Joanita Molina
Por Joanita MolinaLeia em 4 min.02/08/2017 

Equinócio de primavera: hora de se despedir das dificuldades

Ritual de Ostara, feito nesta data, abre espaço para alegria e renovação

O Equinócio de Primavera era chamado pelos celtas de “Rito de Ostara” – um ritual de fertilidade que celebra o redespertar da vida na Terra. É celebrado entre os dias 20 e 24 de setembro, quando esta estação do ano começa no hemisfério sul. Para os que habitam nesta parte do mundo, é o momento de perfeito equilíbrio, no qual as sementes devem ser plantadas para que a vida possa florescer com intensidade.

O que é Equinócio de Primavera?

A palavra equinócio vem do latim aequus (igual) e nox (noite), e significa “noites iguais”. Nesta ocasião, o dia e a noite têm igualmente 12 horas de duração. Esse é um momento de equilíbrio perfeito entre as energias do sol e lua, dia e noite, masculino e feminino, yin e yang. Equinócio é definido como o instante em que o Sol, em sua órbita, como vista da Terra, cruza o equador celeste. O Equinócio de Primavera, também conhecido como Ponto Vernal, consiste no momento em que o Sol atravessa o Equador de sul para norte.

No hemisfério sul, (onde estamos localizados – no Brasil), este fenômeno ocorre entre os dias 20 e 24 de setembro. No Equinócio, ambos os hemisférios da Terra encontram-se igualmente iluminados pelo Sol. A partir dele, os dias começam a ficar mais longos e a temperatura do ar e dos oceanos cada vez mais quente.

É, ainda, hora de deixar as dificuldades irem embora com o inverno e semear a alegria e a harmonia com a chegada da primavera. É um momento de equilíbrio, cura, esperança e renovação.

Este ritual de equilíbrio, harmonia, beleza e alegria também é conhecido como “Sabbat do Equinócio Vernal”, “Festival das Árvores”, “Festa das Flores”, “Alban Eilir” e “Rito de Eostre”. É uma época em que ocorre o florescimento de várias espécies de plantas e, na agricultura, é o período indicado para as sementes serem plantadas, iniciando seu processo de crescimento.

Na roda da vida celta, existem 8 rituais sagrados de luz durante o ano, sendo que cada um deles conecta com uma energia especifica e diferente da Mãe Terra. São eles:

Ritual simboliza união e igualdade

A Deusa invocada e reverenciada nesse ritual é Ostara, a “Deusa da Aurora”, conhecida também como Eostre, Ostera e Jair. Ela simboliza a fertilidade na mitologia anglo-saxã, nórdica, celta e germânica. É a Deusa da ressurreição, da fertilidade, do renascimento e da primavera. Como nesta estação do ano os animais voltam suas atividades ao ar livre, Eostre está intimamente ligada à liberdade e ao fluxo de energia. Seus símbolos mais conhecidos são a lebre e os ovos. Nesta época do ano também é reverenciada a Deusa das Plantas e o Senhor das Matas.

O “Rito de Ostara” simboliza o equilíbrio entre a energia do Deus (que pode ser representado pelo Sol) e da Deusa (que pode ser representada pela Lua). Este equinócio é um momento de união e igualdade entre essas duas simbologias, pois é um período de equanimidade e equilíbrio entre as forças da natureza. Isso indica que é o momento ideal para fortalecer a energia de complementariedade entre os opostos.

No Rito, o Deus é representado em seu período de puberdade, cheio de energia e bastante disposto. Esta energia é traduzida no crescer das plantas e na atividade dos animais. Já a Deusa é representada em sua fase donzela, também cheia de energia e de vida. Ela simboliza a fertilidade do solo que está pronto para acolher e germinar as sementes.

Símbolos de Ostara: flores, leite, lebre e ovos

Neste dia sagrado, era costume antigo dos sacerdotes e druidas colher orvalho e acender fogueiras ao nascer do sol. Na tradição, as fogueiras de Ostara eram acesas no alto das montanhas, pois acreditava-se que dessa forma seriam mais facilmente abençoadas pelo sol e que a luz criada por elas tornariam a terra fértil.

Os símbolos mais clássicos de Ostara são: as flores, o leite, a lebre e os ovos coloridos. Estes últimos são símbolos da fertilidade e da reprodução. No “Rito de Ostara”, os ovos eram pintados com vários desenhos, cores e símbolos mágicos, para depois serem colocados no altar de celebração. No final, eram lançados ao fogo ou enterrados como oferendas à Deusa em árvores ou vasos. Em certas partes do mundo era tradição pintar os ovos de amarelo ou dourado, pois são cores solares sagradas. Estes mesmos ovos eram utilizados em rituais para honrar os Deuses e as Deusas do Sol.

Já o leite representa a nutrição da Deusa, o alimento necessário para o desenvolvimento da vida. A lebre ou coelho é o animal sagrado que simboliza a fertilidade da Deusa e da natureza, pois levam um período de 28 dias para gestarem e darem à luz. Na cultura celta, 28 é um numero mágico, porque esta é a duração do ciclo de uma lunação. Por último, as flores representam o ressurgimento da vida e a beleza da natureza. No Equinócio de Primavera é indicado colher flores e enfeitar os espaços sagrados e altares com elas.

Também são costumes do “Rito de Ostara”: fazer oferendas de pão e bolo para a deusa, colocando-os no altar e depois na natureza; fazer oferendas para os elementais, agradecendo pela beleza da primavera; plantar árvores e flores; consagrar o jardim, etc. Os alimentos desse ritual são: ovos, leite e todos os seus derivados, mel, bolos, frutas da estação e flores comestíveis.

Rito de Ostara trabalha renovação, fertilidade e alegria

A cada ano o Ritual de Ostara trabalha energias específicas que estão ligadas às configurações do momento e às energias atuantes em cada ano. Dentro da energia que está sendo emanada em determinado período, alguns costumes e feitios mágicos são mais enfatizados para acessar e integrar a energia desse ritual.

Porém, em todos os seus aspectos, esse ritual de luz traz sempre o trabalho com a consciência da fertilidade, alegria, esperança, renovação, harmonia e equilíbrio. É o momento de agradecer e celebrar a beleza da vida, da natureza e da mãe-terra.

esse ritual de luz traz sempre o trabalho com a consciência da fertilidade, alegria, esperança, renovação, harmonia e equilíbrio. É o momento de agradecer e celebrar a beleza da vida, da natureza e da mãe-terra.

Vale lembrar que para acessar e integrar perfeitamente as energias desse ritual é importante que o “Rito de Ostara” seja guiado por um sacerdote ou sacerdotisa iniciado de alto grau. O sacerdote é um líder espiritual que tem a devida formação e conhecimentos para realizar a ritualística de forma que a mesma seja totalmente firmada no positivo e trabalhada de forma correta, completa e integrada, sem deixar margem para negatividade. Além disso, é necessário um líder devidamente qualificado para saber interpretar e direcionar o que deve ser trabalhado em cada ano nesse ritual.

Sendo feito de forma correta e integrada, esse ritual mágico traz um grande benefício para o indivíduo, promovendo uma profunda renovação, consagração, cura e harmonização. É um momento de contato profundo com a Terra, com os seres da natureza e com o poder de fertilizar e criar vida em todos os aspectos e sentidos. Participar de um “Rito de Ostara” é um momento mágico e muito especial, que abre as portas para um grande despertar espiritual e inicial.

Joanita Molina

Joanita Molina

Mestra ascensa, líder espiritual e sacerdotisa de magia ascensional. Realiza os 8 rituais de luz do ano e 9 festivais de luz de gaya.