Ceci Akamatsu
Por Ceci AkamatsuLeia em 3 min.21/05/2015 

Como ser mais feliz no amor?

Mudanças ajudam a alcançar e manter felicidade na vida afetiva

Tudo que buscamos desesperadamente é uma fórmula de como ser feliz no amor. Mas confesso que não gosto muito desta coisa de truques, segredos e fórmulas mágicas, porque não acredito em milagres desta forma, e sim naqueles conquistados por nós mesmos. Soluções milagrosas podem até operar de alguma forma, promovendo certas mudanças, mas a efetividade e a sustentabilidade das mesmas – tanto em relação à intensidade quanto ao prazo – geralmente não acontecem.

Sendo assim, creio que o grande truque ou fórmula para alcançar a felicidade na vida afetiva não é diferente do segredo do sucesso em outras áreas da vida: a prática e a disciplina.

Outras duas características, talvez as mais importante, vêm se unir a elas: a paciência e a perseverança.

Geralmente é mais fácil compreender como essas habilidades podem nos ajudar a ter sucesso na vida material, mas como elas podem se tornar a chave da felicidade afetiva? Vivemos hoje um conceito de felicidade muito atrelado ao que está fora de nós. Estamos sempre muito condicionados a algo ou alguém, que define se vamos estar tristes ou contentes. De fato, não há como o mundo não influenciar os sentimentos. E ter uma vida afetiva harmoniosa contribui, sim, para o sentimento de plenitude. Mas isso é diferente de estar sempre a mercê do que está lá fora, e satisfação afetiva é algo bem diferente do preenchimento de um vazio e uma carência por alguém.

Achamos que a insatisfação existe por não termos um parceiro que realize nossos sonhos, por mais humildes que sejamos. Costumamos pensar: “só quero alguém com quem possa compartilhar minha vida e ser feliz, isso não é pedir muito. É tão simples…”. Mas será que é, de fato, tão simples assim? A resposta é sim e não.

Encontrar um amor pode ser simples se pensarmos que quando estamos mais equilibrados e harmoniosos em nossa autoestima e poder pessoal podemos, sim, achar o que buscamos. Mas torna-se complicado quando não queremos ou não nos propomos a fazer a nossa parte e achamos que mesmo assim teria que ser fácil encontrar o par amoroso que nos fará feliz.

Então, voltemos ao que citamos anteriormente: a chave de nossa felicidade afetiva está na prática, disciplina, paciência e perseverança. Somente com a prática e com a ação de nosso esforço consciente de harmonização e fortalecimento interno poderemos caminhar na direção da felicidade afetiva. E somente com paciência e perseverança conseguiremos manter a prática e a disciplina ao longo do tempo.

Como ter mais harmonia e força internas para encontrar um amor?

Alguns passos podem auxiliar neste processo. Então, comecemos aqui pelo desapego e renúncia dos conceitos distorcidos que condicionam nossa felicidade ao que está fora de nós. Primeiro é preciso renunciar à ideia de que nossa satisfação e humor dependem da existência de um par afetivo ou das atitudes do parceiro com quem nos relacionamos. Isso significa compreender e aceitar que este conceito de felicidade condicionado ao outro só aumenta o sofrimento em vez de promover felicidade. Pode trazer alguns instantes de euforia – o que é algo bem diferente, mas muitas vezes confundido com felicidade – mas que logo passam e nos levam de volta ao vazio e solidão ou à irritação e insatisfação.

Uma vez conscientes de que não adianta teimar que só seremos felizes quando tivermos um amor e/ou que nosso amor precisa ser da maneira como achamos que tem que ser, será necessário ter disciplina para praticar o desapego e a renúncia da tristeza e da frustração que insistem em nos assombrar quando nos vemos sós e sem perspectiva afetiva, ou novamente tendo que lidar com as atitudes desagradáveis do parceiro. É preciso manter esta prática constantemente, prestando atenção toda vez que os sentimentos negativos vierem à tona para não se deixar tomar por eles.

Então você pode pensar: “Ah, mas isso é difícil, como posso fazer algo do tipo?”. Lembre-se e foque no que você quer – ser feliz – e afirme para si conscientemente, com vontade e firme propósito, que independente do que seus sentimentos e pensamentos negativos lhe digam, a sua escolha é de ser mais forte do que eles, de não acreditar neles, por mais insuportáveis e reais que sejam no momento. Afirme para si que sua escolha é acreditar na felicidade – mesmo que ainda não sinta, que lhe pareça irreal – escolhendo cada vez mais com o coração, com determinação. Pode parecer simplista, até mesmo ridículo a princípio, mas sem mudar o direcionamento de nossos pensamentos será difícil mudar os sentimentos e construir uma realidade diferente lá fora. A firmeza com que nos propomos a fazer esse exercício já ajuda a fazer a “musculação” de nosso firme propósito.

Um dos segredos é a compreensão de que é justamente a dificuldade de se manter nesta afirmação que faz com que acabemos deixando de acreditar que seremos felizes. Podemos fazer um paralelo com uma dieta alimentar: se meu objetivo é emagrecer e ficar saudável, preciso desapegar e renunciar aos alimentos que não contribuem para minha meta e me manter firme nisto, mesmo quando minha vontade é de comer chocolate e fritura ou de tomar refrigerante. A vontade e o desejo são intensos e reais. Se não for paciente e perseverante, mesmo diante das minhas escorregadas, vou acabar desistindo e me lamentando que gostaria de ser magra e saudável, esperando que isso caia do céu. Ou posso me enganar, achando que é difícil demais seguir uma dieta, comendo coisas saudáveis de vez em quando, mas não fazendo as mudanças efetivamente necessárias para emagrecer e então pensar: “não entendo por que não consigo emagrecer, já que me esforço tanto”.

Ao nos deixarmos abater pelos intensos sentimentos e pensamentos que parecem provar, mostrando com fatos, que estamos longe demais de ser feliz ou que a felicidade pode ser muito trabalhosa, nos afastamos cada vez mais do que desejamos.

Ficamos esperando que algo aconteça lá fora, que um pretendente surja e assuma um compromisso ou que o parceiro mude e nos prove que os sentimentos e os pensamentos negativos podem estar errados, e esquecemos que o poder e a responsabilidade de mudar e nos sentir melhor são nossas, e não de outra pessoa!

No próximo artigo da série você entenderá quais os possíveis motivos que atrapalham a não realização de uma vida afetiva plena.

Ceci Akamatsu

Ceci Akamatsu

Terapeuta Acquântica, faz atendimentos presenciais no Rio de Janeiro, em São Paulo e à distância. É a autora do livro Para que o Amor Aconteça, da Coleção Personare.