficou ecoando em mim. Compartilho aqui os momentos mais profundos da nossa conversa.
Assista à entrevista com Deva Premal e Miten:
Quer sentir um pouco dessa paz e ver o momento em que eles cantaram ao vivo durante a nossa conversa? Dê o play abaixo e aproveite essa jornada.
De Londres a um ashram: como tudo começou
Miten cresceu dentro da cena do rock londrino. Deva Premal nasceu cercada de mantras, em um lar onde o sagrado era parte do cotidiano desde o primeiro dia.
Os caminhos deles não poderiam ser mais diferentes, e talvez seja exatamente isso que torna a obra deles tão ampla e tão capaz de alcançar pessoas de todos os lugares.
Foi em um ashram na Índia que Miten encontrou, pela primeira vez, uma música que não precisava de palmas para existir. E foi lá que ele e Deva se encontraram.
O que nasceu desse encontro, há mais de três décadas, segue transformando vidas ao redor do mundo.
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Entrevista com Deva Premal e Miten
Abaixo, compartilho com vocês um resumo dos momentos mais profundos da Entrevista com Deva Premal e Miten ao Personare.
Carol Sena: Você veio da cena do rock em Londres, Miten, e a Deva literalmente nasceu ouvindo mantras. Houve um momento exato em que a música se tornou algo espiritual para vocês?
Miten: Sim, houve um momento. Aconteceu quando deixei minha vida antiga e fui para um ashram na Índia. A música e o canto que ouvi lá eram diferentes de tudo que já tinha visto nos meus anos como músico de rock. Foi ali que entendi que a música é uma força de cura espiritual. A música pura e os mantras nos levam de volta ao silêncio. Não precisamos de palmas depois de uma música. A conexão no silêncio com milhares de pessoas é tão importante quanto o próprio canto.
Carol Sena: Eu sempre sinto que vocês nos levam a um estado diferente de consciência muito rápido. Como é a motivação e a preparação de vocês para criar isso?
Deva Premal: Diferente da maioria dos artistas, comecei a cantar em ambientes onde a meditação era a motivação principal, não o dinheiro ou a fama. Nossa preparação antes de entrar no palco envolve meditar, descansar e nos cercar de amor. Não vemos nossas noites como performances ou shows. É um encontro de almas afins, onde olhamos para dentro de nós mesmos, não para fora. É por isso que é um atalho tão rápido e poderoso para a paz interior.
Carol Sena: O mundo está passando por muita intensidade e as pessoas estão desconectadas. Vocês têm uma prática ou mantra simples para quem está se sentindo estressado ou desesperado agora?
Deva Premal: Quando o estresse tomar conta, pare um momento, respire fundo e cante um mantra até o final da respiração. Se quiser, coloque a mão no peito ou na barriga para sentir a vibração e o calor no seu corpo. Isso é um transformador instantâneo.
Miten: Um mantra muito simples e bonito para esses momentos é o Om Shanti Om. Ele invoca a paz universal, inescapável, a paz dentro de nós, não lá fora. Costumo dormir entoando esse mantra internamente.
Carol Sena: Em termos de ciclos de vida, noto que muitas pessoas têm dificuldade em deixar coisas para trás. O que vocês recomendam para quem precisa desapegar e não consegue?
Deva Premal: Desapegar é o maior desafio humano. A vida inteira é uma prática de desapego e, no final, nos desapegamos até do próprio corpo. Podemos fazer isso chutando e gritando, ou com relaxamento e confiança. Uma coisa que ajuda é lembrar de algum momento em que você perdeu algo e, depois, percebeu que tinha aberto espaço para algo muito melhor. Todos nós temos esse momento. No ano passado, eu mesma precisei deixar ir um empresário que foi meu amigo por 13 anos e que decidiu seguir outro caminho. Eu apenas deixei ir e acolhi cada onda de dor. Depois de cada onda, havia um pouco mais de paz. Você não pode suprimir isso. Você sente, deixa passar, e a confiança vai chegando. A meditação ajuda muito a chegar a esse lugar.
Carol Sena: E o que podemos esperar da turnê de vocês no Brasil após uma década?
Deva Premal: Esperem o encontro mais lindo possível. Tudo o que precisamos é que as pessoas apareçam e se entreguem. Estar junto, respirando e cantando com milhares de pessoas ao vivo, não através de uma tela ou inteligência artificial, afina o nosso corpo e a nossa mente em uma vibração muito alta. É a verdadeira medicina do som.
A turnê no Brasil: datas e cidades
Para quem sentiu o chamado de viver essa experiência ao vivo, a turnê passa por cinco cidades brasileiras. Garanta seu ingresso:
- Rio de Janeiro — 26/04
- Porto Alegre — 28/04
- Curitiba — 30/04
- Florianópolis — 02/05
- São Paulo — 05/05
O Personare estará presente. Os sorteios de ingressos para o Clube Personare já aconteceram, mas a equipe e os especialistas estarão nos encontros para meditar junto com vocês.
Se você quer ficar por dentro de oportunidades como essa no futuro, conheça o Clube Personare e participe.
Conclusão
Sair dessa conversa foi difícil. Não porque ela fosse longa, mas porque havia algo no espaço que eles criaram, mesmo pela tela, que me fez querer ficar um pouco mais naquele silêncio.
O que aprendi com Deva Premal e Miten sobre soltar é que o desapego não é ausência de dor. É a disposição de sentir a dor sem reprimi-la, confiar que o que vai embora abre espaço, e usar o som, a respiração e o mantra como caminho de volta para si mesma.
Se você tiver a oportunidade de estar em um dos encontros da turnê, vá. Leve o que você tiver: o cansaço, as dúvidas, o que ainda não conseguiu soltar. Tudo é bem-vindo lá.
Especialista em saúde integrativa pelo Institute of Integrative Nutrition de Nova York, Mestre em Reiki e sócia-fundadora do Personare. Oferece consultas online no Personare para quem deseja fazer as pazes com a comida e o corpo.
Saiba mais sobre mim- Contato: senna@personare.com.br
