Como a infância afeta seus relacionamentos na vida adulta
Entenda como a infância afeta seus relacionamentos, reconheça os dois extremos da falta de afeto e comece a curar sua criança interior
Por Ceci Akamatsu
Entender como a infância afeta seus relacionamentos costuma explicar padrões que se repetem há anos sem que você perceba a origem. O afeto que você recebeu nos primeiros anos moldou o que hoje considera normal em uma relação.
Quando vemos uma criança sendo maltratada, nos sentimos mal e queremos impedir a agressão. Por que permitimos, então, maltratar nossa criança interior?
A forma como você cuida de si tem raízes nesse período. Identificar e curar essas feridas tende a mudar diretamente a maneira como você se enxerga e como se relaciona.
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Resumo sobre como a infância afeta seus relacionamentos
- O jeito de amar e de ser amada que você aprendeu na infância tende a se repetir nos vínculos adultos.
- As raízes desse padrão vão da concepção à primeira infância, sobretudo na relação com as figuras materna e paterna.
- A falta de afeto na infância costuma se manifestar em dois extremos opostos: carência excessiva ou blindagem emocional.
- O excesso de cuidado e a superproteção também deixam marcas, gerando dependência e culpa.
- Curar a criança interior envolve criar novos referenciais de afeto, limites e disciplina.
- Culpar os pais não faz parte do processo. A consciência do padrão é o que abre espaço para a escolha.
Por que a infância afeta seus relacionamentos hoje
Geralmente, o seu jeito de amar reflete o jeito de amar e de ser amada que você aprendeu na infância. Isso vale sobretudo para o relacionamento com as figuras materna e paterna, e também para o relacionamento entre elas.
As raízes desse aprendizado se encontram no período que abrange desde a concepção, passando pela gestação, até a infância. As dinâmicas e os referenciais absorvidos nessa fase constituem as bases de quem você é hoje.
É comum atribuir a falta de amor-próprio aos acontecimentos recentes da vida. A raiz costuma ser bem anterior ao que você vive e sente no presente.
Ela está no histórico da sua infância: um vazio e uma falta de carinho gravados em memórias inconscientes que seguem operando sem aviso.
Falta de afeto na infância: os dois extremos
Se seus pais, por exemplo, estavam muito voltados a suprir necessidades materiais e financeiras, ou não sabiam como oferecer carinho e apoio emocional, existe uma tendência de repetir isso no seu jeito de amar outras pessoas.
Esse padrão se perpetua de duas formas: buscando pessoas parceiras que tratem você da mesma maneira, ou reproduzindo essas atitudes com quem se relaciona. Afinal, esse é o modelo de cuidado e amor que você aprendeu.
Ainda que não seja intencional, nem sempre os pais conseguem oferecer o afeto que os filhos necessitam. Quem não recebe apoio emocional e carinho durante a infância cresce com essa ferida, com sede de afeto.
Essa necessidade tende a se manifestar de duas maneiras opostas:
- Carência excessiva: a pessoa acredita que precisa muito do reconhecimento e da valorização de quem ama. Isso costuma levar a uma busca desenfreada por um vínculo que preencha o vazio.
- Blindagem emocional: a pessoa transmite a imagem de estar acima das emoções e de não precisar de ninguém. Essa postura tende a sabotar e afastar as oportunidades de afeto.
Os dois extremos funcionam como mecanismos de compensação pela mesma falta. Nenhum deles conduz a uma vivência harmoniosa do amor.
A blindagem remete, mesmo que de forma inconsciente, ao medo criado na infância de desejar o afeto de alguém e não obtê-lo, ou obtê-lo de forma distorcida.
O excesso de cuidado também deixa marcas
O outro extremo pode ser igualmente prejudicial. Algumas pessoas conseguem enxergar atitudes exageradas e superprotetoras dos pais como algo nocivo. Outras entendem essa mesma atitude como saudável.
Muitas vezes, o exagero passa despercebido. Isso abre espaço para um sentimento de culpa quando você se irrita com as pessoas que ama.
A superproteção tende a gerar apego aos pais, o que atrapalha os relacionamentos afetivos e dificulta a realização em várias áreas da vida. Criam-se laços de dependência e culpa.
Mesmo que os pais já tenham mudado sua maneira de agir, ou já nem estejam presentes, o padrão gravado continua operando. Os excessos, ainda que relacionados a algo tão positivo quanto amor e cuidado, também criam feridas que pedem cura.
O que é a criança interior
A criança interior representa a sua pureza, aquilo que é mais verdadeiro e livre dentro de você. Está ligada à criança que você foi e às experiências vividas durante a infância.
Necessidades físicas, emocionais, mentais e espirituais nem sempre foram supridas de maneira saudável, mesmo sem que essa fosse a intenção dos seus pais.
Como consequência, você foi desenvolvendo atitudes para suportar as faltas ou os excessos afetivos da sua criação. São essas atitudes que seguem ativas nos seus vínculos de hoje.
Como curar as feridas da sua criança interior
Cuidar da criança interior significa oferecer atenção, cuidados e referenciais saudáveis de pensamentos, sentimentos e atitudes.
É possível criar novos parâmetros de amor e afeto, estabelecendo também limites e disciplina positiva. Como a maioria das pessoas não teve esses referenciais, o amor com limites soa pesado à primeira vista. Esse entendimento também pode ser ressignificado.
Observar como você conduz pensamentos, sentimentos e atitudes, e perceber o quanto do seu jeito de viver está condicionado à sua história, é o primeiro passo para fortalecer a autoestima e mudar a realidade afetiva.
Comece reservando um tempo para cuidar de você e viver momentos de prazer. As feridas costumam gerar uma relação pouco saudável com o prazer, em todos os níveis.
Reflita nos quatro níveis:
- Físico: você se permite momentos de descontração e lazer? Consegue relaxar e aproveitá-los?
- Emocional: você identifica quando age como uma criança birrenta ou rebelde? Percebe reações exageradas e atribui a causa a outras pessoas? Sente culpa ao viver momentos prazerosos?
- Mental: como funcionam seus diálogos internos? Você é sua melhor amiga? Procura se motivar e reconhecer o que há de melhor em si?
- Espiritual: você tem se sentido conectada com o todo? Tem confiança na vida ou olha apenas para o lado negativo?
Se você quiser aprofundar esse trabalho, vale conhecer as práticas para resgatar a criança interior que vive em você.
Compaixão e perdão: o passo que destrava o processo
É muito importante lembrar que seus pais não são os culpados pelas feridas da sua criança interior. É possível que eles também não tenham tido um referencial saudável.
Ninguém age como age à toa. Há sempre um histórico por trás. Isso ajuda a compreender determinadas atitudes, mas não significa que o passado de alguém justifique comportamentos nocivos.
Exercitar a compaixão nesse contexto não significa concordar com atitudes negativas nem ser condescendente com elas. Significa um novo olhar sobre os eventos da vida, com menos julgamento, raiva e rejeição.
Diminuir o peso de atitudes e sentimentos com raízes no passado torna você mais leve para seguir em frente. Você não pode mudar o que já aconteceu, mas pode transformar a maneira de enxergar e sentir o passado, construindo novas bases para o futuro.
Caso não consiga identificar e curar esses padrões sozinha, a orientação terapêutica tende a ajudar bastante. Existem diversas abordagens disponíveis em terapia online, além do acompanhamento em psicologia.
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Conclusão
A forma como a infância afeta seus relacionamentos não define o seu futuro afetivo. Ela explica o ponto de partida, e esse entendimento já muda o jogo.
À medida que você olha com mais atenção para essa fase, consegue delinear quais referenciais seguem ativos e quais mecanismos ditam o seu jeito de amar.
O passo seguinte é escolher conscientemente o que manter e o que transformar. Esse trabalho fortalece o amor-próprio e abre espaço para vínculos mais saudáveis.
Perguntas frequentes
Como a infância afeta seus relacionamentos na vida adulta?
O jeito de amar e de ser amada que você aprendeu na infância tende a se repetir nos vínculos adultos. Isso acontece porque as dinâmicas absorvidas na relação com as figuras materna e paterna se tornam o seu parâmetro de normalidade afetiva. Você passa a buscar pessoas que reproduzam esse padrão ou a reproduzi-lo você mesma, mesmo sem perceber.
O que é criança interior?
A criança interior representa o conjunto de memórias, emoções e experiências vividas na infância que continuam ativas dentro de você. Ela guarda tanto a espontaneidade e a leveza quanto as feridas não resolvidas daquele período. Quando uma reação adulta parece desproporcional à situação, geralmente é essa parte que está respondendo.
Falta de afeto na infância sempre causa carência?
Não necessariamente. A falta de afeto tende a se manifestar em dois extremos opostos. Um deles é a carência excessiva, com busca constante por reconhecimento e validação. O outro é a blindagem emocional, em que a pessoa transmite a imagem de não precisar de ninguém. Os dois são mecanismos de compensação pela mesma ausência.
Excesso de proteção dos pais também prejudica os relacionamentos?
Sim. A superproteção tende a gerar laços de dependência e culpa, dificultando a autonomia na vida adulta. Muitas vezes o exagero passa despercebido, porque é interpretado como cuidado. Isso costuma aparecer em relações em que a pessoa espera do parceiro o mesmo nível de amparo que recebia dos pais.
É preciso culpar os pais para curar as feridas da infância?
Não. Culpar não faz parte do processo terapêutico e tende a travá-lo. É provável que seus pais também não tenham tido referenciais saudáveis. O que abre caminho para a mudança é a consciência do padrão, seguida da escolha de construir novos parâmetros. A compaixão nesse contexto não significa concordar com atitudes nocivas.
Terapeuta Energética, faz atendimentos à distância pelo Personare. É a autora do livro Para que o Amor Aconteça, da Coleção Personare.
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