Roberta Struzani
  • Por Roberta Struzani
  • Leia em 3 min.
  • 13/11/2014
  • Atualizado em 16/07/2018 às 19:06

Sexo anal é uma prática segura?

Desmistifique essa modalidade sexual e entenda se é possível realizá-la sem riscos

Sexo anal é uma prática segura?

Nos cursos de pompoarismo que ministro ou nos meus atendimentos clínicos, o sexo anal é um assunto bem discutido. Já tive casos, por exemplo, de mulheres que queriam fazer fisioterapia uroginecológica para dilatar o ânus, com o intuito de conseguir ter relação sexual nessa região. Mas é importante desmistificar algumas questões envolvendo o assunto, para entender se é possível praticar o sexo anal de forma segura e prazerosa.

O canal vaginal é um órgão sexual, cuja estrutura é projetada para ter atrito, receber e ser flexível aos diferentes tamanhos e formatos de pênis. Além disso, possui 16 camadas celulares de tecido para proteger essa região. Já o ânus é uma estrutura do aparelho digestivo (formado por boca, esôfago, intestino delgado, intestino grosso, reto e esfíncter), que possui uma única camada tecidual de proteção, pois sua formação não capacita a entrada de nada, somente a saída das fezes.

O ânus tem um comprimento curto, que varia de 3 a 5 cm. Sua camada de proteção é brilhante e chamada de muco seroso, que possui esse aspecto por proteger a região contra o ácido corrosivo de digestão do estômago. Além disso, capacita o maior atrito dos alimentos para que eles demorem mais a passar pelo ânus e ainda é um tecido rico em absorção, que dá tempo para o organismo absorver as vitaminas das comidas.

E justamente por ser uma região rica em assimilação, facilita a absorção rápida de bactérias, levadas de fora para dentro, por meio de práticas como o sexo anal, por exemplo. Esses micro-organismos são levados pela corrente sanguínea para todo corpo, inclusive o coração. Isso pode gerar uma doença chamada endocardite bacteriana, que nada mais é que um foco de bactéria dentro do coração.

Além dessa complicação clínica, a prática frequente do sexo anal também pode levar ao câncer retal, pois como o ânus não é uma área de grande flexibilidade, o atrito excessivo do pênis nesta região pode gerar inúmeras feridas, que levam a células cancerígenas.

Portanto, é importante tomar algumas medidas para praticar o sexo anal com segurança.

Medidas preventivas para o sexo anal

As medidas preventivas não necessariamente evitam as duas complicações citadas acima, mas fazem com que seja mais difícil contrai-las, portanto, tornam a prática do sexo anal mais segura. No caso das mulheres, oriento que pratiquem com mais frequência o sexo vaginal, para dar tempo de cicatrizar a região do ânus após uma relação, evitando lesões celulares seguidas.

Para evitar a contaminação de bactérias, o uso da camisinha é indispensável para qualquer relação, não importa se é com um parceiro estável, pois nesse caso a prevenção não é só das Doenças Sexualmente Transmissíveis, mas também das bactérias que são levadas ao ânus. Antes de colocar a camisinha, também é preciso lavar as mãos, pois toda higiene é fundamental para evitar a contaminação da região por bactérias. A região anal também pode ser limpa antes da relação com um lenço umedecido.

1 – Lavagem no ânus antes do sexo não é aconselhada

Muita gente realiza uma lavagem no ânus antes da relação sexual, por meio de uma espécie de “chuveirinho”. No entanto, essa prática não é recomendável, pois o ânus possui uma mucosa de proteção e um PH próprio, que pode ser alterado com o uso da água neste local. Além disso, a água nessa região pode causar microlesões no tecido anal. Para quem não dispensa a prática, é preciso ter consciência de que pode haver um resquício fecal nessa região. Por isto, evite manter relações caso esteja com o intestino preso ou alguma vontade de evacuar.

Algumas pessoas ainda utilizam medicamentos com o intuito de fazer a lavagem intestinal antes do ato, mas isso com frequência também pode lesar as paredes do intestino. Portanto, essa prática deve ser evitada ou a pessoa deve buscar aconselhamento médico para ingerir de forma segura esses remédios.

2 – Lubrificantes à base de água são os mais seguros

Como a região anal é pouco flexível, é possível usar lubrificantes no ato sexual para ajudar a penetração, desde que os produtos sejam à base de água, sem espermicida. Outra possibilidade bastante eficaz e barata é utilizar gel aquoso de carbopol, que pode ser usado com preservativos, e é encontrado em farmácias de manipulação. O uso de sabonete, shampoo, condicionador, vaselina, gel, óleo ou similares para dilatar o ânus é definitivamente contraindicado. Além de facilitarem o rompimento da camisinha, as substâncias com álcool causam maior ardor na relação e podem irritar a mucosa anal.

3 – Homens possuem zona erógena no ânus e podem ter mais prazer

Este é o momento ideal para acabar com o preconceito que cerca o estímulo anal masculino. Afinal, o ânus do homem é uma região erógena, graças ao acesso à próstata, que se dá por ele. A próstata, por sua vez, é uma região extremamente vascularizada e inervada, que quando estimulada proporciona grande prazer. Portanto, anatomicamente falando, é muito mais natural o homem sentir prazer anal do que a mulher, que em contrapartida não possui nenhum sistema nervoso que causaria maior prazer, a não ser o fator psicológico de fetiche. Sendo assim, todos os homens que quiserem se permitir a essa prática, sem tensão, é bem provável que sintam um prazer muito grande e bem diferente de todos os outros já sentidos.

4 – Fisioterapia uroginecológica ameniza dor durante sexo anal

A fisioterapia uroginecológica pode auxiliar aquelas pessoas que desejam ter relação anal, mas possuem um esfíncter muito contraído e sentem dor no ato. Na realidade, é natural o esfíncter se contrair durante o sexo, pois a função dele é conter as fezes, mas quando a contração ocorre em excesso pode se tratar de uma tensão muscular que precisa ser trabalhada. Nesse caso, o fisioterapeuta utilizará técnicas manuais e com eletrodos para dilatar essa região.

Como já citei anteriormente, o sexo anal não é muito recomendado, mas trata-se de uma prática sexual e cada indivíduo deve ter a liberdade de praticá-lo da forma que se sentir mais à vontade, afinal, também não é saudável reprimir os desejos sexuais. Sendo assim, quem decidir realizar essa prática, pode experimentar trabalhar a musculatura da região para não sentir dor durante o sexo, por meio da massagem perineal ensinada aqui.

Outra possibilidade de fortalecer a região anal para evitar dor no sexo é utilizar um instrumento encontrado em sexyshop, parecido com um colar tailandês de pompoarismo, e gel lubrificante para aumentar a elasticidade dessa região. No entanto, se for possível, procure um fisioterapeuta ginecológico para esse intuito, que será muito mais seguro e eficaz do que tentar sozinho, pois assim como qualquer técnica médica existem algumas contraindicações, como, por exemplo, uma pessoa que já possui um histórico de hemorroida. Nesse caso, as técnicas citadas neste artigo precisam ser acompanhadas por um profissional.

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Roberta Struzani

Roberta Struzani

Terapeuta especializada em sexualidade e saúde ginecológica. Realiza atendimentos presenciais e online focados no autoconhecimento, na elevação da autoestima e na saúde do aparelho reprodutor feminino. Sua principal ferramenta de trabalho é o Pompoarismo. Saiba mais