Fernando Belatto
  • Por Fernando Belatto
  • Leia em 15 min.
  • 29/08/2014
  • Atualizado em 29/08/2014 às 12:35

Artes marciais ensinam importância dos adversários

Situações difíceis podem trazer oportunidade de amadurecimento e evolução

Situações difíceis podem trazer oportunidade de amadurecimento e evolução

Artes marciais ensinam importância dos adversários

A busca do ser humano por realizações é algo intrínseco, isso faz parte do próprio fluxo da vida, da evolução constante. De fato, o ser humano é um realizador, e essas conquistas acontecem a todo o momento, dependendo da forma como as olhamos e as reconhecemos. A criança já nasce precisando conquistar a luta pela saída do ventre materno, o que não deve ser tão gostoso, não é mesmo? Quando reflito que dentro da minha mãe eu estava quentinho, protegido e recebia alimentação sem nem precisar me mexer, puxa vida, penso: “que vida boa!”. Mas, meus amigos, essa comodidade não é saudável e chega um momento em que a vida lhe desafia a dar mais um passo, a continuar seu passo evolutivo.

Em minhas palestras e seminários abordo este tema muitas vezes e reconheço que uma das principais características do espírito guerreiro é o de reconhecer a adversidade como professora e entender que ela está a favor de nossa evolução. Percebo que o ser humano está sempre buscando a comodidade e que situações de desafio muitas vezes parecem como “monstros” em nossas vidas.

Percebo que o ser humano está sempre buscando a comodidade e que situações de desafio muitas vezes parecem como “monstros” em nossas vidas.

E em diversos momentos, ao invés de encararmos esses monstros, preferirmos dar as costas fingir que não é com a gente. Desta forma, não conseguimos adquirir o aprendizado necessário e continuamos repetindo um ciclo já conhecido de hábitos, circunstâncias e rotina que não nos levam a nenhum lugar novo e nem à conquista de nossas aspirações mais íntimas.

Refletindo sobre o assunto, me parece que esta dificuldade de lidar com situações adversas vem de uma imaturidade emocional que carregamos desde a infância e que ainda não tivemos coragem o suficiente para tentar compreendê-la. Isto porque precisaremos também entrar em contato com emoções nada “gostosas” como nossa carência, fragilidade, vitimização, etc. Isto também é cultural, e cada país ou região pode estar desenvolvido ou subdesenvolvido em relação a este assunto.

Se utilizarmos como exemplo a Copa do Mundo de 2014 e analisarmos o time brasileiro, considerando que os jogadores representam a nação (é o micro do macro), então percebemos esta dificuldade de o brasileiro lidar com a adversidade. Afinal, não lembro de ter visto outro time que tanto chorou e tanto demonstrou uma fragilidade quando os momentos difíceis apareceram. E aqui não quero de forma alguma reprimir o choro, pois acredito muito no potencial desta expressão emocional, mas na minha forma de ver, uma hora precisamos levantar a cabeça e trazer a responsabilidade necessária, encarando de frente o monstro e enxugando as lágrimas para fazer o que precisa ser feito. O Brasil é um país que não teve experiências de guerras como aconteceram em diversos outros países, os quais precisaram muitas vezes se reconstruir e se unir em prol de um bem maior, um bem da pátria. Fora isso, nosso amado país é muito protegido de desastres naturais, o que também não nos coloca à prova em situações realmente difíceis de lidar. Não estou reclamando e vejo isso como uma benção gigantesca para esta terra tropical, mas como venho da Arte Marcial, não posso negar que também vejo nestas situações difíceis a oportunidade de muitos aprendizados, o que traz amadurecimento e muita evolução para quem consegue atravessá-los.

Nas artes marciais, adversário é reverenciado

Para ilustrar melhor esta comparação com a Arte Marcial, podemos observar um combate. Uma luta começa sempre com uma reverência ao nosso adversário, que algumas Artes Marciais chamam, pela expressão japonesa, de “Onegai Shimassu”. Isso sugere, de forma educada, uma permissão para você e seu adversário poderem treinar juntos. No final do combate também existe a reverência de gratidão “Domo Arigatô Gozaimashita”, na qual os adversários honram os esforços aplicados e agradecem pelo treino.

Veja que interessante: o adversário que faz o papel de seu inimigo é reverenciado em gratidão no final do treino. No universo marcial entendemos que o adversário é também um professor e graças a ele temos a possibilidade de evoluirmos na prática e na vida.

No universo marcial entendemos que o adversário é também um professor e graças a ele temos a possibilidade de evoluirmos na prática e na vida.

Essa é a base dos relacionamentos na sociedade. Graças a esses interações nós podemos olhar no “espelho” e aprender com os nossos semelhantes.

Então, gostaria de sugerir que você comece a identificar a sua guerra interna, que inicie ou mesmo continue essa auto-observação e que possa olhar para as adversidades não mais como algo ruim ou como uma inimiga, mas sim como uma oportunidade de crescimento e evolução. É claro que o que desejo a todos é a harmonia e a paz no coração, mas acredito que isso só será possível de verdade quando tivermos maturidade suficiente para nos mantermos os mesmos, tanto nos momentos fáceis como nos difíceis e isto é equanimidade mental.

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Fernando Belatto

Fernando Belatto

Criador do caminho do O-DGI, unindo os princípios da arte marcial com o autoconhecimento, para ajudar pessoas e empresas a conquistarem o seu melhor potencial. Saiba mais