Questões emocionais podem causar doenças ginecológicas

Seu corpo pode estar dando sinais que você não está percebendo

Questões emocionais podem causar doenças ginecológicas

Você tem tido doenças ginecológicas como candidíase, vaginismo e endometriose? Qual será a questão emocional relacionada ao aparecimento desses sintomas e doenças? O corpo e a mente são indissociáveis. Somos um ser integrado em que corpo e mente estão em contínua troca e relação. Entretanto, nós tendemos a separá-los como espaços independentes.

Nada acontece no corpo que não gere um efeito emocional. Assim como nada acontece a nível emocional que não gere um efeito corporal. Quando sentimos determinadas emoções, ou reforçamos algum padrão de pensamento e comportamento, informações são levadas para as células, alterando toda a química do corpo. Quando contínuas, isso pode gerar sintomas e doenças.

Uma vez ouvi uma frase na palestra de Kareemi que dizia: “Todo problema ginecológico começa na dor da alma feminina”. Já foi observado e comprovado que a vagina está intimamente ligada às nossas emoções. Tudo o que ocorre nela, bem como a maneira como a tratamos reflete intimamente em como nos sentimos e vice-versa. Logo, o caminho da cura é a tomada de consciência de si, do seu corpo e de tudo que o atravessa e mobiliza.

Feminino, sexualidade e amor-próprio

De que forma você tem lidado com seu feminino, sua sexualidade e amor-próprio? Há tempos, nós mulheres perdemos uma relação e conexão saudável com o nosso feminino e a maneira de nos relacionar sexualmente. Muitos problemas nas relações e disfunções sexuais estão ligados a maneira como nos tratamos e como nos permitimos sermos tratadas. Se não houver respeito, atenção e cuidado, não há saúde.

Em nossa sociedade, somos ensinados que os homens são o ponto central e as mulheres os servem. Essa pode parecer uma ideia antiquada, porém ainda está muito enraizada em nossos comportamentos e escolhas sexuais. O próprio pornô heterossexual é voltado para o homem, no qual a mulher o serve performaticamente. O tempo do sexo é definido pelo homem, as preferências e o prazer também.

Há uma tendência de as mulheres deixarem de lado o prazer e bem-estar para suprir e dar prazer ao homem. Logo, permitimos um sexo, muitas vezes, dolorido, agressivo e submisso para não desagradar, mantendo, assim, o lugar de servir sexualmente.

Um sentimento muito comum carregado pela mulher é o de não se sentir boa o suficiente. Por consequência, ela não se sente merecedora do melhor da vida. Sentimentos como as crenças a respeito de si, de sua sexualidade e a maneira de se relacionar são causas emocionais comuns de doenças ginecológicas.

Algumas perguntas para se fazer, refletir e observar o que se passa dentro de você, muitas vezes inconscientemente:

  • Que crenças tenho a meu respeito?
  • Me sinto boa o suficiente?
  • Confio no meu corpo e na minha capacidade criativa e amorosa?
  • Me sinto segura sendo eu mesma?
  • Gosto do meu corpo e me alegro por ser mulher?
  • O que eu penso sobre sexo? Por que dói? Por que está ardendo?
  • Será que a minha relação sexual está alinhada ao meu feminino e meu prazer?
  • Que relações estou tendo?
  • Estou sendo respeitada e me respeitando?

Sobre a relação sexual em si:

  • Se você não está confortável com determinada posição sexual, você deixa e aguenta, ou você muda?
  • Se você quer usar camisinha e o homem se nega, você aceita e passa por cima do cuidado com sua saúde, ou mantém seu posicionamento?
  • Quando você não está com vontade e tesão, você diz não, ou desrespeita seu desejo para agradar?
  • Quando ele está te tocando de determinada forma que você não gosta e você quer de outro jeito, você sinaliza e mostra como quer ou se mantém em silêncio?
  • Em todos esses casos, seu parceiro costuma agir te respeitando ou te silenciando?

Precisamos estar atentas a cada uma dessas perguntas para nos mantermos fiéis a nós mesmas e respeitosas com nosso feminino e nosso corpo.

Doenças ginecológicas e as causas emocionais

Vaginismo

Neste caso, sua vagina, de alguma forma, não está querendo que nada entre ali. O que está acontecendo para que haja esse bloqueio, essa repulsa? Que padrões, sentimentos e situações estão registrados em você que a faz não querer uma penetração?

Talvez você não esteja querendo servir sexualmente a alguém, com registros físicos e emocionais, muitas vezes inconscientes, de se sentir usada. Talvez existam crenças e padrões enraizados por conta de sua história em relação ao sexo e aos homens. Outra hipótese é a possibilidade de uma questão no sistema familiar que vem se reproduzindo a cada geração. Pode ser que, com isso, você esteja carregando dores e registros inconscientes de seus antepassados.

Candidíase depois do sexo

Neste caso, algumas perguntas são importantes para serem refletidas: Estou me sentindo valorizada nessa relação? Como tenho me sentindo durante e depois do sexo? Sinto que meu prazer, meu corpo e meu feminino são respeitados? Me sinto usada e serviente ou em uma troca sexual e afetiva? O lugar que tenho ocupado nessa relação está sendo bom pra mim? Estou sendo tratada como gostaria e como mereço ser? Será que me sinto frustrada e com raiva de situações que vivenciei?

Candidíase sem relações sexuais

Como tenho vivido minha sexualidade e o contato com meu feminino? Estou com alguma frustração e raiva por alguma decisão que eu tomei? Carrego alguma culpa sexual? Me sinto merecedora do melhor da vida? Estou sendo exigente demais comigo mesma? Como tenho manifestado o amor por mim mesma e pelos outros?

Endometriose

Como está seu amor-próprio? De que maneira você se respeita e se cuida? Como é sua autoestima e autoconfiança? Você se dá valor? Como você vive sua criatividade? Como você lida com a maternidade?

O que seu corpo está lhe dizendo que você não está ouvindo?

Refletir sobre essas perguntas, trabalhando as crenças e padrões que geram a enfermidade em seu corpo, são de grande importância para o tratamento de doenças ginecológicas.

A psicoterapia corporal e a constelação familiar são duas ferramentas que auxiliam no desvendar dos pontos originais que enraizaram as crenças e questões emocionais associadas a cada disfunção ginecológica. Elas trabalham todo o conteúdo psíquico e corporal para o retorno da saúde emocional e física.

O amor-próprio e o respeito por nosso feminino fazem parte dessa cura. Fomos ensinadas que precisamos dar prazer, mesmo que deixemos nosso prazer de lado. Também fomos ensinadas que não somos boas o suficiente e que precisamos nos silenciar. Por muitos e muitos anos tem sido assim. Entretanto, não precisa ser mais. Podemos – e devemos – ter voz. Nossa voz importa. Bem como nosso corpo, nosso feminino e nosso prazer.

Foto: Visual Hunt/Realize Photo

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Luisa Restelli

Luisa Restelli

Psicóloga, Psicoterapeuta Corporal e Consteladora Familiar Sistêmica. Realiza atendimentos individuais e de casal no RJ e ministra grupos terapêuticos, workshops e palestras pelo Brasil. Saiba mais