Bruna Rafaele
Por Bruna RafaeleLeia em 5 min.18/07/2020 

Beijar e depois conhecer ou conhecer para depois beijar?

Isolamento social provocado pela pandemia tem levado à redescoberta de antigas formas de criar elos, despertar interesse e manter relações afetivas

Tem relacionamentos que começam com um toque, como um beijo, antes de conhecer a pessoa. Outros, acabam iniciando pelas conversas, conhecendo a pessoa antes do primeiro beijo.

Sem julgamento algum, temos de entender que o interesse pelo outro varia muito de pessoa para pessoa, assim como a mesma pessoa pode passar por momentos completamente diferentes quanto à forma de se relacionar. .

Acredito que no momento atual, como resultado do isolamento social, muitos jovens estão descobrindo como criar elos afetivos com novos parceiros, o que a geração passadas faziam.

Estão percebendo que, por causa das restrições ao contato físico, não é somente pela forma do corpo do outro que desperta-se um interesse e se mantém uma relação de amor.

Pessoas que anteriormente só sentiam atração por alguém através do encontro presencial acabaram descobrindo uma química capaz de unir as duas pessoas.

Descobrindo se o outro tem características interessantes e que valha manter por perto em sua vida, para construir um relacionamento saudável, com companheirismo e se há assuntos de interesse em comum. Sobre este tipo de relacionamento que vou explorar.

Apenas a imagem não constrói um relacionamento

A atração física desperta muito interesse na maioria das pessoas, até porque o belo é admirável mesmo.

Ao mesmo tempo, a beleza não sustenta uma relação por um longo tempo, pois o corpo sofre variações com o passar do tempo.

Quando alguém se sente realmente interessado por outra pessoa, muitas vezes, não se trata de a forma física ser esteticamente perfeita, mas de conter alguns traços que são atraentes para o parceiro, como o formato dos olhos, do sorriso.

Muitas vezes, é, algo que nem passa por uma percepção tão superficial sobre o outro.

O jeito interessa mais que a forma?

A maneira como a pessoa se coloca – ou não se coloca – diante do parceiro, o jeito de falar, de sorrir, de se preocupar com o outro e até mesmo de se mostrar interessada em saber mais sobre o que acontece na vida do par faz diferença na continuidade do relacionamento.

Tem pessoas que se interessam por aqueles que estão indisponíveis, isso as fascina e faz com que elas tenham o interesse pelo outro alimentado constantemente.

Enquanto há aquelas pessoas que, quando o outro não demonstra tanto interesse, se afastam e vão em busca de alguém mais empenhado em construir uma conexão mais intensa.

E essa tal conexão só se conhece quando se está de fato tendo interação maior do que apenas um beijo e contato físico, não é verdade?

É sobre essa maneira de se perceber com o parceiro que as atuais circunstâncias trazem relevância para quem busca uma relação.

Não tem como conversar com quem não está disposto a ouvir e falar também.

Algumas vezes, observo que há pessoas que só falam, vira um monólogo em torno de sua própria vida e deixam o outro só ouvir, ou seja, nem mesmo sustentam uma conversa em que exista uma troca sobre assuntos de interesse mútuo.

Com pessoas assim, realmente dialogar não é tão fácil. Saber ouvir é extremamente importante para criar qualquer tipo de elo afetivo, seja até de amizade.

As palavras ocupam muito mais espaço que o corpo

Já pensou sobre isso? As palavras que falamos ao outro, a troca de interesse em saber o que o outro sente e acredita são características que marcam o quanto se criam vínculos com quem nos interessa ou nos distancia.

A pessoa pode preencher todos os requisitos básicos que você imaginou que um par perfeito tem que ter para ficar ao seu lado, mas se ela não gosta de falar com você ou se você não gosta de falar com ela, como vão construir uma vida juntos?

Não se descarta a atração física, porque isto gera a diferença entre com quem se tem interesse em ter amizade e com quem formar um casal.

Mas o encanto pelo outro também passa pelo caminho da linguagem sim, da comunicação, de estar ao lado de com quem se quer falar.

A frustração de quando não sobra nada além da atração física

Quando o relacionamento é baseado apenas no que se sente ao tocar o corpo alheio e sobra pouco interesse em descobrir e ser descoberto pelo parceiro, os relacionamentos ficam muito vazios de conexão.

As relações ficam muito mais no sonho e na fantasia, no que o outro pode vir a ser quando, na verdade, o casal não se conhece, nem mesmo a intimidade foi construída antes do sexo.

Viver um relacionamento, na realidade, é estar dentro de uma rotina de troca sobre o que o outro não só faz, mas também é, assim como perceber que o outro busca manter com você algum vínculo além da química.

Dá para manter uma relação sem ter o toque ou a comunicação?

Depende muito do que se está procurando e eu gosto de lembrar que nem sempre as pessoas sabem o que de fato estão procurando viver em suas vidas.

Além disso, existe a dificuldade de não saber pôr em prática o que se quer viver dentro de um relacionamento – e acaba ficando o estigma de “ter o dedo podre” para escolher com quem fica.

Por isso, é muito importante saber o que no fundo se quer viver, em cada fase de sua vida, o que pode trazer variações sobre a maneira como toda pessoa se coloca à disposição para o outro.

Se você precisa de uma ajuda para saber o que você quer e como colocar o que você quer em prática, pode contar comigo.

Bruna Rafaele

Bruna Rafaele

Psicanalista, especialista em Saúde Mental. Faz atendimentos presenciais no Rio de Janeiro e consultas online no Personare.