Especial 2º semestre

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Existem 3 níveis de autoestima e dois deles sabotam seu relacionamento

Autoestima e relacionamento andam juntos. Veja os 3 níveis, o que trava sua vida amorosa e um exercício de 4 perguntas para fazer hoje

Atualizado em

A relação entre autoestima e relacionamento é mais direta do que parece. A forma como você enxerga a si estabelece, na prática, o padrão do que aceita receber de outra pessoa.

Atendo mulheres há mais de duas décadas na área de saúde íntima e sexualidade, e vejo esse padrão se repetir.

Quem não reconhece o próprio valor tende a não perceber as oportunidades amorosas que aparecem, ou a se envolver em relações que repetem a mesma dor.

Neste artigo, eu explico como a autoestima molda a sua vida amorosa, mostro por que a falta e o excesso de amor-próprio atrapalham de formas opostas e trago um exercício prático para você fazer hoje.

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Resumo sobre autoestima e relacionamento

  • A autoestima em desequilíbrio tende a dificultar tanto a chegada quanto a manutenção de relações saudáveis
  • Existem três níveis de autoestima: a equilibrada, a falta de amor-próprio e a falsa autoestima
  • A baixa autoestima costuma cegar você para o interesse real de outras pessoas
  • O excesso, ou falsa autoestima, tende a gerar cobrança constante e insatisfação com a pessoa parceira
  • O autoconhecimento é a ferramenta central para equilibrar os dois extremos
  • O exercício de reflexão no fim do artigo funciona para quem está solteira e para quem está em um relacionamento

Por que a autoestima determina o tipo de relacionamento que você vive

Quando a energia da autoestima está em desequilíbrio, seja pela falta ou pelo excesso, fica difícil atrair relações saudáveis, curar feridas amorosas e melhorar os vínculos que já existem.

Qualquer mudança na vida amorosa começa de dentro para fora, nunca no sentido contrário. A relação que você mantém consigo mesma funciona como um filtro do que consegue perceber e aceitar nas outras pessoas.

Alguém que se considera pouco merecedora tende a normalizar comportamentos que não deveria aceitar. E costuma desconfiar do afeto genuíno quando ele finalmente aparece.

Os três níveis de autoestima

Antes de qualquer prática, vale identificar em qual desses três lugares você está hoje. A leitura honesta desse ponto de partida muda todo o resto do caminho.

  • Autoestima equilibrada: está alicerçada em uma reflexão profunda sobre o que existe dentro de você, no que você acredita e em quem você é em essência.
  • Falta de amor-próprio: acontece quando a pessoa dá pouco valor a si mesma e não reconhece as próprias qualidades.
  • Falsa autoestima: se apoia em informações que vêm de fora, como uma promoção no trabalho ou elogios constantes, o que tende a gerar um excesso instável de amor-próprio.

A diferença entre a primeira e a terceira está na origem. Uma se sustenta sozinha; a outra desmorona quando o reconhecimento externo some. Se quiser aprofundar esse ponto, vale ler sobre o que é amor-próprio e como desenvolvê-lo.

Não consigo ser feliz no amor. Por quê?

Quando não há autoestima, você tende a sofrer, acreditando que todo elogio vindo do outro é superficial, falso ou interessado. O afeto chega e não encontra lugar para pousar.

Outro problema comum na baixa autoestima é não perceber as oportunidades amorosas que aparecem. Se alguém paquera, você nem se dá conta. Se olham para você com outros olhos, você não se permite acreditar que existe interesse real e acaba não abrindo espaço para o amor chegar.

Se você já está em um relacionamento, o padrão se manifesta de outra forma. Por mais amor e elogios que receba, a sensação de ser feia, mal-amada ou inadequada permanece.

Daí surgem as construções paranoicas: a certeza de que será traída, a suspeita de que a pessoa parceira prefere a companhia de outros, a ideia de que está ali por pena ou pelos motivos errados.

💡 Repare que nenhuma dessas conclusões vem do comportamento da outra pessoa. Todas nascem da leitura que você faz de si mesma.

Excesso de autoestima também atrapalha

A falsa autoestima age de forma oposta, e por isso costuma passar despercebida. Ela se disfarça de segurança, mas produz consequências igualmente difíceis na vida amorosa. Entre os sinais mais frequentes:

  • Confundir a simpatia alheia com paquera, o que gera constrangimentos e frustrações
  • Exigir demais da pessoa parceira e nunca se sentir completamente satisfeita com o que recebe
  • Precisar de aprovação e elogios constantes para se manter em equilíbrio
  • Adotar postura defensiva permanente, como se qualquer observação fosse um ataque
  • Evitar o contato com as próprias fraquezas, sem reconhecer que ter sombras, dificuldades e erros faz parte de ser humano

Um exemplo ilustra bem esse funcionamento: uma pessoa muito bonita e segura de si que, na cama, está tão atenta à própria beleza que parece namorar consigo mesma. A companhia de quem está ao lado passa a ser secundária.

Nos dois extremos, a raiz é a mesma: falta de contato real consigo. Um desses caminhos se manifesta por retração e o outro por inflação, mas ambos indicam que o trabalho de autoconhecimento ainda não foi feito.

O autoconhecimento como base do amor

Todos esses aspectos fazem parte do processo de se conhecer. Em um mundo cheio de distrações, olhar para dentro com calma se tornou quase impossível, e é justamente por isso que eu insisto tanto nesse ponto.

A autoestima equilibrada, estruturada no autoconhecimento, é fundamental para se sentir bem na própria pele, viver o amor real e não transferir para a pessoa parceira as frustrações que você carrega dentro de si.

Ferramentas de autoconhecimento ajudam bastante nesse mapeamento, porque oferecem uma linguagem para nomear o que você sente sem conseguir explicar. Entender seus próprios padrões de desejo, seus bloqueios e suas potências costuma ser o passo que destrava o resto.

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Exercício para atrair ou fortalecer o amor

Esteja você solteira ou em um relacionamento, esse exercício ajuda a equilibrar a autoestima. Pegue papel e caneta ou, se preferir, grave as perguntas e as suas respostas em áudio.

As quatro perguntas

Responda com calma, sem buscar a resposta “certa”. O valor está na honestidade, não na elegância da reflexão.

  • O que atraiu você na pessoa parceira? Descreva com detalhe, indo além das qualidades óbvias
  • O que você acredita que a atraiu em você? Vale perguntar a ela depois, mas tente adivinhar sozinha primeiro
  • O que atraiu você nessa pessoa costuma atrair você em outras? A ideia é avaliar se os seus gostos conversam com os seus valores
  • O que fez a pessoa se sentir atraída por você costuma chamar atenção nos outros também?

Quem está solteira pode adaptar as perguntas para relações passadas ou para alguém por quem sente interesse hoje. O exercício funciona igual.

O que fazer com as respostas

Ao ser alvo de paquera ou de elogio, deixe de julgar o quanto aquilo é real. Aceite o agrado e sinta a emoção que vem junto. Tornar a vida mais leve nesse ponto já muda bastante coisa.

Aproveite para reparar mais nas pessoas e adote o hábito de elogiar o que agrada você. Isso colabora para despertar a autoestima de quem está ao redor e ajuda as pessoas a enxergarem o que têm de bom.

Depois, leve essas qualidades reconhecidas para a sua vida amorosa e use isso a seu favor com a pessoa parceira. Aprender a se questionar e a conversar consigo mesma tende a aumentar a chama da paixão entre vocês.

Como cultivar a própria companhia

Para olhar melhor para dentro, experimente reservar alguns momentos do dia para viver em sua própria companhia. Não precisa ser muito tempo: vinte minutos consistentes valem mais do que um fim de semana isolado.

Você pode ouvir música, desenhar, pintar, dançar, pensar na vida, planejar, ler um livro ou fazer qualquer atividade que desperte o seu interesse. O ponto é estar com você sem a mediação de uma tela.

Se quiser complementar esse trabalho com práticas simbólicas, o Personare reúne cinco práticas para atrair amor que vão de banhos de ervas a cristais. As afirmações positivas também funcionam bem como apoio à reflexão diária.

⚠️ Vale uma ressalva: se a baixa autoestima vier acompanhada de tristeza persistente, isolamento ou sofrimento intenso, procure um profissional de psicologia. Existem quadros que pedem acompanhamento clínico e não se resolvem apenas com exercícios de reflexão.

Conclusão

Atrair amor tem menos a ver com técnica e mais com a relação que você constrói consigo mesma. A autoestima equilibrada abre espaço para perceber o afeto que chega e para sustentar vínculos que valham a pena.

Comece pelo exercício das quatro perguntas e observe o que aparece. A maioria das mulheres se surpreende com o quanto já sabia e não tinha colocado em palavras.

Aprenda a se curtir mais. O resto tende a se organizar a partir daí.

FAQ sobre autoestima e relacionamento

Qual a relação entre autoestima e relacionamento?

A autoestima estabelece o padrão do que você aceita receber em uma relação. Quem se reconhece merecedora percebe as oportunidades que aparecem, sustenta acordos claros e consegue recusar o que não serve. Quem se desvaloriza tende a normalizar comportamentos que deveria questionar e a desconfiar do afeto quando ele é genuíno. O mesmo vale para o extremo oposto: o excesso instável de amor-próprio costuma gerar cobrança constante e insatisfação. Em ambos os casos, a qualidade do vínculo acompanha de perto a qualidade da relação que você tem consigo.

Por que não consigo ser feliz no amor?

Na maioria dos casos que atendo, a dificuldade tem menos a ver com falta de oportunidades e mais com a leitura que a pessoa faz de si mesma. Quando a autoestima está baixa, elogios soam falsos, paqueras passam despercebidas e o afeto recebido não convence. Dentro de um relacionamento, aparecem desconfiança e sensação de inadequação mesmo sem motivo concreto. Também existe o extremo oposto, em que a cobrança constante e a insatisfação afastam a pessoa parceira. Identificar em qual desses padrões você se encaixa costuma ser o primeiro passo.

Qual a diferença entre autoestima e amor-próprio?

O amor-próprio é um dos pilares que sustentam a autoestima, ligado à autoaceitação, ao autoacolhimento e ao autoperdão. A autoestima é o conjunto mais amplo, que envolve também o poder pessoal e a capacidade de reconhecer o próprio valor sem depender de validação externa. Na prática, é possível ter momentos de amor-próprio e ainda assim carregar uma autoestima frágil, sobretudo quando ela se apoia em conquistas e elogios de fora. Quando isso acontece, o desmoronamento vem junto com a primeira frustração.

Quanto tempo leva para melhorar a autoestima?

Não existe prazo fixo, porque depende do histórico de cada pessoa e do grau de sofrimento envolvido. Pequenas mudanças de percepção costumam aparecer em semanas, sobretudo quando você passa a aceitar elogios sem julgá-los e a reparar mais no que acontece ao redor. Transformações mais profundas, que envolvem crenças formadas na infância, tendem a exigir meses e, com frequência, acompanhamento terapêutico. O ponto que faz diferença é a constância da atenção, não a intensidade de um esforço pontual.

O exercício funciona para quem está solteira?

Sim. As quatro perguntas podem ser adaptadas para relações passadas ou para alguém por quem você sente interesse no momento. Se preferir, responda pensando em vínculos afetivos de forma ampla, incluindo amizades importantes, porque os padrões de atração costumam se repetir em diferentes tipos de relação. O objetivo do exercício é mapear se aquilo que atrai você conversa com os seus valores, e essa investigação faz sentido independentemente do seu estado civil.

Roberta Struzani

Roberta Struzani

Especialista em Sexualidade e Ginecologia Natural. Pioneira no estudo de Ginástica Íntima e Reconsagração do Ventre no Brasil, contribuiu para a formação de diversas terapeutas e desenvolveu um trabalho personalizado que traz benefícios para a saúde da mulher, do físico ao emocional.

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