Luiza Camargo Mendes

Que fome! Estímulos sonoros podem aumentar vontade de comer

Entenda com o Mindful Eating sobre as fomes do tato e do ouvido

O barulho de pipoca estourando ou a sensação de segurar um sanduíche nas mãos despertam sua fome? Entenda os motivos e aprenda a aplicar a atenção plena ao comer.

Que fome! Estímulos sonoros podem aumentar vontade de comer

O que vem à sua cabeça quando vê a expressão “fome dos ouvidos”? Saiba que esta fome influencia mais do que você imagina! Pode ser estimulada com sons que produzimos ao comer, como a mastigação e os talheres no prato, principalmente quando comemos em grupo. Sabe quando vem aquele pensamento “que fome!”? Observar os estímulos do corpo ajudam a entender melhor a sua vontade de comer. 

Pense quando você resolve comer um biscoito e está murcho. A validade e o gosto podem estar em dia, mas sem o barulho crocante na mordida, desanimamos e desistimos de comer. Os ouvidos estão sempre alertas e percebendo a influência de cada som. 

Assim, também podem despertar a fome dos ouvidos a crocância dos alimentos, o som de um “pacotinho” sendo aberto quando está um silêncio no ambiente, ou mesmo ouvir sobre uma receita na TV e um amigo contando sobre o que comeu ou qual comida preparou.

Além disso, o “tim-tim” das taças se tocando no brinde e os barulhos vindos da cozinha próximo ao horário de uma refeição também são notados pelos ouvidos. Muitos estímulos estão associados a mais de uma fome, como os programas de televisão que exploram os olhos e os ouvidos, e a pipoca no cinema, que estimula as fomes do nariz e os ouvidos. Trocar receitas com os amigos provoca os ouvidos e os olhos ao imaginar aquele prato.


Tipos de fome: como a fome dos ouvidos te influencia?

Você consegue perceber como o som dos alimentos estimulam você a comer? Na próxima refeição, fique atento aos sons presentes. Note as escolhas que coloca no seu prato. Dependendo da textura do alimento, este terá um som diferente, como a cenoura crua ou cozida. O interessante é começar a notar como cada tipo de fome te afeta.

Pense no seguinte: o que você nota no seu corpo, na mente e nas emoções quando está diante do impulso de comer? Isso auxilia a “colocar os pingos nos ‘is’” e escolher qual direção tomar. Quanto mais você começar a perceber os diferentes estímulos, menos chance terá de ser tomado pela fome e comer sem pensar, no automático.

Tipos de fome: fome do tato

Como é para você notar os alimentos em suas mãos? O que gosta de comer com as mãos? Este tipo de fome é menos comum no Ocidente, pois não temos o hábito de comer com as mãos, usamos mais os talheres. Outras culturas exploram mais a fome do tato.

As crianças também, já que costumam comer com as mãos, principalmente quando são estimuladas a isso. Com as mãos elas vão conhecendo os alimentos. No entanto, depois de certa idade, os talheres ganham importância e deixamos de usar as mãos. Tenho uma filha pequena e vejo como ela adora explorar a comida com as mãos, ver o caldinho escorrer pelo braço, a fruta melada escorregar e se lambuzar toda.

Algumas comidas são uma delícia de comer usando as mãos! Do que você lembra? Pipoca, hambúrguer, frutas e sanduíches, de forma geral, são bons de se comer com as mãos. Também usamos as mãos para saber se estão no ponto de comer, uma roda de petiscos, churrasco.

O tato é muito explorado quando estamos preparando os alimentos. As mãos acabam sendo utensílios de cozinha, seja para misturar, saber o ponto da massa, fazer bolinhas ou arrumar e decorar os pratos.

Mindful eating com tato e ouvido: vamos praticar?

Separe um tempo e defina um local para sua prática. Escolha um alimento que você costuma comer com as mãos, pode ser uma fruta, por exemplo. Comece explorando o tato. Pode ser interessante fechar os olhos para notar mais intensamente as sensações. Perceba como é a textura, mais macia ou dura, áspera ou lisa, o formato do alimento, se é pegajoso.

Comece a notar o que desperta em você ao explorar o alimento. Quando quiser comer, aproveite as fomes que já exploramos anteriormente e observe com seus olhos, sinta os aromas do alimento escolhido e note os sons que existem ao mastigar. E, finalmente, claro, saboreie cada pedaço. Boas práticas!

 

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Luiza Camargo Mendes

Luiza Camargo Mendes

Nutricionista, instrutora de Mindfulness, praticante de Meditação e Yoga, que encontrou no Mindful Eating um grande significado para sua atuação. Saiba mais