Roberta Struzani
Por Roberta StruzaniLeia em 5 min.06/10/2016 

Pompoarismo trata e previne incontinência urinária

Descubra causas do problema e aprenda 4 exercícios simples

Incontinência urinária é a incapacidade de conter a urina, seja tossindo, rindo, correndo ou simplesmente não conseguindo chegar ao banheiro. Mesmo que você tenha perdido urina apenas uma única vez, de forma involuntária, isso já é considerado incontinência. O problema deve ser tratado o quanto antes, para não se agravar – o que pode acontecer especialmente em casos de estresse, gravidez ou infecções urinárias.

Incontinência urinária é mais comum do que pensamos

Como funciona o sistema urinário?

Os rins produzem constantemente urina, que por sua vez é armazenada na bexiga. Logo abaixo deste órgão, um músculo circunda a uretra e permanece contraído para que não se perca urina. Assim, até que a bexiga se encha, a urina continuará dentro dela. Quando cheia, os neurônios ali localizados são estimulados e este comando é enviado para o cérebro, que sinaliza a vontade de urinar. É nesse momento que o músculo age, se contraindo o suficiente para impedir que a urina vaze; ou relaxando, permitindo que a urina saia pela uretra.

Ou seja, o natural é que a pessoa decida se quer urinar, contraindo ou relaxando esse músculo. Quando ele não tem força suficiente para obedecer esses comandos, a pessoa libera urina de forma involuntária – o que caracteriza a incontinência urinária.

A incidência do problema tende a aumentar com a idade, no entanto, pode aparecer até mesmo em jovens. Apesar de ocorrer em ambos os sexos, a incontinência acomete principalmente as mulheres mais velhas – pela queda de estrogênio do corpo, que ocorre com a proximidade da menopausa, e também pelo enfraquecimento do músculo do assoalho pélvico (MAP), tão importante para conter a urina.

Estima-se que mais de 8 milhões de brasileiros tenham incontinência urinária, e a cada três idosos, um sofre desse mal. Após os 60 anos mais de 50% das pessoas passam a não ter mais controle da urina, já que nunca trabalharam a MAP. Nas mulheres, o problema também aparece por conta da baixa de estrogênio, gestação e partos.

Problema causa vergonha e privação

As pessoas que sofrem desse mal se privam de contatos sociais por vergonha e evitam sair de casa com muita frequência, pelo medo de passarem por constrangimentos em público, ao se molharem de urina. Muitas vezes também acabam bebendo menos água, pelo mesmo motivo, o que pode aumentar as chances de complicações de saúde.

Tipos de Incontinência Urinária

Incontinência urinária por esforço: é quando a perda de urina ocorre em pequenos jatos por pressão abdominal, ao tossir, sorrir, correr, espirrar ou fazer algum esforço físico.

Incontinência urinária de urgência: é a incapacidade de postergar a micção até que seja apropriado urinar, perdendo parte da urina até chegar ao banheiro.

Incontinência por transbordamento: acontece quando há acúmulo de urina na bexiga, tornando o esfíncter incapaz de contê-la, ocasionando o escape intermitente. Em alguns casos, o indivíduo nem chega a sentir a bexiga cheia.

Incontinência total: é o escape contínuo de urina, quando o esfíncter não tem nenhuma capacidade de se contrair.

Incontinência mista: é a combinação de mais de um tipo de incontinência.

Causas e doenças que levam à incontinência urinária

Infecção de Urina/ Vagina/ Candidíase: neste caso, pode existir uma incapacidade de conter a urina, mas o problema costuma cessar assim que a infecção é tratada. Sendo assim, é uma incontinência urinária transitória.

Medicamentos: alguns remédios podem ter como efeito colateral a incontinência urinaria, como o “Cloridrato de Tramadol”, analgésico usado para dores intensas e moderada. A radioterapia também pode afetar todo trato urinário, bexiga e uretra.

Constipação intestinal: quando muito grave, a constipação intestinal pode afetar a contração do esfíncter.

Bexiga hiperativa: trata-se da incapacidade da bexiga de armazenar urina. Nesta síndrome, uma dose pequena de urina já ativa os neurônios da bexiga, que enviam o impulso neural ao cérebro, fazendo com que o indivíduo vá com mais frequência ao banheiro urinar, até mesmo durante a noite. Pode estar associado ou não à incontinência urinaria. Mas quando também há incontinência, ela costuma acontecer durante a noite, no sono. Quando a causa deste problema é vesical (ou seja, o problema não é do músculo, mas sim da bexiga), é diagnosticado através de exames médicos, como, por exemplo, o teste urodinâmico.

Fraqueza muscular: quando a musculatura que sustenta a bexiga está fraca, causando queda da bexiga (prolapso genital) e fraqueza do músculo esfincteriano que circunda a uretra, impossibilitando que ele contenha essa urina.

Doenças neurológicas: quando o sistema nervoso central fica comprometido, impossibilitando o sistema urinário de receber os estímulos vesicais e/ou musculares, tais como lesões da medula, doenças congênitas, acidente vascular encefálico, esclerose múltipla, poliomielite, distrofia muscular.

Tratamentos para incontinência urinária

Em casos vesicais (quando o problema não é do músculo, mas sim na bexiga), o tratamento será medicamentoso ou cirúrgico. No entanto, em casos musculares quem age é o profissional fisioterapeuta ginecológico, avaliando e tratando o paciente de acordo com seu caso. A incontinência urinária também pode ser tratada e prevenida por meio de exercícios de pompoarismo.

Os 4 exercícios devem ser feitos diariamente ou pelo menos cinco vezes na semana, em todas as posições, como mostram as fotos abaixo, até que não haja mais incontinência. Se após um mês inteiro de treino os sintomas persistirem, procure um fisioterapeuta ginecológico para corrigir essa alteração.

  1. Contraia a musculatura do assoalho pélvico o mais forte que conseguir (como se estivesse segurando a urina). Depois, relaxe por 10 vezes seguidas. Dê um intervalo de cerca de um minuto e repita o exercício mais duas vezes. Faça este exercício em todas as posições mostradas, nas duas fotos.
  2. Em todas as posições, das duas fotos, contraia a musculatura do assoalho pélvico e relaxe inúmeras vezes seguidas o mais rápido que conseguir, pelo maior tempo que conseguir.
  3. Mantenha a musculatura do assoalho pélvico contraída, como se estivesse segurando o xixi, e mantenha essa sustentação pelo maior tempo que conseguir. Cronometre para acompanhar sua evolução ao longo dos dias. Faça o exercício em todas as posições mostradas nas fotos.
  4. Visualize uma bolinha na sua genital. Então, com a contração desta região, imagine que você a suga para dentro da vagina e que, conforme vai contraindo-a, a bola vai subindo. Depois, faça o mesmo exercício imaginando que ela está descendo, relaxando suas musculatura. Por fim, expulse a bolinha para fora, forçando a musculatura, como se fosse evacuar. Faça isso em todas as posições mostradas nas fotos.

 

Roberta Struzani

Roberta Struzani

Terapeuta especializada em sexualidade e saúde ginecológica. Realiza atendimentos presenciais e online focados no autoconhecimento, na elevação da autoestima e na saúde do aparelho reprodutor feminino. Sua principal ferramenta de trabalho é o Pompoarismo.