Giane Portal
Por Giane PortalLeia em 3 min.04/06/2014 

A Lua: enganos, ilusões e fantasias

Carta do Tarot sugere que sofrimento emocional ajuda a curar dor

“A Lua” é um dos mais complexos e misteriosos arcanos do Tarot. Ela representa o fascínio, o encanto, assim como as ilusões e desilusões que este mesmo encanto pode gerar. A natureza desta carta é dúbia, e este é um dos arcanos que mais exigem atenção e refinamento em sua interpretação durante uma leitura. Devido a sua própria essência enganosa, é possível que o tarólogo também acabe deixando-se confundir.

“A Lua” revela imagens da alma. Essas imagens podem ser confusas, difusas, levando o indivíduo a perder o contato com a realidade, em um estado de embriaguez da razão – um delírio duvidoso, intoxicante, fantasioso e extremamente sedutor.

A falta de visão racional e objetiva sobre os fatos, assim como o estado de flutuação experienciados nesse arcano, podem gerar quadros de ansiedade, medo e devaneio, além de sensação de vulnerabilidade, decepções e perigos não previstos.

A Lua está relacionada com o magnetismo, as marés, o acréscimo e decréscimo, as fases, os ciclos. É a carta da magia, da intuição e dos sonhos – chaves fundamentais para alinhar-se com os maiores poderes secretos deste arcano.

É a carta da magia, da intuição e dos sonhos – chaves fundamentais para alinhar-se com os maiores poderes secretos deste arcano.

Poderes esses, entretanto, acessados por poucos, por aqueles que conseguem atravessar o maior desafio desta carta: a senda do poder pessoal, que só é conquistada através do profundo entendimento de si mesmo. “A Lua”, por sua vez, representa também as profundezas da alma que levam ao autoconhecimento quando devidamente exploradas.

Os estágios da cura emocional

Nos momentos em que enfrentamos situações de intenso sofrimento emocional, experienciamos diversos estágios até chegarmos à cura da dor. Este nunca é um processo fácil, trata-se de um caminho tortuoso e repleto de espinhos que trespassa partes sombrias e desconhecidas de nossa psique. Trata-se do próprio caminho que atravessa a paisagem desta lâmina. E esse processo é dividido em quatro estágios:

Estágio 1: a Vítima

Fase representada pelo lagostim, é aquele momento em que achamos que o mundo está contra nós. O crustáceo está relacionado a esse simbolismo, pois permanece escondido durante o período da troca de sua carapaça, por se encontrar vulnerável. Sentimentos de autopiedade e autocomiseração são comuns nessa fase. “Por que eu?”, “essas coisas só acontecem comigo”, “eu nunca deixarei de sentir isso” e “minha vida perdeu o sentido” são afirmações e questionamentos comuns neste que é o mais primário estágio de elaboração da dor.

Estágio 2: o Colérico

São os lobos. Por seu lado selvagem, podem ser associados à raiva. É o momento do “cansei de sofrer” e a raiva explode contra si mesmo, ou ainda contra a situação ou a pessoa envolvida na causa de seu pesar. Ao menos o indivíduo liberta-se da postura passiva e deprimida. Acessos de fúria, revolta contra tudo e contra todos e a famosa rebeldia sem causa associam-se a esse estágio. Agressividade projetada (ferir ou magoar pessoas que não têm relação alguma com seu sofrimento) e sentimentos de vingança também são característicos.

Estágio 3: o Soberbo

É a fase do orgulho, simbolizado pelas Torres – relacionadas à imagem e ao significado do arcano XVI. A pessoa se sente superior a tudo o que está acontecendo. Desdenha a circunstância ou a pessoa que acredita ser a causa de sua dor. Menospreza seus sentimentos, sua tristeza. “Não acredito que me senti assim por uma pessoa tão insignificante”, “o que vem de baixo não me atinge”, “eu sou mais eu”, “não estou nem aí”, atitudes e posturas afetadas como essas são comuns nesse período. É uma tentativa a todo o custo de recuperar o amor próprio. A versão contemporânea de mudar o corte de cabelo depois de um rompimento amoroso é produzir um book fotográfico e publicar nas redes sociais. A pessoa sente necessidade de mostrar a si mesma e ao mundo que está no auge, no topo, na área VIP da vida.

Estágio 4: o Desperto

A Lua. Símbolo do contato com as próprias emoções, representa a fase em que a cura efetivamente acontece, na qual somos capazes de compreender, perceber, avaliar, aliviar, entender, perdoar. Trata-se da consciência emocional plena. Nos damos conta do nosso papel no processo, em qual parte falhamos e o que podemos extrair da situação vivida. Esse estágio não é atingido em sua integralidade apenas através de um posicionamento racional e lógico, mas sim através de um sentimento de paz profundamente introjetado na alma. Não basta pensar que está bem, tem que sentir isto.

Prognósticos para o amor

Segredos, mistérios, flutuações nos sentimentos e emoções. Algo que parece ser, mas não é. Há algo de intangível e velado, difuso, confuso, inacessível. Muito romantismo, muita sedução, nenhuma certeza. A Lua fascina e encanta. No sexo, fantasias, fetiches e muita imaginação.

Reflexão: A Lua tem fases: Nova, Crescente, Cheia, Minguante. Em que fase está seu amor?

A sensação de página virada. Paramos de remoer. Não nos sentimos mais magoados, nem irados, nem com necessidade de provar nada a ninguém. Aprendemos a lição e seguimos em frente, libertos e amadurecidos.

Nem todos passam, necessariamente, por cada um destes estágios. Entretanto, apenas o contato com as emoções mais profundas e obscuras podem levar ao verdadeiro autoconhecimento, nos livrando da autoilusão e dando lugar à luz da razão e da verdade. Nesse momento, alcançamos o arcano seguinte, de número XIX – “O Sol”.

Giane Portal

Giane Portal

Estuda Astrologia e Tarot há 16 anos e desde 2006 ministra cursos e palestras. Foi diretora social da Central Nacional de Astrologia e atualmente faz parte do Conselho Deliberativo desta organização.