Equipe Personare
Por Equipe PersonareLeia em 3 min.22/06/2018 

Danças circulares, Yoga Dance e Dançaterapia

Conheça três terapias ligadas à expressão corporal que promovem transformações internas

A dança é uma das expressões mais antigas da humanidade. Diversos povos pelo mundo têm em sua história um registro ligado à movimentação corporal e associado a rituais sagrados e místicos. Hoje é possível encontrar algumas vivências terapêuticas que associam filosofias à dança e são ferramentas para o autoconhecimento, como o Yoga Dance, as Danças Circulares e a Dançaterapia. As três práticas fazem parte da programação da sexta edição do Festival Ilumina, que será realizado na Chapada dos Veadeiros, em julho.

YOGA DANCE

Fernanda Cunha é cocriadora e facilitadora do método, que busca a integração com sua própria alma, através do corpo e seus movimentos.  A inspiração surgiu de uma profunda pesquisa sobre a vida e a natureza do ser. “Desde criança sempre me conectei muito à dança, mas nunca consegui me encaixar em nenhuma técnica específica. Ela sempre me preencheu de uma forma inexplicável”, recorda. “Quando conheci o Yoga, entendi a dança e também essa conexão como uma forma de estar em comunhão com o todo e com o Divino dentro de mim, como a definição da própria palavra Yoga”.

Fernanda estudou Yoga com professores de diversos estilos, praticou meditação, tai chi, capoeira e outras formas de práticas corporais. Também conheceu técnicas no exterior como let your yogadance, journey dance e shake your soul. “Quando voltei para o Brasil, iniciei meus estudos em música e como ela influencia nosso corpo, mente e comportamento. Dessa alquimia de diversos estudos de Yoga, meditação, música e filosofia nasceu o Yoga Dance”.

A dança como ferramenta de autoconhecimento

“Nosso corpo é um templo e tem memória, inteligência, poder de autocura e adaptabilidade incríveis. Ele na verdade já sabe tudo, nós só precisamos sair da frente com nossos medos, julgamentos e padrões limitados que ele nos revelará. Mas para isso acontecer precisamos realmente sair da frente e desconstruir tudo o que não somos para que o que realmente somos seja revelado e expressado. Temos muitos medos, como não dançar direito e o que os outros vão pensar. A dança não tem nada a ver com isso, ela é a expressão única de cada um e não pode ser padronizada. Quando dançamos com consciência, a presença de dentro para fora – que é a proposta do Yoga Dance, liberamos muita energia que fica estagnada no corpo em forma de tensão e aí  trazemos material do inconsciente para o consciente onde é possível ressignificar e se desidentificar com as histórias que criam essas tensões no corpo”. Fernanda Cunha

Dica da terapeuta

Coloque uma música que você se conecte, feche seus olhos e deixe seu corpo lhe mostrar a dança. Permita que sua presença lhe guie e apenas siga seus instintos, seus movimentos, e qualquer outra sensação. Aulas gratuitas de Yoga Dance e Yoga estão disponíveis neste link.

DANÇAS CIRCULARES

Especializada em Danças Circulares Sagradas e dos Povos há mais de 10 anos, Manoela Barroso resgata sabedorias ancestrais de várias tradições do mundo.  Na prática, realizada em grupo, o participante tem a oportunidade de expressar seus medos, sentimentos e angústias. A dança circular trabalha o autocontrole e a consciência corporal.

Em 2011, Manoela teve o primeiro contato com o movimento mundial das danças circulares em um Encontro de Educação e Espiritualidade no Rio Grande do Sul.  “Percebi algo que movimentava as pessoas para recuperar esses saberes e ritos de dançarmos juntos, com um propósito maior. Havia uma beleza imensa ali. Foi um lugar de vínculo entre a busca da minha alma e essa prática”, relembra. O encontro deixou claro que havia ali uma de suas missões: potencializar a dança circular como algo que pertence à alma. “Toda nossa ancestralidade dançava, e ritualizava, em círculo. Está em nosso sangue”.

 Encontrando seu próprio lugar no mundo

“As danças circulares sempre estiveram presentes na história da humanidade e fazem parte da nossa sabedoria ancestral. Os povos sempre dançaram para celebrar as estações, os plantios, as colheitas e os ciclos da vida, como os nascimentos e mortes. A roda de dança evoca esse símbolo ancestral de união e celebração por um propósito comum. Coletivamente, realizar rodas de danças como rituais sagrados abre as portas para a consciência coletiva e de que estamos seguindo caminhos que foram abertos pelos que chegaram antes de nós. Elas são danças que unem nossos povos e dão força às nossas próprias comunidades. Individualmente nos convidam a perceber nosso lugar e nossa postura no mundo, quem somos perante o outro, perante o nosso meio, enaltecendo o sentimento de pertencimento à algo maior. Cada dança traz um aprofundamento em si diferente, por vezes nos desmascarando e nos conduzindo à nossa verdade, à nossa essência; por vezes potencializando nossos dons, nos conduzindo ao silêncio e ao reconhecimento da nossa música interna (vibração)”. Manoela Barroso

Dica da terapeuta

Coloque uma música e dance. Experimente canções dos povos originários, e dance. Perceba como se sente. O que sua alma sente. Se perceba na dança, sua vergonha, seus medos, aflições, e perceba que há um todo te convidando a dançar, uma ancestralidade que sempre dançou, uma vida que honra sua dança.

DANÇATERAPIA

A Dançaterapia é um caminho de reapropriação da linguagem corporal através de estímulos criativos, buscando despertar a consciência. As pessoas que praticam frequentemente voltam a se sentir, reconhecem o próprio corpo. Pio Campo dirige o Centro Internacional de Dançaterapia Maria Fux no Brasil, Itália e Índia. Sua trajetória teve início quando conheceu sua Mestra, Maria Fux.  “Ela me iniciou nessa arte de dançar a vida. Desde então, em 27 anos de estudo e dedicação, minha missão se tornou espalhar este método de dança que, primeiramente, curou a mim mesmo”, recorda. “A Dançaterapia é um caminho de volta ao corpo. É a capacidade que temos de criar e falar através do movimento. A possibilidade de sentir, expressar emoções e sentimentos”, conclui.

 O poder de cura da dança

“Para mim autoconhecimento é relembrar a nossa verdadeira identidade: somos criadores! Um corpo que se move a partir da consciência de que cada gesto muda não unicamente a forma do nosso corpo, mas também a energia do lugar onde estamos. É sem dúvida uma ferramenta concreta para assumir o poder que nos atravessa. O poder da criação.” Pio Campo

Dica do especialista

Acredite mais em si mesmo, pare de se julgar o tempo todo, se perdoe sempre. Essas atitudes descongelam a inércia. Sentar com mais frequência aos pés de uma árvore e aprender como a dança naturalmente acontece, pela ação do vento, do tempo, da respiração.

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Nós, da equipe Personare, também estamos em um processo constante de conhecimento sobre nós mesmos, sobre o mundo e sobre as relações humanas.