Vanessa Tuleski
Por Vanessa TuleskiLeia em 3 min.03/12/2014 

O meu signo é serpentário?

Entenda o mito sobre a existência de um 13º signo no zodíaco

Eventualmente surgem polêmicas sobre a Astrologia e a mais recente foi a de que o eixo de rotação da Terra teria se alterado e, com isto, surgido mais uma constelação, chamada de Serpentário ou Ofiúco, que em grego significa “domador de serpente”. A informação causou agitação e dúvida entre o público apreciador da Astrologia, pois neste caso haveria pessoas pertencentes a um suposto novo signo. Será verdade? A resposta é não. Mas vamos explicar exatamente o porquê.

Signo Serpentário? Desvende esse mito

Para começar a desvendar essa questão, é importante entender que constelações são figuras geométricas formadas a partir de linhas imaginárias que ligam determinadas estrelas do céu. Suas formas e limites foram convencionados pelo homem. Culturas diversas, portanto, podiam atribuir formatos diferentes às mesmas constelações ou até mesmo criar divisões novas. Isso significa que as constelações têm tamanhos diferentes.

Para a Astrologia, as únicas constelações que interessavam eram aquelas que ficavam como “pano de fundo” da eclíptica. Mas o que é eclíptica? Há mais de dois mil anos, astrônomos egípcios e gregos conceberam que o Universo era uma grande esfera, que denominaram de Esfera Celeste. De acordo com este modelo, a Terra ocupava o centro da esfera, sendo cortada pelo Equador Celeste. Eles observaram que se marcassem sobre a Esfera Celeste a posição do Sol ao meio dia durante um ano, ele descreveria uma circunferência inclinada de 23 graus e 30 minutos em relação ao Equador Celeste. Esta órbita aparente do Sol na Esfera Celeste foi, então, denominada de eclíptica.

Como surgiram os doze signos

Este plano, então, a eclíptica, foi dividido em 12 partes iguais, que receberam os nomes das constelações conhecidas. E como isto foi feito? Convencionou-se que a primeira divisão desta imensa pizza começaria no primeiro dia da primavera no Hemisfério Norte – momento em que, após o inverno, o dia tem exatamente 12 horas e a noite também. Astronomicamente isto ocorre quando o Sol, caminhando na eclíptica, cruza o Equador Celeste.

Quando surgiu a Astrologia, a Constelação que se encontrava no começo desta tal pizza era de Áries, e foram assim que surgiram os signos astrológicos, que nada mais são do que a divisão exata da eclíptica em doze partes iguais, as quais não acompanham os tamanhos irregulares das constelações, tendo sido apenas inspiradas nelas.

Esta divisão, portanto, é perene na Astrologia e já foi feita há muito tempo. Isto significa que os signos astrológicos independem das constelações. Então é possível “lotear” o céu ao redor da eclíptica como quiser, criando constelações novas (isto é, novos desenhos e subdivisões), que isto não terá a menor influência no céu zodiacal, que já foi convencionado e estabelecido há muito tempo.

De qualquer forma, é interessante saber que a 13ª constelação, localizada ao lado de Escorpião, e que não fazia parte do caminho do Sol há mais de dois milênios, em nada desafia a própria concepção astrológica.

De qualquer forma, é interessante saber que a 13ª constelação, localizada ao lado de Escorpião, e que não fazia parte do caminho do Sol há mais de dois milênios, em nada desafia a própria concepção astrológica.

Do ponto de vista simbólico, é como se ela fosse um simples desdobramento de Escorpião, signo que é regido por este animal, mas que também tem ligação com a águia e com a cobra, sendo que a representação de Ofiúco é, justamente, a de um homem que segura uma serpente.

Se o céu astronômico já mudou, por que o meu signo astrológico é o mesmo?

Agora que você já entendeu que os signos surgiram a partir das constelações, mas NÃO estão ligados a elas, pois são divisões de 30 graus e sequer acompanham o tamanho real delas, vai compreender também como funciona a Astrologia Ocidental.

Precessão dos equinócios

O movimento para trás do eixo terrestre em relação à esfera celeste coloca o eixo norte apontando para diferentes estrelas no decorrer do tempo. Um ciclo completo dura cerca de 25.800 anos. Ao final dele, o eixo norte apontará para a mesma estrela novamente. Em razão deste movimento, o equinócio (data em que o dia e noite têm a mesma duração) de primavera passa a acontecer com a entrada do Sol em diferentes constelações da eclíptica. A este fenômeno foi dado o nome de precessão dos equinócios.

Quando a Astrologia surgiu, Áries estava no ponto inicial do zodíaco no céu. Mas hoje este ponto está sendo ocupado por Peixes, quase Aquário. Esta alteração ocorreu devido a um movimento conhecido desde a antiguidade como “precessão dos equinócios”.

A precessão dos equinócios faz com que se mude, a cada aproximadamente 2.160 anos, o signo que está no ponto inicial do zodíaco celeste, mas sempre caminhando em ordem contrária a da ordem dos signos (por isto o nome “precessão”). Desta forma, há cerca de dois mil anos, Peixes começou a ocupar esta posição, que agora está quase chegando em Aquário.

O significado da era de Aquário

É por isto que se diz que estamos na transição da era de Peixes para Aquário, cada uma com características próprias. De forma bastante resumida, podemos dizer que era de Peixes foi marcada pelo desenvolvimento de sistemas de crença e religiões, e também pelo embate entre elas. Já a era de Aquário, que ainda está apontando, trará o predomínio da tecnologia e, provavelmente, de um racionalismo maior, com a valorização do plano mental, típico deste signo.

Mas onde, nisso tudo, entra a Astrologia Ocidental, que é a que você conhece? Para a Astrologia Ocidental, não importa o signo que está no início do zodíaco celeste, pois o zodíaco sempre começa em Áries, cujo simbolismo remete a começos.

Para a Astrologia Ocidental, não importa o signo que está no início do zodíaco celeste, pois o zodíaco sempre começa em Áries, cujo simbolismo remete a começos.

Por estar ancorada nesta visão, ela não acompanha a precessão dos equinócios, desvinculando-se do céu real. Então, para ela, o seu signo jamais muda.

Existe uma Astrologia, no entanto, que considera a precessão dos equinócios, isto é, o céu real e não o simbólico, que é a Védica, praticada na Índia. Para esta Astrologia, se você nasceu no início de Peixes, por exemplo, significa que o seu signo verdadeiro é o anterior, Aquário. Se você nasceu, no entanto, no final de Peixes, será ainda pisciano. Mas é bom que se saiba que Astrologia Védica não só utiliza o céu real como tem também uma maneira muito diversa da Ocidental de interpretar os mapas. Trata-se de uma outra visão do indivíduo e, principalmente, do seu destino.

Então, o mito a se desfazer é que a Astrologia Ocidental está errada porque não leva em conta que muitas vezes um planeta não está na Constelação que se diz que ele está. Lembre-se sempre que ela não está baseada no céu real, e sim na divisão e ordem original dos signos. Mas qual a justificativa para isto?

Perfeição zodiacal

Os signos são muito mais do que um conjunto de características. São como doze cores únicas, cuja ordem não é nada aleatória. Por exemplo, ao estudar a fundo a simbologia de cada signo, vamos descobrir que nenhum pode estar tão associado a começos quanto Áries. E por quê? Porque Áries pertence ao elemento Fogo e ao ritmo Cardinal. Quando se fala em signo do Fogo e Cardinal este só pode ser Áries, porque Leão é Fogo, mas o ritmo é Fixo. E Sagitário é Fogo, mas o ritmo é Mutável. E assim se passa com cada um dos doze signos. Não existem dois signos com elemento e ritmo idênticos.

O Fogo é o calor e também um elemento transformador em essência. Ele aquece, transmuta ou destrói. O ritmo Cardinal, por sua vez, é aquele associado aos começos e à tomada de iniciativas. Desta forma, Áries é o calor que se torna fagulha, o começo por excelência.

No entanto, se a fagulha não se firmar, o fogo irá apagar. Por isto, depois de Áries vem Touro, que não por acaso pertence ao ritmo Fixo, da conservação, e ao elemento Terra, associado à materialização. Representa, portanto, algo que se estabilizou e se materializou. É o surgimento material do Universo após a grande explosão, o big bang, que é Áries.

Sabemos que depois que a matéria surgiu, ela começou a se expandir, a se espalhar no espaço. Aqui chegamos a Gêmeos, pertencente ao Ar, elemento ligado ao espaço e ao ritmo Mutável, que tem a ver com movimento. Diz-se que o Universo está em uma lenta, mas contínua expansão.

Com o tempo, por sua vez, isto foi criando a vida, a fertilidade da vida. E com isto continuamos o zodíaco, um sistema perfeito, que explica a vida e todos os ciclos. Tudo começa em Áries, com o frisson dos começos, vai para Touro, se estabilizando, é negociado e modificado sutil e continuamente em Gêmeos e assim por diante, passando por cada um dos doze signos.

Portanto, não há equívoco em ter mantido Áries como um eterno primeiro signo, independente do céu real, tendo em vista que a Astrologia surgiu no Hemisfério Norte e Áries esteve associado à primavera, que é o despertar da vida, da força e da luz, rompendo a escuridão do inverno. Olha o elemento Fogo de Áries aqui! A primavera é também o reinício e convida à atividade, em pura ressonância com o ritmo Cardinal.

Serpentário: polêmica pode favorecer melhor compreensão da Astrologia

Ainda que envolta em polêmicas, várias delas esclarecidas se o leigo decidir se aprofundar, o melhor da Astrologia é proporcionar autoconhecimento e uma compreensão mais ampla do universo que nos cerca.

Ela pretende oferecer seu próprio mapa interno, o encontro consigo mesmo. Raramente paramos para pensar na bênção que é poder conhecer tanto de nossas motivações e mistérios somente porque podemos estudar e entender o céu que estava sob nós quando viemos ao mundo. O céu revela, mostra, fala. E nós sempre podemos escolher como usar o conhecimento que obtemos com a Astrologia.

Vanessa Tuleski

Vanessa Tuleski

Vanessa Tuleski mora no RJ e dá consultas astrológica-terapêuticas pessoalmente ou à distância, focando no que o céu tem a dizer, mas também no que o livre arbítrio pode fazer.