Produtos de higiene e beleza interferem diretamente na saúde da mulher

Crianças e gestantes devem evitar usar cosméticos, defendem especialistas

Produtos de higiene e beleza interferem diretamente na saúde da mulher

Você sabia que a maioria dos produtos de higiene e beleza disponíveis no mercado contém em suas fórmulas químicas agressivas altamente prejudiciais à saúde? Substâncias derivadas de petróleo, chumbo, pigmentos e perfumes sintéticos são algumas delas, que estão diretamente ligadas a alergias, problemas hormonais, câncer de mama entre outros.

Uma pesquisa feita pela Bionsen, empresa de desodorantes naturais, constatou que a rotina de higiene e beleza da mulher moderna envolve 515 substâncias químicas sintéticas diferentes em seu corpo todos os dias. Outro estudo, realizado pela Universidade de Medicina de Kyoto, destaca que alguns parabenos considerados seguros, como o metilparabeno, podem sofrer mutações e se tornar tóxicos quando expostos à luz solar, causando envelhecimento da pele e aumento do risco de câncer de pele.

A rotina de higiene e beleza da mulher moderna envolve 515 substâncias químicas sintéticas diferentes em seu corpo todos os dias.

A exposição a estas substâncias nocivas já começa no ventre da mãe, quando organismo ainda está em formação. O resultado é percebido anos depois. Para Melissa Setubal, especialista de Saúde Integrativa da Mulher, estas fórmulas impactam profundamente no perfil hormonal de meninas e meninos, afetando inclusive a fertilidade. “As meninas passam a ovular e menstruar mais cedo e muitas vezes entram no efeito dominó a vida inteira. Ovário policístico, endometriose, miomas e TPM são alguns dos sintomas percebidos”.

Se a química destes produtos impacta o bebê ainda na barriga da mãe, você já pensou nos efeitos que traz quando usados diretamente na pele, cabelos e unhas de crianças e jovens?

É cada vez mais comum encontrar meninas usando base, sombra, rímel, batons e esmaltes. Quando pequenas querem repetir os hábitos da mãe que, por desconhecer os graves sintomas ocasionados por produtos aparentemente inofensivos, permite e até incentiva. Ao chegarem à adolescência procuram seguir os padrões de beleza que encontram nas redes sociais, buscando uma forma perfeita, porém irreal.

Conscientização começa pelos adultos

Para minimizar os efeitos nocivos é preciso transformar hábitos diários. No Ocidente a sociedade investe na recuperação da doença, quando poderia cuidar da saúde  para manter o corpo livre de enfermidades.

“Quando compramos produtos orgânicos, veganos e com práticas justas de produção (cruelty-free), estamos investimento na manutenção da saúde. Os produtos convencionais que têm agrotóxicos, hormônios e outras químicas vão causar, ou potencializar, sintomas”, destaca Melissa Setubal.

Pequenas escolhas representam, em larga escala, um investimento para as próximas gerações. Para Malu Paes Leme, Health Coach, “utilizar cosméticos convencionais diariamente acaba com a nossa saúde e a saúde do planeta. Precisamos ampliar o nosso olhar”. Algumas reflexões ajudam a encontrar caminhos a percorrer: “Como as minhas ações reverberam no mundo? Como estou contribuindo para as próximas gerações? Como eu quero viver a minha vida? Com saúde abundante ou com uma saúde precária?”.

Comece agora

Você já parou para pensar por que usa maquiagem? É importante entender a motivação para estes hábitos. A autoestima começa pela aceitação de nossas imperfeições. Para Melissa, ter um pequeno arsenal é o suficiente para se sentir cuidada. “Não precisamos usar maquiagem diariamente, mas eventualmente podemos brincar com a nossa imagem”.

Também é possível optar por alternativas naturais para cuidados diários de higiene, com preços mais acessíveis, para começar. Uma dica simples da nossa especialista é usar vinagre de maçã orgânico, óleo de coco e bicarbonato de sódio na limpeza da pele e cabelos.

  • Vinagre de maçã orgânico (não filtrado): é um ótimo tônico, principalmente para peles oleosas e mistas. Como usar: umedeça um disco de algodão ou toalha macia com água e molhe levemente no vinagre. Passe na pele depois de higienizá-la.
  • Bicarbonato de sódio: é ideal para minimizar os poros e equilibrar o pH da pele. Como usar: faça uma pasta com uma colher de sopa de bicarbonato e umedeça com algumas gotas de água e aplique no rosto.
  • Óleo de coco orgânico extra virgem: excelente para limpeza da pele e para retirar maquiagem, no lugar de sabonetes, que agridem e ressecam. Use uma colher de chá de óleo derretido, massageando todo o rosto, e retirando com um pano ou algodão úmido em água morna. Para hidratar os cabelos, faça uma máscara usando a quantidade necessária para espalhar em todo couro cabeludo e comprimento dos cabelos, prendendo-o por 30 minutos. Para evitar o frizz, passe nas palmas da mão um pouquinho do óleo, espalhando bem nas palmas e passando superficialmente nos fios com frizz.

De olho no rótulo

Para escolher uma maquiagem orgânica e vegana, leia o rótulo e verifique se a marca é certificada. Para Luisa Baims, fundadora Baims Cosméticos, diminuir a carga tóxica do corpo é tão importante quanto escolher uma dieta saudável. Plantas cultivadas organicamente produzem os mais puros óleos e extratos, livres de contaminação por herbicidas e pesticidas. “Não há muito sentido em usar extratos fitoterápicos terapêuticos se eles contêm resíduos tóxicos e químicos, certo?”, reflete a empresária.

A Baims Cosméticos – empresa certificada pela Ecocert, The Vegan Society e Peta – não incentiva o uso de maquiagem em crianças, por mais natural que seja. “As crianças são lindas como são e não deveriam usar nenhum tipo de maquiagem”, destaca Luisa. “Contudo, se quiserem brincar com maquiagem em casa, podem usar tranquilamente os nossos produtos, 100% naturais”.

Refletir sobre o que nos impulsiona ao consumo é ainda mais necessário quando percebemos que nossos filhos estão seguindo nossos hábitos. Que tal reformular suas escolhas?

Equipe Personare

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Nós, da equipe Personare, também estamos em um processo constante de conhecimento sobre nós mesmos, sobre o mundo e sobre as relações humanas.