Isabela Borges
Por Isabela BorgesLeia em 2 min.03/02/2020 

Como a relação com os pais impacta nosso amor-próprio

O caminho seguro para melhorar nossa relação com nós mesmos é curar a ligação com pai e mãe

Você já pensou no quanto a relação com os pais pode impactar a relação que você tem com você mesmo? Hoje, eu quero falar sobre a ligação entre você, seu pai, sua mãe e amor-próprio.

Como é para você a sensação ficar completamente nu, mesmo que você esteja sozinha (o), na privacidade do seu quarto, com a porta fechada? Como é sentir você dentro do seu corpo, assim como ele é, sem nada que o rotule, disfarce ou proteja? Como é ficar diante do espelho e se observar com toda a sua honestidade?

Talvez essa experiência simples seja muito desconfortável para muitas pessoas. Às vezes uma parte do corpo incomoda tanto: é gordurinha que ressalta, flacidez que aparece…

Criticar nosso jeito de ser, a maneira que nos comportamos diante dos outros, seja no relacionamento afetivo, de amizade, familiar ou profissional também pode gerar mal-estar. Reclamamos conosco, num lugar que só nós temos acesso, sobre nossas falhas, nosso jeito que atrapalha o fluir das nossas relações, o desempenho profissional, os papeis que desempenhamos no nosso dia a dia.

Criticamos nossa voz, nossa postura, nossas intransigências. Nos apropriamos até mesmo das críticas que recebemos dos outros.

E quando tentamos entender por que tudo isso acontece, chegamos à conclusão que nossa autoestima é baixa, que não temos amor-próprio e seguimos infelizes com quem somos.

Isso ocorre porque achamos que não estamos à altura de nossa própria expectativa.

De onde vem esses pesos? Será que podemos melhorar? Qual é o caminho? Fazemos muitas perguntas, mas quase nunca na direção da resposta que vai nos preencher e transformar.

É que esquecemos que, para estarmos aqui, vivos, encarnados, fazemos uma travessia de uma dimensão espiritual muito mais ampla para a terceira dimensão, que é material.

Para isso, segundo a alquimia resgatada por Joel Aleixo, precisamos escolher nascer e escolhemos nossos pais na medida perfeita para que tenhamos as experiências que nos propomos aprender nesta vida para evoluir. Ou seja, nossa relação com os pais tem ligação com nosso amor-próprio.

Como escolhemos nossos pais

Escolhemos, a princípio, nossa mãe nas condições geográficas, culturais, sociais e familiares em que ela vive. Tudo completamente alinhado com nossos propósitos evolutivos. E quando ela nos dá o sim, nosso pai se manifesta também.

Então, precisamos de um veículo físico para chegar nessa dimensão. Recebemos, junto com a vida, um material genético que vem deles juntamente com todas as histórias e experiências que eles trazem consigo e de muitos outros que vieram antes deles.

E finalmente chegamos aqui para essa grande jornada para aprender sobre o amor! É exatamente na relação com os pais, nesta primeira experiência imediata, que aprendemos a amar.

O amor do filho pelos seus pais é imensurável. É a primeira e o mais importante experiência que se tornará base de todas as outras vivências amorosas ao longo da vida.

Aqui coloco experiências amorosas como sendo todas as experiências de vida, abarcando todos os tipos de relacionamentos, inclusive o relacionamento que você tem consigo mesmo.

Bert Hellinger, em seu livro Ordens do Amor, diz que o filho, por amor aos pais, pode tomar para si as dores, os traumas, as dificuldades vividas pelo pai e pela mãe como tentativa nobre de poder, por meio do próprio sacrifício, curá-los, protegê-los da desgraça, expiar talvez suas culpas e tirá-los da infelicidade.

É dessa maneira que o filho traz para si muitos pesos familiares e enganos sobre a experiência amorosa. E quando esses recursos de ajuda aos pais não funcionam e se tornam doloridos, as críticas e os julgamentos começam a surgir.

Além disso, muitas vezes os pais, devido às suas próprias limitações, também não conseguem proporcionar ao filho a experiência amorosa completa, gerando traumas à criança. Adulto, o filho vai reforçar os padrões familiares já adquiridos.

Como curar o amor adoecido da relação com os pais

Esse amor adoecido reflete em nós em forma de autocrítica, não aceitação e toda gama de sentimentos que nos faz diminuir o afeto por nós mesmos, pois carregamos em todas as nossas células do corpo a presença constante e estrutural de nosso pai e nossa mãe e quando criticamos um ou outro, estamos também fazendo o mesmo conosco.

Portanto, o caminho seguro para aumentar nosso amor-próprio é curar nossa relação com nossos pais. Quando nos tornamos adultos, podemos reconhecer as limitações de nossos pais, compreender que não podemos carregar seus pesos e podemos aceitá-los exatamente como são.

Isso libera em nós o amor e podemos agradecer-lhes imensamente pela vida que nos foi dada. Podemos, enfim, olhar para nossos pais de forma mais amorosa e deixar o passado para trás, soltar os pesos que não são nossos e finalmente podemos fazer as nossas próprias escolhas daqui para frente.

Esta atitude faz com que olhemos para nós mesmos de maneira mais compreensiva, mais amorosa, mais resiliente. Descobrimos dentro nós novas dimensões do amor, novos valores, novas perspectivas de vida. Passamos a ter mais autocuidado e mais carinho conosco. Assim o amor próprio vai sendo construído e fortalecido a ponto de em algum momento transbordar e preencher nossas relações e experiências de vida.

Isabela Borges

Isabela Borges

Terapeuta especializada em terapias transpessoais e constelações sistêmicas. Trabalha com Astrologia, Tarot, Reiki e Forais Joel Aleixo em seus atendimentos para promover o autoconhecimento e o desenvolvimento pessoal. Atendimentos online via Skype.