Karin Fromm
Por Karin FrommLeia em 3 min.08/09/2009 

Nós testamos: sling

Vantagens e desvantagens de usar carregadores de pano para transportar bebês

Mães de primeira viagem ou já com grande bagagem tem se deparado com uma mesma dúvida: usar ou não slings para carregar seus bebês? A fisioterapeuta Karin Fromm, especialista Personare, compartilha suas percepções.

“Posso dizer que minha experiência com slings tem sido maravilhosa.

Começamos a usá-lo praticamente desde o primeiro dia em que chegamos da maternidade. No comecinho mesmo usava só dentro de casa para que eu e o Frederico pudéssemos nos acostumar. O jeito certo de colocar e encaixar o bebê, no começo requer um certo treino, depois fica automático.

Logo nos primeiros dias descobrimos que o sling era uma das poucas coisas, senão a única coisa, que realmente amenizava as cólicas do bebê. Tinha um horário certo, todas as noites começava o drama. E só melhorava quando colocávamos o Frederico no sling e andávamos pela casa.

Depois vieram os primeiros passeios na rua, ainda deitadinho, quase invisível lá dentro, muita gente nem sabia que carregávamos um bebê, o que eu achava ótimo, pois um bebê recém nascido não pode ser exposto a muitos estímulos. Nesses primeiros meses o sling tem uma ótima função: além do transporte, ele nos permite amamentar fora de casa com muita discrição. O sling dá privacidade, protege bem contra o frio, o Frederico tirava longas sonecas nos passeios.

A sensação é maravilhosa, sentir o corpinho do seu filho ali, pertinho, quentinho, se movimentando com o seu. O nosso pediatra sempre incentivou bastante o uso do sling, ele diz que o ritmo da marcha humana favorece muito o desenvolvimento neuromotor dos bebês. Não sei se foi por isso, mas a motricidade do Frederico é excelente.

Depois de uns meses, quando ele já sustentava o pescoço começamos a usá-lo com o Frederico na posição sentada, olhando o mundo de frente. Ele adorava, via o sling e ficava feliz, demonstrando que queria entrar. Todo mundo na rua brincava com ele, achava curioso. Eu sentia que ajudava muito na interação dele com o ambiente, o bebê continua sendo carregado, mas não é tão passivo como no carrinho, onde o contato com a mãe e o meio se perde um pouco.

Outra grande vantagem do sling é que ele ocupa pouquíssimo volume, você pode entrar e sair de qualquer lugar, até pegar ônibus com muita facilidade, além de ter as duas mãos livres. Até louça com ele “pendurado” eu lavava.

As posições foram mudando conforme ele foi crescendo. Hoje, já com 11 kg, usamos com ele sentado de lado, distribuindo o peso também na nossa bacia. O pai dele também gosta bastante de usar, nas férias compramos um sling aquático, com tecido próprio para entrar na água, mas não deu muito certo porque o Frederico ainda se assusta com o mar.

Acho que a única desvantagem é que o uso do sling se torna difícil nas caminhadas um pouco mais longas, ou quando você tem que carregar algum outro tipo de volume ou peso além do seu bebê. Depois de um certo tempo, nossa coluna e ombros começam a reclamar do peso.

Várias mães já me falaram que seus filhos não gostaram ou não se acostumaram ao sling. Tenho impressão de que o segredo é começar a usá-lo desde bem cedinho. Quanto mais cedo, mais natural é para os dois, porque ainda temos a lembrança corporal de carregá-los na barriga e eles de andar conosco para todos os cantos.

O uso do sling tem sido cada vez menos frequente pois o Frederico já está andando bem, e gosta muito de andar sozinho, até grita de alegria ao andar. E eu tenho quase certeza de que ele se movimenta com tanto prazer e independência por causa do sling! Algumas pessoas diziam para mim que não era bom acostumá-lo muito a ficar no colo, pois o bebê poderia ficar muito grudado. Mas a minha experiência mostrou o contrário!”

Karin Fromm

Karin Fromm

Fisioterapeuta e psicoterapeuta, atualmente estuda medicina ayurvédica. Atende em consultório particular em São Paulo e mantém um blog sobre saúde e prazer.