Luisa Restelli
Por Luisa RestelliLeia em 3 min.12/03/2019 

Questões emocionais podem causar doenças ginecológicas

Seu corpo pode estar dando sinais que você não está percebendo

Você tem tido doenças ginecológicas como candidíase, vaginismo e endometriose? Qual será a questão emocional relacionada ao aparecimento desses sintomas e doenças? O corpo e a mente são indissociáveis. Somos um ser integrado em que corpo e mente estão em contínua troca e relação. Entretanto, nós tendemos a separá-los como espaços independentes.

Nada acontece no corpo que não gere um efeito emocional. Assim como nada acontece a nível emocional que não gere um efeito corporal. Quando sentimos determinadas emoções, ou reforçamos algum padrão de pensamento e comportamento, informações são levadas para as células, alterando toda a química do corpo. Quando contínuas, isso pode gerar sintomas e doenças.

Uma vez ouvi uma frase na palestra de Kareemi que dizia: “Todo problema ginecológico começa na dor da alma feminina”. Já foi observado e comprovado que a vagina está intimamente ligada às nossas emoções. Tudo o que ocorre nela, bem como a maneira como a tratamos reflete intimamente em como nos sentimos e vice-versa. Logo, o caminho da cura é a tomada de consciência de si, do seu corpo e de tudo que o atravessa e mobiliza.

Feminino, sexualidade e amor-próprio

De que forma você tem lidado com seu feminino, sua sexualidade e amor-próprio? Há tempos, nós mulheres perdemos uma relação e conexão saudável com o nosso feminino e a maneira de nos relacionar sexualmente. Muitos problemas nas relações e disfunções sexuais estão ligados a maneira como nos tratamos e como nos permitimos sermos tratadas. Se não houver respeito, atenção e cuidado, não há saúde.

Em nossa sociedade, somos ensinados que os homens são o ponto central e as mulheres os servem. Essa pode parecer uma ideia antiquada, porém ainda está muito enraizada em nossos comportamentos e escolhas sexuais. O próprio pornô heterossexual é voltado para o homem, no qual a mulher o serve performaticamente. O tempo do sexo é definido pelo homem, as preferências e o prazer também.

Há uma tendência de as mulheres deixarem de lado o prazer e bem-estar para suprir e dar prazer ao homem. Logo, permitimos um sexo, muitas vezes, dolorido, agressivo e submisso para não desagradar, mantendo, assim, o lugar de servir sexualmente.

Um sentimento muito comum carregado pela mulher é o de não se sentir boa o suficiente. Por consequência, ela não se sente merecedora do melhor da vida. Sentimentos como as crenças a respeito de si, de sua sexualidade e a maneira de se relacionar são causas emocionais comuns de doenças ginecológicas.

Algumas perguntas para se fazer, refletir e observar o que se passa dentro de você, muitas vezes inconscientemente:

  • Que crenças tenho a meu respeito?
  • Me sinto boa o suficiente?
  • Confio no meu corpo e na minha capacidade criativa e amorosa?
  • Me sinto segura sendo eu mesma?
  • Gosto do meu corpo e me alegro por ser mulher?
  • O que eu penso sobre sexo? Por que dói? Por que está ardendo?
  • Será que a minha relação sexual está alinhada ao meu feminino e meu prazer?
  • Que relações estou tendo?
  • Estou sendo respeitada e me respeitando?

Sobre a relação sexual em si:

  • Se você não está confortável com determinada posição sexual, você deixa e aguenta, ou você muda?
  • Se você quer usar camisinha e o homem se nega, você aceita e passa por cima do cuidado com sua saúde, ou mantém seu posicionamento?
  • Quando você não está com vontade e tesão, você diz não, ou desrespeita seu desejo para agradar?
  • Quando ele está te tocando de determinada forma que você não gosta e você quer de outro jeito, você sinaliza e mostra como quer ou se mantém em silêncio?
  • Em todos esses casos, seu parceiro costuma agir te respeitando ou te silenciando?

Precisamos estar atentas a cada uma dessas perguntas para nos mantermos fiéis a nós mesmas e respeitosas com nosso feminino e nosso corpo.

Doenças ginecológicas e as causas emocionais

Vaginismo

Neste caso, sua vagina, de alguma forma, não está querendo que nada entre ali. O que está acontecendo para que haja esse bloqueio, essa repulsa? Que padrões, sentimentos e situações estão registrados em você que a faz não querer uma penetração?

Talvez você não esteja querendo servir sexualmente a alguém, com registros físicos e emocionais, muitas vezes inconscientes, de se sentir usada. Talvez existam crenças e padrões enraizados por conta de sua história em relação ao sexo e aos homens. Outra hipótese é a possibilidade de uma questão no sistema familiar que vem se reproduzindo a cada geração. Pode ser que, com isso, você esteja carregando dores e registros inconscientes de seus antepassados.

Candidíase depois do sexo

Neste caso, algumas perguntas são importantes para serem refletidas: Estou me sentindo valorizada nessa relação? Como tenho me sentindo durante e depois do sexo? Sinto que meu prazer, meu corpo e meu feminino são respeitados? Me sinto usada e serviente ou em uma troca sexual e afetiva? O lugar que tenho ocupado nessa relação está sendo bom pra mim? Estou sendo tratada como gostaria e como mereço ser? Será que me sinto frustrada e com raiva de situações que vivenciei?

Candidíase sem relações sexuais

Como tenho vivido minha sexualidade e o contato com meu feminino? Estou com alguma frustração e raiva por alguma decisão que eu tomei? Carrego alguma culpa sexual? Me sinto merecedora do melhor da vida? Estou sendo exigente demais comigo mesma? Como tenho manifestado o amor por mim mesma e pelos outros?

Endometriose

Como está seu amor-próprio? De que maneira você se respeita e se cuida? Como é sua autoestima e autoconfiança? Você se dá valor? Como você vive sua criatividade? Como você lida com a maternidade?

O que seu corpo está lhe dizendo que você não está ouvindo?

Refletir sobre essas perguntas, trabalhando as crenças e padrões que geram a enfermidade em seu corpo, são de grande importância para o tratamento de doenças ginecológicas.

A psicoterapia corporal e a constelação familiar são duas ferramentas que auxiliam no desvendar dos pontos originais que enraizaram as crenças e questões emocionais associadas a cada disfunção ginecológica. Elas trabalham todo o conteúdo psíquico e corporal para o retorno da saúde emocional e física.

O amor-próprio e o respeito por nosso feminino fazem parte dessa cura. Fomos ensinadas que precisamos dar prazer, mesmo que deixemos nosso prazer de lado. Também fomos ensinadas que não somos boas o suficiente e que precisamos nos silenciar. Por muitos e muitos anos tem sido assim. Entretanto, não precisa ser mais. Podemos – e devemos – ter voz. Nossa voz importa. Bem como nosso corpo, nosso feminino e nosso prazer.

Foto: Visual Hunt/Realize Photo

Luisa Restelli

Luisa Restelli

Psicóloga, Psicoterapeuta Corporal e Consteladora Familiar Sistêmica. Realiza atendimentos individuais e de casal no RJ e ministra grupos terapêuticos, workshops e palestras pelo Brasil.