Priscila Correia
Por Priscila CorreiaLeia em 3 min.05/08/2015 

Nós testamos: ensinar Educação Financeira brincando

Lições sobre dinheiro podem ser transmitidas para crianças em atividades lúdicas

Nós testamos: ensinar Educação Financeira brincando

Basta que o bebê comece a engatinhar para nós, mães, ficarmos preocupadas com qualquer item pequeno ou peça fora do lugar que ele possa colocar na boca, causando uma possível asfixia. Eu ficava muito preocupada, mas por conta desse zelo surgiu uma ideia simples para evitar que meu pequeno colocasse moedas na boca, lembrando que estas são umas das campeãs em asfixia infantil.

Estou relatando isso porque, hoje, gostaria de compartilhar sobre o primeiro teste que fiz para ensinar uma lição ao meu filho, que acabou funcionando como uma estratégia de Educação Financeira.

As moedas passaram a ter valor de tesouro nas historinhas e na diversão sempre supervisionada, claro.

Criança é rápida e a gente tem que ser mais rápida. Por volta dos 10 meses, meu filho, pegou a primeira moeda que caiu do meu bolso. Automaticamente encontrei um cofre que estava bem próximo e sugeri a ele que fizéssemos uma brincadeira: ele tinha que acertar a moeda no buraco do cofre, o que não era nada fácil. Mas diversão para bebês é fazer algo difícil aliado a sons engraçados. E foi o que fiz. Sempre que ele errava, eu dizia “Opa!” e ele gargalhava, fazendo nossa brincadeira durar alguns minutos e me custar cinco reais em moedas pequenas e maiores, o que acabou se tornando o primeiro incentivo para o cofre engordar.

Como aquele cofre era de barro e poderia quebrar com facilidade, no dia seguinte comprei um de plástico e demos início à brincadeira de forma mais organizada. As moedas passaram a ter valor de tesouro nas historinhas e na diversão sempre supervisionada, claro.

Brincadeira pode virar coisa séria

Por volta dos dois anos, o cofre dele já estava bem cheio e comecei a transformar a brincadeira em coisa séria. Meu filho queria ganhar um herói de presente, mas como tinha comemorado aniversário há pouco tempo, ganhando dezenas de brinquedos, eu não queria presenteá-lo com mais nada. Na verdade, procuro não comprar brinquedos durante o ano, afinal as crianças recebem tantas coisas no aniversário e Natal, que acabo guardando muitos pacotes para abrir ao longo do ano para que ele valorize cada item separadamente e se divirta brincando de verdade com cada um.

Sou adepta da filosofia de que “quem muito tem, não valoriza o que tem”. Crianças, especialmente, são extremamente influenciadas por comerciais de televisão e acabam se sentindo estimuladas a pedir brinquedos e jogos o tempo todo. Enfim, tudo isso para dizer que transformei o pedido frequente dele para ganhar um Capitão América em uma primeira lição financeira.

Abrimos o fundo do cofre, contamos juntos todas as moedas e descobrimos que tínhamos o suficiente para escolher um boneco na loja de brinquedos. Existiam no local cerca de seis modelos diferentes com os mais variados preços. Ele acabou escolhendo um dos mais econômicos e ainda lhe sobraram algumas moedas, que foram devolvidas ao cofre.

Passada essa primeira experiência e a euforia de ter conseguido pagar por seu próprio brinquedo, ele começou a pedir para que o cofre dele ficasse cheio mais rápido e ele pudesse criar uma lista de desejos. Mas nem tudo seria tão fácil como antes, agora ele já era maiorzinho para entender e já estava compreendendo o valor das moedas e o que ele podia, de fato, fazer com elas.

Como uso o quadro de recompensas desde os 2 anos, juntando estrelinhas toda vez que ele se comporta bem, não quis misturar a questão financeira com isso, mesmo porque acredito que comportamento não se paga com moeda. Se ele não dá escândalo, não quer dizer que mereça uma moeda, afinal, não gritar e não machucar ninguém são coisas que deve fazer naturalmente, sem receber pagamento por esse feito.

não machucar ninguém são coisas que deve fazer naturalmente, sem receber pagamento por esse feito.

Já contei em um post do meu blog, que as estrelinhas foram a forma que eu encontrei para valorizar os dias em que ele permanece bem comportado e tranquilo e, ao conquistar 5 ao todo, fazemos um programa especial, brincamos ou cozinhamos juntos. Sempre uma atividade bem divertida, mas que não envolve nada comercial.

Moedas podem servir como pagamento de tarefas

Mas de que forma inseri as moedas na vida dele? Da mesma forma que usamos na vida dos adultos. Se ele completa bem uma tarefa, recebe um pagamento por ela. Entre as atividades que merecem pagamento estão: ajudar na limpeza da casa, preparar artigos de papelaria ou comidinhas para a festa dele, seguindo o “cronograma” que eu passo, guardando as roupas passadas no armário dele, etc. Ou seja, atividades que devem ser ensinadas às crianças e precisam se tornar padrões, mas não são comportamentais, e sim organizacionais.

E mais: nada disso é militarizado, tudo é bem leve e descontraído, porque para ele é uma grande brincadeira. Hoje em dia, ele mesmo fala: “eu não mereci estrelinhas hoje” ou “eu não fiz essa tarefa bem feita”. Ou se eu falo mais alto ou estou estressada, também perco estrelinhas. Afinal, todos erramos e assumir nossos erros é importante, já que eles aprendem mais com exemplos do que com regras.

Para concluir, há bem pouco tempo, ele conseguiu comprar seu segundo brinquedo, exatamente 1 ano depois do primeiro, pois nem sempre temos tarefas e demoramos a encher o cofre dele, mas a maior recompensa disso tudo somos nós que recebemos. A alegria que ele transmite é a mesma que sentimos quando fazemos a primeira compra depois de ganharmos o primeiro salário. A satisfação e o valor daquele brinquedo ganham um poder muito maior, se tornam uma conquista individual. Vale a pena investir nisso, literalmente!

Priscila Correia

Priscila Correia

É mãe do Theo, de 3 anos, jornalista, curiosa, festeira e fã de pesquisa, piquenique, viajar em família e muita brincadeira ao ar livre. Também é autora do blog http://aventurasmaternas.com.br/