Consumo excessivo de farinha de trigo aumenta risco de doenças crônicas

Farinha de amêndoas pode ser usada como substituição saudável. Aprenda receita

Consumo excessivo de farinha de trigo aumenta risco de doenças crônicas

O trigo é um dos alimentos mais antigos, sendo cultivado há mais de 10 mil anos. O pão, principal produto de seu processamento, está presente nas mesas de quase todos os povos. Por que, então, ele vem sendo proclamado como um dos menos recomendados alimentos da nossa época?

Dois motivos:

  1. A agricultura industrial e suas tecnologias genéticas modificaram a estrutura do trigo, com o objetivo de aumentar a produtividade e controlar pragas, tornando-o de certa forma agressivo ao nosso organismo.
  2. A ciência descobriu a doença celíaca, uma condição muito específica, e que pode levar à morte. A doença é causada por uma proteína presente no grão, chamada glúten, que é responsável pela elasticidade das massas e faz com que as preparações fiquem macias e com textura agradável. O glúten provoca um estado de inflamação no intestino delgado, causando uma dificuldade de absorção dos nutrientes, diarreia e cólicas abdominais fortíssimas, dentre outros sintomas. A única forma de controlar a doença é eliminando radicalmente o glúten da dieta.

E, a partir desses dois pontos, criou-se o mito que glúten faz mal para todo mundo.

Ainda que o trigo não seja um vilão que provoque danos nos organismos de todas as pessoas, há uma tendência mundial dentro da comunidade científica de recomendar a diminuição no consumo de carboidratos refinados, por serem responsáveis, junto a um estilo de vida pouco cuidadoso, pelo aumento de doenças crônicas não infecciosas.

A principal forma de consumo do trigo na atualidade é por meio das farinhas refinadas, presentes em pães, bolos, massas, biscoitos e outros produtos industrializados. Com a modernidade, passamos a consumir uma quantidade muito grande destes tipos de produtos, resultando num incremento na ocorrência de obesidade, diabetes e doenças cardíacas, por exemplo.

Farinha de amêndoas é opção saudável e pode ser feita em casa

Desta forma, diminuir o consumo de farinha de trigo é um desafio e tanto para pessoas que precisam controlar a ingestão de carboidratos refinados. Uma boa alternativa para ser usada como substituta da farinha de trigo é a farinha de amêndoas. É possível preparar deliciosos bolos, biscoitos e tortas utilizando-a.

Rica em proteínas e gorduras saudáveis, a amêndoa é também uma excelente fonte de vitamina E, um poderoso antioxidante. É possível encontrar a farinha já pronta, mas o preço salgado assusta um pouco. O que eu costumo fazer é comprar as amêndoas a granel, aproveitando alguma promoção, e então preparo a farinha de acordo com o meu consumo.

Na minha rotina alimentar não entram muitos pratos doces e complicados, eu prezo sempre pela praticidade. Mas, de vez em quando, dá vontade de comer um bolo ou um biscoito mais adocicado. E ter essas alternativas para consumir menos carboidratos é sempre uma boa!

Então, vem comigo que vou lhe ensinar a preparar farinha de amêndoas em casa. Você vai precisar de um processador ou de um liquidificador bem potente (eu prefiro o processador).

Receita de farinha de amêndoas

Tempo de preparo: 60 min (fora o tempo de demolho) | Tempo de cozimento: 40 min | Serve: 1 xícara de chá

Ingrediente

1 xícara de chá de amêndoas (você pode fazer a quantidade que quiser, aqui é só uma sugestão)

Modo de fazer

Colocar as amêndoas com casca de molho por 12 horas. Depois, escorra a água e leve ao fogo com 2 xícaras de água, até levantar fervura. Desligue e escorra a água.

Espere esfriar um pouco e retire a casca das amêndoas, apertando-as entre o polegar e o indicador. Leve ao forno para secar, mas lembre-se: não é para dourar, mas apenas secar as amêndoas. Deixa-as em forno baixo, por 20 minutos e cheque se estão totalmente secas.

Espere as amêndoas esfriarem e leve-as ao processador ou liquidificador. Usando a função pulsar, processe até que se transforme em uma farinha. A farinha não fica totalmente fina, mas sim granulada (veja foto abaixo). Cuidado para não bater demais, pois pode passar do ponto e se transformar em manteiga. Guarde num pote de vidro na geladeira por 3 semanas.

É recompensador saber de onde veio seu alimento, como foi preparado. Terminar uma preparação sabendo que fizemos a melhor escolha alimentar, que não estamos ingerindo aditivos artificiais, nos deixa com uma sensação de dever cumprido com nossa saúde e bem-estar.

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Mônica Souza

Mônica Souza

Mônica Souza é formada em gastronomia e autora do blog Cozinha Consciente: http://www.cozinhaconsciente.com.br/. E-mail: monica@cozinhaconsciente.com.br Saiba mais