Como praticar Kemetic Yoga no dia a dia: 5 passos simples
Para a filosofia africana Kemet, é preciso estar atento à alimentação para uma vida saudável. Veja um passo a passo para garantir mais equilíbrio no prato
Por Ana Sou
Saber como praticar Kemetic Yoga no dia a dia vai além de frequentar uma aula semanal. A prática nasce de uma filosofia ancestral africana chamada Kemetismo, originada na civilização de Kemet (atual Egito), que oferece um conjunto de saberes para uma vida com mais equilíbrio físico, mental e emocional.
A civilização Kemet desenvolveu tecnologias avançadas para a manutenção da saúde, e entendia que dois princípios devem caminhar juntos: o Tehuti e o Ma’at.
Esses conceitos têm significados profundos, e aqui simplificamos como as energias de autoconhecimento e equilíbrio.
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A filosofia Kemet e o princípio “somos um com a natureza”
Um dos principais conceitos atribuídos a Tehuti, que era um sesh (escriba de profundo conhecimento), aponta que somos um com a natureza. Para ele, as mesmas forças que existem na macronatureza também existem na micronatureza dos nossos corpos.
É por isso que os alimentos que dão mais vida são os de origem natural. Eles regeneram as perdas diárias a partir daquilo que originalmente nos constitui.
Conhecer e honrar o que se come passa a ser, então, uma prática fundamental para cultivar o autorrespeito e o respeito à grande natureza.
Esse princípio é a base dos cinco passos a seguir. Se quiser entender em profundidade o que é Kemetic Yoga e como a filosofia se conecta à prática física, vale conferir o guia completo.
5 passos para praticar Kemetic Yoga no dia a dia
Os cinco passos abaixo podem ser experimentados na sua próxima refeição. Seguindo essas atitudes, você inicia um processo de maior consciência e domínio sobre a própria saúde.
1. Reflita se o alimento é saudável e vai trazer mais vida
Antes de comer, observe seu prato. Como somos parte da natureza, manter essa integração é parte da saúde. O que está ali tem elementos naturais ou só industrializados?
Vale lembrar que manter a estrutura original do alimento, ou seja, sua versão crua, costuma preservar mais potência nutricional. Não significa abolir o cozimento, mas sim incluir frescor, cores e textura viva nas suas refeições.
2. Faça mentalmente o caminho do alimento até o seu prato
Com o acesso fácil a supermercados, a comida tornou-se instantânea. Perdemos a dimensão do tempo natural da produção das frutas e folhas, que por vezes levam meses para chegar ao ponto de consumo.
Refazer mentalmente esse caminho recupera o valor real do que está ali. Quem plantou? Quanto tempo levou? Quem colheu? Esse exercício simples tende a transformar a relação com o que se come, e funciona como uma pequena meditação antes da refeição.
3. Entenda o poder que o alimento oferece
Aris Latham, referência atual em alimentação natural africana, aponta que o alimento é a nossa medicina. Sob essa lógica, conhecer o que cada alimento oferece é uma forma de automedicação segura, e vale aprofundar o conhecimento.
Você sabe qual parte do seu corpo aquele alimento ajuda a regenerar ou manter? Se a resposta é não, vale uma rápida pesquisa antes da refeição.
Saber que o feijão preto é rico em ferro, que a beterraba apoia a circulação ou que a abóbora tem precursores da vitamina A muda a forma como você se relaciona com o prato.
4. Sinta de verdade todo o sabor do que come
O sentir é base de decisão e guiamento para os povos da África. Ao se alimentar, use ao máximo seus órgãos do sentido:
- Visão: observe cores e brilho do alimento; eles indicam frescor e ponto de consumo
- Olfato: sinta o cheiro para ativar papilas gustativas e processos digestivos
- Audição: perceba se a mastigação traz som e escute
- Paladar: além do sabor, dê atenção a texturas e temperatura
- Tato: sinta o alimento na boca, sua densidade e a forma como muda ao ser mastigado
Comer devagar, com atenção a essas sensações, transforma a refeição em ritual e ajuda o corpo a digerir melhor. Para quem busca autoconhecimento, esse exercício é também uma porta de entrada para perceber padrões automáticos do dia.
5. Antes ou depois da refeição, faça uma prática rápida de Kemetic Yoga
Essa prática pode ajudar a digerir melhor o que você come. A recomendação é fazer de 5 a 10 ciclos de respiração da Kemetic Yoga, com longas inspirações pelo nariz e expirações pela boca, intercaladas por pausas de alguns segundos.
As pausas após a inspiração ajudam o organismo a absorver oxigênio, essencial para que as moléculas alimentares se quebrem em energia durante a digestão.
As longas expirações permitem maior limpeza do organismo, expelindo toxinas que a respiração corrida do dia a dia, em geral, não dá conta de eliminar.
📌 Estrutura da respiração:
- Inspire pelo nariz, lenta e profundamente, por cerca de 4 segundos
- Pause com o ar dentro, por 2 a 4 segundos
- Expire pela boca, lenta e prolongada, por cerca de 4 a 6 segundos
- Pause com os pulmões vazios, por 2 a 4 segundos
- Repita o ciclo de 5 a 10 vezes
Kemet e o valor da natureza
Os conhecimentos ancestrais africanos do Kemet funcionam como rituais de honra e respeito às forças maiores que nos mantêm vivos. Em centros urbanos, é comum perdermos a percepção de que a natureza oferece tudo o que precisamos para nos nutrir.
A única ação necessária para sempre ter o que precisamos é honrar o ciclo: replantar sementes e raízes e aguardar a mágica acontecer. Esse princípio cabe na cozinha, no quintal, na varanda e até em um vaso na janela.
Aplicar a filosofia Kemet também passa por essa pequena entrega: lembrar que o ciclo da natureza é mais antigo e mais sábio do que qualquer pressa cotidiana.
A filosofia Kemet além das refeições
Os cinco passos acima usam a alimentação como porta de entrada, mas a filosofia se estende a outras esferas do dia.
No descanso
Respeitar o sono e os momentos de pausa também é honra à natureza. O corpo se regenera quando descansa, da mesma forma que a terra precisa de períodos de descanso para voltar a produzir bem.
Na respiração ao longo do dia
A respiração em quatro tempos não está restrita ao tatame. Ela pode ser feita antes de reuniões, no trânsito, antes de dormir ou em qualquer momento de tensão. Para entender melhor a base, veja o conteúdo sobre respiração e qualidade de vida.
Na escolha de prioridades
A filosofia Kemet propõe escolhas alinhadas ao Ma’at (equilíbrio) e ao Tehuti (autoconhecimento). Na prática, isso significa observar onde você gasta energia e ajustar agendas, relações e hábitos para honrar o que sustenta o seu equilíbrio.
Conhecer os benefícios da Kemetic Yoga para corpo e mente ajuda a entender por que pequenas mudanças cotidianas geram efeitos profundos com o tempo.
Conclusão
Praticar Kemetic Yoga no dia a dia é mais simples do que parece. A filosofia Kemet propõe um olhar atento sobre alimentação, respiração, descanso e prioridades, com base no princípio de que somos um com a natureza.
Os cinco passos para a próxima refeição já oferecem um ponto de partida concreto. Refletir sobre o alimento, refazer seu caminho, conhecer seu poder, sentir cada sabor com presença e fechar com a respiração de Kemetic Yoga compõem um ritual completo de autocuidado.
Quanto mais constante a prática, mais ela tende a se integrar à rotina. Pequenos gestos diários, sustentados ao longo das semanas, costumam gerar mudanças mais profundas do que grandes mudanças pontuais.
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FAQ
Como começar a praticar Kemetic Yoga em casa?
O ponto de partida mais simples é a respiração em quatro tempos: inspirar, pausar, expirar e pausar, cada fase com 2 a 6 segundos. Faça de 5 a 10 ciclos antes das refeições ou em momentos de tensão. Para a parte física da prática, com posturas e progressão geométrica, o ideal é começar com uma aula guiada por instrutora formada, online ou presencial. Em casa, com o ritmo da respiração já no corpo, a prática solo flui melhor.
Quanto tempo por dia preciso dedicar à Kemetic Yoga?
Não há um tempo mínimo obrigatório. Cinco minutos de respiração em quatro tempos já tendem a gerar efeitos perceptíveis no sistema nervoso. Para a prática completa, com posturas, 30 a 45 minutos de aula, 2 a 3 vezes por semana, costumam ser suficientes para colher os benefícios. A regularidade vale mais do que a duração.
Posso aplicar a filosofia Kemet sem fazer as posturas?
Sim. A filosofia Kemet é independente da prática física, embora as duas se potencializem juntas. Aplicar os princípios na alimentação, no descanso e na respiração ao longo do dia já é uma forma legítima de viver a filosofia. As posturas aprofundam o trabalho corporal e simbólico, mas não são pré-requisito para começar.
A Kemetic Yoga exige uma alimentação específica?
Não há uma dieta obrigatória, mas a filosofia incentiva alimentos naturais, frescos e o mais próximos possível da forma como vêm da natureza. Isso não significa eliminar grupos alimentares, e sim cultivar uma relação mais consciente e respeitosa com o que se come. Cada pessoa adapta os princípios ao seu contexto cultural, regional e de saúde.
Os 5 passos servem para qualquer refeição?
Sim. Os cinco passos funcionam tanto em refeições principais quanto em lanches, e podem ser aplicados em situações cotidianas ou ocasiões especiais. A intenção é transformar o ato de comer em um momento de presença, e isso vale para um café da manhã rápido em casa, um almoço corporativo ou um jantar de comemoração.
Faz parte da primeira geração de instrutores de Kemetic Yoga certificados no Brasil. Na yoga de base indiana, está em formação em Yin Yang Vinyasa (Edson Ramos) e Hatha Yoga (Arte de Viver). Também tem formação em Yoga Massagem Ayurvédica (Pune – Índia); e terapia de respiração Rebirthing (Renascimento).
Saiba mais sobre mim- Contato: anasounatural@gmail.com
