Amor em arcanos: o que o Tarot revela sobre encontrar um amor
Conheça a Tríade do Amor no Tarot e descubra como as cartas guiam nossos caminhos afetivos neste Dia dos Namorados
Por Zoe de Camaris
O amor permeia nossas vidas todos os dias, pela falta ou pela presença. Às vésperas do Dia dos Namorados, é natural olhar para o futuro e se perguntar: vou encontrar um amor? Para iluminar essa busca, o Tarot abre espaço para o diálogo com a nossa alma.
O amor é um mistério. Não se sabe de onde vem, nem porque vem. Podemos senti-lo, quase tocá-lo, mas sendo um sentimento, é do plano abstrato. É o motor do mundo, a força que organiza a vida na Terra. Não há ser humano que não o conheça: é a veia que vivifica a vida, o que lhe dá sentido.
E quais caminhos esse mistério pode tomar? O Tarot nos dá algumas pistas através dos seus arcanos.
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A Tríade do Amor
O Tarot nos dá algumas pistas. Três arcanos formam o que se pode chamar de Tríade do Amor: O Enamorado, A Temperança e O Sol. São três faces do amor que se interconectam, sensíveis umas às outras, atuando em conjunto.
Cada uma carrega um ingrediente sem o qual as outras perdem sustentação: a atração, o companheirismo, a amizade.
Analisá-las separadamente serve para compreender melhor cada dimensão. Depois de conhecido, é recomendável que tudo seja colocado novamente no caldeirão.
O Enamorado
No Tarot, o primeiro encontro dos amantes está representado no sexto arcano, O Enamorado, carta também chamada de Os Amantes.
É a atração, a sintonia pressentida, o amor à primeira vista, o coup de foudre: o golpe do raio. O arrebatamento, a paixão, o desejo que inflama e toma o corpo e os pensamentos. O reconhecimento inicial. Os jogos de sedução, a dança do acasalamento.
O Enamorado fala do início, de surpresas. A ligação está se dando, repleta de encantamento e esperança. A flecha de Cupido acabou de tocar seu coração.
Sem essa cola, sem esse fogo que acende o interesse pelo outro, nenhuma história de amor realmente começa. O casal ainda não conhece a fusão, a mistura, com suas dores e delícias — mas foi a atração que os colocou no mesmo lugar.
A Temperança
Temperar — de onde vem a palavra Temperança — é uma obra de exatidão. De uma precisão plástica, movente, em andamento, em eterna moldagem: o preparo.
Temperar acontece no tempo. Fala de demora. O ato de equilibrar-se por dentro sendo espelhado por fora, proporcionalmente. Se você cozinha, conhece a arte das reações químicas, das mais simples às inusitadas.
É possível suavizar. É possível apimentar. A avaliação é ditada pela intuição de quem adquiriu o controle interno das sensações: o calor que protege, o frio que acalma.
É também na Temperança que as relações se partem, como uma comida que deveria ser gostosa, mas passou do ponto ou foi servida crua. Na sutil arte da mistura, faltaram elementos necessários, ou ainda, a calma daquela que, delicadamente, transforma pedra em ouro.
O anjo da Temperança rege os processos de envolvimento, o orvalho interno, a intimidade que se estabelece. É a fusão dos humores, os acertos, a equalização do relacionamento.
É aqui que nasce o companheirismo, a disposição de estar junto no dia ordinário, nas pequenas negociações, no ajuste contínuo da convivência. O anjo trabalha com o que a vida tem de mais miúdo: verte seiva em seiva, incorpora, envolve.
Se a Temperança é traduzida apenas por moderação, seus efeitos podem ser desalentadores. O anjo refreia os apetites a tal ponto que o tempero desaparece. O cuidado com a relação é o cuidado em manter a temperatura correta. Cada casal irá chegar a ela, ou não.
O Sol
O Sol aparece quando a confiança está instalada. É o desfrute, a bênção, o mel do amor.
A confiança é o que transforma companheirismo em amizade, e é a amizade, mais do que qualquer outra coisa, o que o Sol ilumina. Amigos se conhecem. Não há medo da repulsa, os gestos são espontâneos, não há nada para esconder. É O Enamorado numa oitava maior, com a inocência recuperada.
Há dois modos de chegar na qualidade “Sol” de uma relação. O primeiro é o trabalho acumulado: a atração do Enamorado atravessada pela alquimia longa da Temperança, até que a confiança se instale e a amizade floresça.
O segundo dispensa esse percurso, é o reconhecimento imediato, a certeza que não precisa de tempo.
O que o Tarot de Marselha oferece para esse estado é a imagem dos dois gêmeos nus sob o sol, protegidos pelo muro sagrado, o témenos, o recinto onde o que está dentro tem outra natureza. Expostos e resguardados ao mesmo tempo.
Em qualquer dos dois caminhos, o que o Sol nomeia é o mesmo: atração, companheirismo e amizade presentes simultaneamente. É raro. É o ponto em que a relação chegou ao que pode ser.
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Conclusão
Talvez seja por isso que voltamos ao Tarot quando o assunto é amor. As cartas nomeiam o que já sentimos e ainda não sabemos dizer.
A Tríade existe em nós antes de existir numa relação: reconhecemos uma atração intensa quando ela acontece e sabemos quando ela não existe.
Identificamos o valor do companheirismo, o que aparece nas situações que pedem presença de verdade, e sentimos quando a amizade brilha ou quando ainda não chegou.
O Tarot Direto, no Dia dos Namorados, abre espaço para a pergunta que muitos carregam em silêncio:
Vou encontrar um amor?
Descubra o que os arcanos reservam para você: se você quer respostas personalizadas e diretas para o seu momento afetivo neste Dia dos Namorados, experimente o Tarot Direto e jogue uma carta para iluminar os caminhos do seu coração.
Taróloga há mais de três décadas e especialista em História Social da Linguagem (UFOP), é pesquisadora do imaginário simbólico e escritora. Autora do Tarot Direto Personare. Suas consultas auxiliam na compreensão de caminhos, no reconhecimento de ciclos e na tomada de decisões mais acertadas através do Tarot.
Saiba mais sobre mim- Contato: zoedecamaris@gmail.com
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