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Max Tovar: quem é a mentora da Anitta e como ela muda padrões

Em papo exclusivo sobre autoconhecimento e desaceleração, Max Tovar revela detalhes do seu método e conta da experiência na Vila Equilibrivm

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Max Tovar é cosmoterapeuta, terapeuta integrativa e criadora do Mapa Gestacional, método que investiga como o período de gestação organiza padrões de comportamento na vida adulta. Mineira, ela atua há mais de trinta anos e ficou conhecida do grande público como mentora espiritual da Anitta, que a procurou em 2022.

Em agosto de 2026, ela está entre as terapeutas que conduzem vivências e palestras na Vila Equilibrivm, o espaço de bem-estar que abre os shows da nova turnê de Anitta em cinco cidades brasileiras.

Nesta entrevista exclusiva ao Personare, Max explica como funciona o método que desenvolveu, o que ele tem em comum com a leitura de um Mapa Astral e qual é a prática de auto-observação que qualquer pessoa pode começar a fazer ainda hoje, sem acompanhamento.

Max Tovar e Anitta lançam o livro Musculatura da Alma
Max Tovar e Anitta no lançamento do livro Musculatura da Alma

Entrevista exclusiva com Max Tovar

A busca da Anitta pelo seu trabalho em 2022 marcou o início de uma guinada pública rumo à desaceleração e ao equilíbrio. O que a exposição massiva e o julgamento alheio podem fazer com uma pessoa que está no meio de uma transformação interna tão profunda?

“Quando uma pessoa começa a mudar por dentro, o mundo ao redor nem sempre reconhece aquela mudança imediatamente. E, quando essa pessoa é pública, existe uma dificuldade ainda maior: as pessoas se acostumam com uma versão sua e passam a cobrar que você continue sendo aquela versão.

Eu costumo dizer que o julgamento externo é muitas vezes a tentativa do outro de devolver você para a identidade que ele conhece. Só que transformação verdadeira exige coragem para decepcionar expectativas.

Quando alguém passa anos funcionando em alta velocidade, produzindo, entregando, respondendo, agradando e performando, desacelerar pode parecer, para quem olha de fora, fraqueza, mudança de personalidade ou até perda de potência. Mas não é. É uma reorganização interna.

O grande desafio é aprender a não confundir aprovação com pertencimento. Porque, quando você começa a viver de acordo com aquilo que realmente faz sentido para você, algumas pessoas vão sentir falta da pessoa que você deixou de ser. E isso faz parte do processo.”

Você costuma conceituar o processo terapêutico como uma libertação da mente, e não como controle. Na prática, como funciona um acompanhamento com alguém sob extrema pressão externa, que precisa desmontar padrões de anos para reaprender a viver no próprio ritmo?

“Eu não trabalho para ensinar uma pessoa a controlar a mente. Eu trabalho para ela perceber quem está dirigindo a própria vida.

Porque muitas vezes a pessoa chega dizendo: ‘Eu não consigo parar’. Mas, quando começamos a investigar, descobrimos que não é simplesmente falta de descanso. Existe um padrão por trás daquela aceleração. A pessoa aprendeu que precisava produzir para merecer, agradar para pertencer, controlar para se sentir segura ou estar sempre disponível para não perder alguma coisa.

Então o trabalho começa pela observação. Eu não quero simplesmente tirar um comportamento. Quero encontrar a inteligência que está por trás daquele comportamento.

No Método Max Tovar, trabalhamos com quatro grandes potências, mental, emocional, ação e concretização, e com as doze inteligências que se manifestam dentro delas. Quando essas forças estão desalinhadas, a pessoa pode ter muita capacidade e, ainda assim, viver em repetição.

O processo terapêutico é devolver escolha. Porque liberdade não é fazer tudo o que você quer. Liberdade é deixar de fazer automaticamente aquilo que você não escolheu.”

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O público vê os resultados da mudança da Anitta nos palcos e entrevistas, mas o trabalho acontece na rotina diária. Qual é a principal prática de auto-observação do seu método que qualquer pessoa pode começar a praticar?

“A prática mais simples é aprender a se observar antes de se corrigir. A maioria das pessoas percebe o comportamento e imediatamente tenta mudar. Eu proponho uma pergunta anterior: o que está acontecendo dentro de mim antes de eu fazer aquilo que sempre faço?

Observe o pensamento. Observe a emoção. Observe o impulso de agir. E depois observe o que você faz com tudo isso. É aí que começamos a encontrar o padrão invisível.

Por exemplo: alguém recebe uma mensagem e sente imediatamente que precisa responder. Antes de responder, pode existir ansiedade, medo de desagradar, necessidade de controle ou sensação de dívida. A mensagem é apenas o gatilho. O verdadeiro conteúdo está dentro.

Então, para mim, auto-observação é criar um pequeno espaço entre o estímulo e a resposta. É nesse espaço que nasce a liberdade.”

O Mapa Gestacional parte da premissa de que os meses vividos no útero registram emoções que moldam nossos comportamentos adultos. Como nasceu esse método, que informações são necessárias para mapeá-lo e como ele conversa com o Mapa Astral tradicional?

“O Mapa Gestacional nasceu de uma pergunta que me acompanha há muitos anos: antes de você aprender a falar, o que você já estava aprendendo sobre a vida?

Durante mais de trinta anos de trabalho, fui percebendo que determinadas repetições não começavam na história consciente que a pessoa contava sobre si mesma. Elas pareciam estar relacionadas a experiências muito anteriores.

O Mapa Gestacional é uma ferramenta do meu método para investigar esse período de formação, especialmente a experiência gestacional e o contexto em que aquela gestação aconteceu. Para construí-lo, buscamos informações sobre a gestação, quando disponíveis: quanto tempo de gestação, tipo de parto, local, hora e dia.

Não se trata de dizer que uma determinada experiência no útero determina quem alguém será. Eu não acredito em destino psicológico. Acredito em padrões que podem ser reconhecidos e ressignificados.

O Mapa Astral olha para a pessoa a partir de uma determinada linguagem simbólica relacionada ao nascimento. O Mapa Gestacional, dentro do meu método, olha para outro território: a arquitetura anterior à identidade consciente.”

  • 💡 Os dois pedem hora e data de nascimento, mas partem de pontos diferentes. O Mapa Astral lê o instante do nascimento pela posição dos planetas, organizada em signos, Casas e aspectos. O Mapa Gestacional, na formulação de Max, se volta ao período que antecede esse instante.

Pessoas que vivem aceleradas, em constante estado de alerta ou com sensação de dívida contínua costumam carregar quais registros na leitura do período uterino?

“Eu teria cuidado com a palavra carregar, porque não acredito que exista uma sentença escrita no útero. O que encontramos são padrões de organização energética, que são programas que se repetem no automático.

Em algumas leituras, pessoas que vivem permanentemente em alerta podem apresentar histórias gestacionais marcadas por contextos de insegurança, tensão, imprevisibilidade ou necessidade de adaptação. A sensação de dívida contínua também pode aparecer associada a padrões de pertencimento e responsabilidade muito precoces.

Mas existe uma diferença fundamental: uma experiência pode influenciar uma pessoa sem determinar uma pessoa. Isso muda tudo. Porque, se fosse destino, não haveria transformação.

O meu trabalho começa justamente quando a pessoa percebe: eu posso ter aprendido isso muito cedo, mas não preciso continuar vivendo obedecendo a isso.”

No seu trabalho, você utiliza a Roda das 12 Cores e defende que a coluna vertebral é o eixo central da sustentação humana. O que significa reprogramar uma inteligência energética e por que a saúde da coluna é vital para a saúde da mente?

“Quando eu falo em inteligência energética, estou falando de uma linguagem do meu método para observar diferentes formas pelas quais uma pessoa percebe, sente, age, se relaciona e concretiza. As doze inteligências funcionam como um mapa de possibilidades.

Reprogramar não significa apagar quem você é. Significa deixar de usar uma inteligência sempre do mesmo jeito.

A coluna, para mim, tem também um valor simbólico muito forte: ela é o eixo que sustenta o corpo. E existe uma relação evidente entre corpo, postura, respiração, movimento e estado mental, sem transformar isso numa promessa de que corrigir a coluna, sozinho, resolveria questões psicológicas.

Quando o corpo está em permanente contração, isso participa da experiência que temos de nós mesmos. Por isso eu gosto de trabalhar o ser humano de forma integrada. A mente não vive separada do corpo. Nós pensamos com um corpo, sentimos com um corpo e realizamos por meio de um corpo.”

Na Vila Equilibrivm, você comanda imersões em uma tenda geodésica dedicada à expansão da consciência. Como foi adaptar um trabalho tão intimista para o ambiente de um festival de música, e o que o público vivencia na prática dentro desse espaço?

“Foi um desafio muito bonito, porque o meu trabalho tradicionalmente acontece em espaços onde existe silêncio, tempo e profundidade. E aí surge uma pergunta interessante: será que é possível encontrar presença no meio do excesso de estímulos? Eu acredito que sim.

A tenda funciona como uma espécie de pausa dentro do movimento. A pessoa entra com toda a energia do evento e encontra uma experiência diferente: respiração, presença, percepção corporal, contato consigo mesma e uma dinâmica baseada nas doze inteligências.

Não é necessário acreditar em nada. É uma experiência. Durante alguns minutos, a pessoa deixa de olhar para fora e começa a perceber o que está acontecendo dentro.

E talvez essa seja a grande experiência de luxo dos nossos tempos: conseguir estar inteiro no lugar onde o seu corpo já está.”

O projeto na Vila Equilibrivm, em parceria com a Virada Zen, destaca a busca por conexão. Para quem vive na correria das grandes metrópoles e vai ao show, como as dinâmicas podem ajudar a praticar essa presença e desaceleração ali mesmo, no meio do evento?

“Nós pensamos justamente em criar uma experiência que não exigisse que a pessoa abandonasse a vida para encontrar equilíbrio. Porque equilíbrio não pode existir somente quando você está numa montanha, numa sala silenciosa ou em um retiro. Se a sua consciência só funciona em paz quando tudo está em silêncio, ela ainda não aprendeu a encontrar presença no movimento.

Na Vila Equilibrivm, a pessoa participa de uma roda com as doze inteligências, passa por uma experiência de respiração, percepção e alinhamento e tem alguns minutos para sair do automático.

É simples, mas é poderoso. Porque, às vezes, a transformação começa com algo muito pequeno: parar, respirar, sentir, perceber, e escolher como você quer continuar.”

O Brasil é um dos países com maiores índices de ansiedade e burnout. Qual é o impacto simbólico e prático de ver uma artista de escala global transformar a própria turnê em uma arena de desenvolvimento humano e bem-estar?

“O impacto é enorme porque muda a conversa. Durante muito tempo, o desenvolvimento humano foi colocado num lugar quase separado da vida real, como se você precisasse parar de trabalhar, parar de produzir e sair do mundo para cuidar de si. Mas e se o cuidado fizer parte da própria experiência de viver?

Quando uma artista com alcance global coloca equilíbrio, presença e desenvolvimento humano dentro da própria experiência de entretenimento, ela cria uma mensagem muito importante: cuidar de si não é sair da vida. É aprender a viver melhor dentro dela.

E existe ainda uma coisa que considero fundamental. Não precisamos transformar a busca por alta performance em uma guerra contra a performance. A questão é: qual é o preço que você está pagando para sustentar aquilo que chama de sucesso? Porque não adianta conquistar o mundo e perder a capacidade de estar presente na própria vida.”

Em mais de trinta anos guiando pessoas em processos intensos de autocura, qual foi a maior transformação que você mesma precisou passar para sustentar o trabalho que faz hoje? E qual é o primeiro passo para quem quer começar a se remapear agora?

“A maior transformação foi entender que eu não precisava salvar ninguém. Durante muito tempo, quando você trabalha ajudando pessoas, existe uma armadilha muito sutil: acreditar que precisa ter a resposta para o outro.

Com o tempo, eu entendi que meu papel não é viver a vida da pessoa por ela. É ajudá-la a enxergar aquilo que ela ainda não consegue enxergar sozinha. Isso mudou completamente a minha maneira de trabalhar.

E talvez seja também a minha maior definição de liberdade: eu não quero criar pessoas dependentes do meu método. Quero criar pessoas capazes de se ler.

Para quem quer começar agora, eu diria uma coisa muito simples: não tente mudar tudo. Comece observando uma repetição. Pergunte: o que eu faço sempre, mesmo sabendo que não quero mais fazer? Depois pergunte: o que eu ganho ou evito quando continuo fazendo isso?

Essa pergunta pode abrir uma porta enorme. Porque o remapeamento começa quando você deixa de perguntar apenas o que há de errado comigo e começa a perguntar: quem eu aprendi a ser, e quem eu escolho ser daqui para frente?”

Quem é Max Tovar

Max Tovar nasceu em Belo Horizonte e atua há mais de três décadas em terapias integrativas.

Ela descreve o próprio campo de trabalho como cosmologia energética, uma linha de investigação que desenvolveu a partir do contato com a cosmologia xamânica, no fim dos anos 1980, em Minas Gerais.

A projeção nacional do seu trabalho começou com Ludmila Dayer. A atriz registrou o próprio processo com Max no documentário EU, que dirigiu e no qual Fernanda Souza também participa. Foi Ludmila quem depois indicou Max à Anitta, o que ampliou ainda mais sua visibilidade.

À frente do Instituto Max Tovar, desenvolveu uma metodologia própria que organiza a leitura de uma pessoa em quatro potências, mental, emocional, ação e concretização, e nas 12 inteligências que se manifestam dentro delas. É a esse conjunto que ela se refere quando fala em inteligências energéticas.

O que é o Mapa Gestacional

O Mapa Gestacional é a ferramenta mais conhecida desse método. Ele investiga o período de gestação e o contexto em que aquela gestação aconteceu, partindo da ideia de que padrões de comportamento começam a se organizar antes da identidade consciente.

Para montá-lo, ela reúne informações como tempo de gestação, tipo de parto, local, dia e hora.

A Roda das 12 Cores, vivência que ela leva à Vila Equilibrivm, aplica esse mesmo repertório em formato coletivo.

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