Leo Chioda
Por Leo ChiodaLeia em 3 min.06/10/2016 Atualizado em 25/04/2019

Cartas de Tarot: os tipos diferentes de Tarot

Conheça os baralhos de Tarot mais famosos do mundo, suas diferenças e importância

A cada ano, mais de 100 baralhos de Tarot novos chegam às lojas de todo o mundo. São versões de baralhos antigos, criações artísticas a partir de cartas de Tarot de baralhos conhecidos ou mesmo um oráculo totalmente diferente daquele que conhecemos por Tarot. Mas você já se perguntou por que são tantos? Qual é a diferença entre eles? Ou se existem os melhores e os piores nesta lista interminável?

Cartas de Tarot: todo Tarot tem 78 arcanos

Aliás, o que deve ficar bem claro é que Tarot é todo conjunto de 78 cartas que se divide em dois grupos: os 22 Arcanos Maiores e os 56 Arcanos Menores, sendo que 16 desses são as quatro cartas das quatro Cortes – Paus, Copas, Espadas e Ouros. Essa é a estrutura considerada tradicional, já que desde a Idade Média os maços eram comercializadas com este número específico de cartas.

  • 22 Arcanos Maiores – Cartas de 1 a 21 + Arcano sem número, “O Louco”
  • 56 Arcanos Menores – Quatro naipes: Paus, Copas, Espadas e Ouros
  • 40 cartas numeradas de cada naipe – Do 1 (Ás) ao 10
  • 4 Cartas da Corte de cada naipe – Pajem (ou Princesa), Cavaleiro (Príncipe), Rainha e Rei

No decorrer do tempo, com a divulgação massiva do Tarot enquanto instrumento de previsão, vários cursos introdutórios e formadores foram e ainda são oferecidos. Boa parte dessas atividades adota apenas os 22 Arcanos Maiores e deixa de lado os 56 Menores, como se essa nomenclatura diminuísse a importância deles.

Independente de serem usados os Menores ou não, de acordo com a dificuldade de memorização ou de combinação que possa surgir, para que o oráculo seja considerado Tarot, ele deve ter necessariamente essas 78 cartas – nem uma a mais e nem a menos.

Os diversos tipos de  baralhos de Tarot

Os primeiros baralhos de Tarot de que se tem notícia datam do século XIV, quando a produção era bastante simples, já que a tecnologia do período renascentista em diante, até o século XVIII, permitia a impressão com apenas algumas cores.

No século XIX, com o avanço dos processos gráficos, novas versões dos antigos baralhos acabaram sendo desenvolvidas, publicadas e popularizadas. Novos artistas, novas impressões e novas possibilidades de interpretação que abriram as portas do mercado editorial. Entretanto, apesar de tantos baralhos disponíveis no mercado, é importante frisar que a estrutura clássica se mantém na maioria deles.

Os baralhos de Tarot mais famosos do mundo

Dentre os mais variados tipos de Tarot disponíveis no mercado, citamos quatro dos mais importantes da literatura esotérica e mais usados de todos os tempos.

Tarot de Marselha

Conhecido no mundo inteiro, o Tarot de Marselha é um dos baralhos mais antigos e ainda hoje usados. Embora não se tenha documentos que atestem sua existência antes do século XIV, é dito que o provável berço do Tarot de Marselha seja o norte da Itália, logo introduzido na França, especificamente no sul, onde passou a ser copiado e comercializado como um instrumento lúdico. Suas imagens são medievais, assim como suas cores primárias, devido aos recursos gráficos da época.

Sendo um baralho clássico, estrutural e conceitual, dele deriva a maioria dos baralhos de Tarot lançados desde o século XVIII. O Tarot Personare é uma versão do tradicional marselhês.

Rider-Waite Tarot

O Tarot mais vendido em todo o planeta foi concebido pelo ocultista inglês Arthur Edward Waite e executado por Pamela Colman Smith, escritora e prolífica ilustradora inglesa. O baralho completo veio a público em 1910, mesmo ano que seu livro, “The Pictorial Key to the Tarot”, editado pela “Rider&Son” de Londres.

Dentre todas as alterações que seus criadores fizeram na estrutura tradicional (como trocar de número os arcanos 8, “A Justiça” e 11, “A Força”), o grande efeito prático deste baralho está nas 40 ilustrações dos Arcanos Menores numerados. Onde se via apenas três taças no arcano “Três de Copas” dos baralhos tradicionais, no Tarot de Waite vemos uma cena de celebração entre três donzelas que brindam com seus respectivos cálices. Devido a essa inovação, com vários clones sendo desenvolvidos e comercializados, grande parte dos baralhos lançados até o momento recebem suas influências.

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Tarot de Thoth

Uma das personalidades mais polêmicas do universo esotérico que criou seu próprio Tarot foi o escritor e mago inglês Aleister Crowley. Entre 1938 e 1943, ele uniu forças à artista plástica Frieda Harris para compor as 78 cartas do seu baralho de Tarot, considerado por estudiosos como o legado de todo o conhecimento de Crowley.

O Tarot de Thoth, também título de um livro publicado no ano de 1944, trazia descrições e correspondências dos arcanos com a Astrologia, poemas e hinos relacionados a cada uma das cartas e algumas sugestões de uso. O baralho é atribuído a Thoth, deus egípcio da escrita e do conhecimento, que dizem ter deixado um livro com todos os seus saberes. Embora muitos esotéricos até hoje acreditem que esse livro tenha dado origem ao Tarot, as pesquisas históricas descartam essa hipótese.

A repaginação arquitetada por Crowley e executada por Harris impressiona colecionadores e leitores de Tarot do mundo todo por suas associações entre imagens tradicionais e figuras mitológicas (como, por exemplo, “A Sacerdotisa”, representada como a deusa romana Diana, protetora das virgens e grande senhora da caça).

As nomenclaturas dos arcanos sofrem algumas alterações consideráveis, mas a mais marcante é a troca dos Pajens por Princesas, Cavaleiros por Príncipes e Reis por Cavaleiros. Essas mudanças fizeram com que muitos baralhos influenciados pelas associações de Crowley fossem concebidos e lançados com essas alterações, embora quase sempre a troca do Rei pelo Cavaleiro não se sustente.

Os baralhos derivados dos de Waite e Crowley trazem comumente Reis, Rainhas, Príncipes (ou Cavaleiros) e Princesas (Pajens). Além das alterações estéticas que Crowley e Harris empreenderam com sucesso, os Arcanos Menores, com exceção dos quatro Ases, receberam títulos afinados aos seus respectivos atributos oraculares. Exemplos: O “Dois de Copas” é chamado de “Amor” e o “Cinco de Espadas”, de “Derrota”.

IMPORTANTE: No Tarot do Personare, chamamos o Pajem de Princesa, mas isso em nada interfere nos significados do arcano. Para as outras figuras (Cavaleiro, Rainha e Rei), mantemos a nomenclatura original.

Tarot Mitológico

O Tarot Mitológico foi desenvolvido pela astróloga americana Liz Greene em parceria com a taróloga Juliette Sharman-Burke e concebido pela artista plástica Tricia Newell. Desde o seu lançamento pela editora Fireside em 1986, o baralho é também um dos mais traduzidos e vendidos em todo o mundo.

Adaptando as imagens medievais às diversas personagens e passagens da mitologia grega, até hoje se propaga a ideia errada de que este é o Tarot “mais fácil” para se aprender. Embora seja uma contribuição relevante ao universo artístico do Tarot, nenhum profissional que pesquisa a história e a simbologia do oráculo sugere seguir à risca as associações oferecidas. Manter atrelados o arcabouço simbólico do Tarot e a profundidade de um mito acaba confundindo leigos e limitando tanto o oráculo quanto a narrativa grega. É um fenômeno de vendas que merece atenção e cuidado.

Apesar do rico simbolismo e das inovações destes baralhos que merecem igualmente longo e árduo estudo, pouca coisa muda em uma leitura, já que em essência eles preservam a estrutura tradicional do padrão marselhês.

Tanto Waite quanto Crowley, às suas maneiras, foram fiéis aos atributos clássicos das cartas. O que realmente importa é o uso que se faz de determinado baralho. A única condição, como já vimos, é que um Tarot só é de fato um Tarot se possui os 22 Arcanos Maiores e os 56 Menores. Hoje, com o mercado cada vez mais amplo, é possível escolher o Tarot que melhor se adapta ao gosto visual do intérprete.

Afinal, qual é o melhor?

A constante remodelagem do Tarot deve ser encarada como um avanço tecnológico, um advento artístico e também um filão editorial, já que são praticamente infinitas as possibilidades de criação a partir da estrutura tradicional.

O que é difícil é resistir aos mais variados temas e estilos, já que alguns oferecem cores fortes e traços mais agradáveis que outros. Porém, independente da beleza ou da sofisticação das imagens, a verdade é que todo Tarot funciona com bastante êxito se houver longo e árduo estudo de seus símbolos e verdadeiro respeito às suas imagens. O prudente é sempre optar por um profissional que siga a estrutura tradicional, como é o caso do Tarot usado no Personare. O melhor Tarot sempre vai depender de quem o interpreta.

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Leo Chioda

Leo Chioda

É escritor e tarólogo. Dedica-se a palestras sobre Tarot, pesquisas históricas e prática da leitura das cartas. É também autor do Tarot Direto e Tarot Mensal do Personare.