Ceci Akamatsu
  • Por Ceci Akamatsu
  • Leia em 4 min.
  • 05/01/2020
  • Atualizado em 29/05/2020 às 14:06

Você consegue ser feliz?

Mindfulness pode ajudar a enfraquecer tudo que atrapalha nossa felicidade e prazer

Você consegue ser feliz?

Reeducar nosso cérebro é o adubo perfeito para fertilizar tudo de melhor que desejamos em nossa vida e, ao mesmo tempo, enfraquecer tudo que atrapalha a nossa busca por ser feliz.Eu te proponho a reeducar seu cérebro com  com Mindfulness, que se traduz em atenção plena, mas que também podemos chamar de poder do agora ou presença.

Se vivemos ansiosos, estressados, desanimados, como poderemos fazer florescer bem-estar ou concretizar nossos sonhos?

Se nossos bons momentos constituem-se em prazeres intensos e pontuais, vividos mais como uma fuga da rotina massacrante do que como algo constante em nossa vida, como tornar o prazer e ser feliz de modo real e sustentável?

Para que possamos concretamente alcançar a felicidade, é preciso plantar sua semente, cuidar para que seu solo esteja adequado, e regá-la constantemente para que ela germine, brote, se enraíze e floresça. É preciso nos mantermos presentes.

O que prejudica a felicidade sustentável?

Estamos sempre preocupados com o futuro ou apegados a algo do passado. Nos habituamos a realizar as atividades com a mente parcialmente presente. A atenção, consciente ou inconscientemente, passeia entre o que estamos fazendo agora e algo que ainda vai acontecer ou que já aconteceu. 

É saudável que nossos pensamentos visitem o passado e/ou futuro para podermos melhorar o que estamos fazendo no presente. Porém, se em vez de otimizar o que fazemos, isto nos roubar o que há de melhor, esses passeios da mente se tornam nocivos.

  • Se estamos com a pessoa que amamos, presos a dor de uma decepção passada, todos os nossos pensamentos e sentimentos, atitudes e comunicação, ainda que não percebamos, ficam contaminados pela energia do passado. 
  • Se estamos em um momento íntimo a dois, preocupados com a reunião de amanhã, deixamos de sentir o prazer que está disponível para nós no momento.
  • Se vamos a uma reunião pensando que posso não atender às expectativas do que esperam de mim, bem provavelmente não conseguiremos dar o nosso melhor.

Ao nos perdermos no passado ou no futuro, gastamos mais energia do que o necessário, pois é como se tivéssemos vivendo o presente, o passado e o futuro ao mesmo tempo. Como ter paz para realizar algo ou mesmo para relaxar diante de tal desgaste?

Ficamos mais cansados e, até mesmo o que gostamos, seja uma atividade, companhia ou, uma comida, parecem perder a graça. Ou, por outro lado, passa a ser vivido de maneira eufórica, como uma maneira de fugir da preocupação. 

A falta de presença no aqui e agora diminui nossa satisfação e nos demanda mais energia, causando estresse.

A mente presente nos permite aproveitar a vida ao máximo, ter clareza e melhor direcionamento em todos os aspectos da vida.

Ofereça o solo adequado para a felicidade crescer

O estado de mente plena é alcançado pela prática meditativa. Segundo Marsha Lucas, em seu livro Rewire Your Brain for love, a práticas meditativas de Mindfulness ajudam nos seguintes aspectos:

  • Ter mais condições de lidar com nossas reações físicas –  sair do estado de estresse para um de maior tranquilidade. 
  • Mais capacidade de regular nossas respostas aos medos – ser menos reativo e negativo, apresentando respostas mais condizentes com a realidade e não com os medos. Corpo consegue relaxar mais.
  • Resiliência emocional – saber transitar de maneira harmoniosa entre e dentro de todas as emoções, mesmo em seus altos e baixos, intensidades e marasmos. Não carregar os sentimentos e sensações desagradáveis mais do que o necessário, sabendo retornar à harmonia.
  • Flexibilidade em nossas respostas – saber parar antes de ser tomado pelas emoções, escolhendo como responder, e não apenas reagir automaticamente. Atitude mais consciente.
  • Autoconsciência e autoconhecimento – maior compreensão sobre suas próprias emoções e atitudes. Capacidade de entender o por quê das emoções, sensações e pensamentos.
  • Empatia e capacidade de se sintonizar consigo mesmo e com os outros – capacidade de conexão e vínculos reais nas relações consigo mesmo e com as pessoas.
  • Mudança da perspectiva do “eu” para o “nós” – convívio coletivo mais inclusivo e harmonioso.

Viver o melhor e ser feliz

Viver a vida sem estar presente é como comer a comida mais gostosa e não sentir seu gosto completamente. Mesmo quando a saboreamos, perdemos o melhor que esse sabor traz. É ficar cansado mesmo quando a atividade não é tão cansativa e encarar tudo de maneira mais pesada no que realmente é.

A presença é o pressuposto fundamental para a felicidade, seja para saber encarar aspectos negativos e passar por momentos desagradáveis de maneira construtiva, assim como para reconhecer o que há de bom e conseguir aproveitar os momentos agradáveis em seu potencial máximo.

Então que tal cultivar o solo perfeito para a nossa felicidade: praticar Mindfulness?

Os primeiros passos para se manter presente

Não é preciso parar de pensar ou ficar em posição de lótus para meditar.

Realizar tudo o que fazemos prestando mais atenção já nos ajuda a ficarmos presentes.

Pare agora, se possível, e feche os olhos. Agora, faça apenas três respirações mais lentas e profundas, procurando preencher e esvaziar a área do abdômen ao inspirar e expirar.

Sentiu a diferença? A respiração é outro aspecto chave que nos ajuda a ficarmos presentes. 

Um bom exercício é ficarmos pelo menos alguns minutos apenas observando nossa respiração.

Fechar os olhos, se possível em algum local mais tranquilo, sentados de maneira mais ereta e simplesmente respirar, deixando os pensamentos irem e virem – sem nos prender a eles já é um grande passo.

Caso nos percebamos distraídos em algum pensamento, desprendemos dele e voltamos a atenção à respiração. Nas primeiras vezes, pode parecer estranho, mas se nos habituamos, logo o exercício se torna mais fácil. 

Se isso ainda for difícil, podemos fazer uma respiração ritmada, contando até quatro ao inspirar, mais quatro segurando a respiração, mais quatro para expirar, e mais quatro antes de inspirar novamente. Ao prestarmos atenção a contagem, fica mais fácil desprender dos pensamentos. 

Podemos começar com 2 a 5 minutos e nos estender a 20 ou mais minutos ao praticar esses exercícios.

Você pode colocar um alarme com essa contagem de minutos para não se preocupar, mas se isso causar tensão, podemos fazer o quanto tempo for possível, até nos sentir mais relaxado.

O segredo para obter resultados é a regularidade. Alguns minutos todos os dias é melhor do que uma hora, uma vez na semana.

Dois minutos por dia durante duas semanas já são o suficiente para começar a sentir uma diferença.

Se ao menos conseguirmos parar toda vez que estivermos tensos, ou a cada hora do dia, para respirar profundamente algumas vezes já perceberemos uma melhora.

Segundo Marsha Lucas, uma prática de alguns minutos todos os dias pode apresentar resultados melhores e mais duradouros do que um mês de férias. Afinal, no segundo dia ao retorno do trabalho, voltamos a sentir o mesmo estresse de antes.

Com a prática meditativa, é possível alcançarmos e, o mais importante, mantermos aquele estado alcançado quando tiramos férias, sem precisar delas.

Para melhores resultados, entretanto, é preciso frequência e continuidade, mas vale lembrar que, neste caso, alguma coisa é melhor do que nada. Então, vamos praticar!

Se você sente dificuldades em praticar ou percebe que ainda assim há algo sabotando sua felicidade, é possível trabalharmos juntos nas consultas online.

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Ceci Akamatsu

Ceci Akamatsu

Terapeuta Acquântica, faz atendimentos presenciais no Rio de Janeiro, em São Paulo e à distância. É a autora do livro Para que o Amor Aconteça, da Coleção Personare.  Saiba mais