Moda consciente: como você escolhe suas roupas?

Vista quem você é, não quem as vitrines lhe obrigam a ser

Moda consciente: como você escolhe suas roupas?

Quem nunca se pegou vendo fotos do passado e rindo das roupas que usava? Quem nunca se deparou com uma foto de 10 ou 15 anos atrás e quase não se reconheceu? Ao longo de uma vida, nossas escolhas, leituras e desejos pouco a pouco vão se transformando. Vamos vivendo e amadurecendo e a cada dia construímos uma história de inúmeras mudanças de pensamentos e posturas. São nossas experiências que ditam nossos valores, que contam quem somos e o que vivemos. Sendo assim, é muito natural que nossa imagem também passe por todas essas mudanças. Com isso, você entende que aquele seu jeans rasgado, lá da adolescência, simbolizava toda sua necessidade de romper com padrões, e que hoje esse seu corte de cabelo, mais moderno e despojado, representa todo seu desejo por praticidade e independência.

São nossas experiências que ditam nossos valores, que contam quem somos e o que vivemos.

Conscientes ou não, nossas roupas e escolhas de consumo traduzem tudo aquilo que está permeando nossas mentes e corações. Mesmo que não seja uma pessoa consumista e não se preocupe em “estar na moda”, todos os dias você escolhe entre usar a camiseta X ou Y e, querendo ou não, esta peça de roupa, por mais simples que seja, lhe representa. Ou seja, moda é, sim, uma potente forma de expressão pessoal. E se você souber usá-la a seu favor, ela pode ajudá-lo a construir uma imagem autêntica e que abre caminhos e oportunidades muito positivas para seu relacionamento com o mundo e com você próprio. Ocorre que, vivendo em uma sociedade tão voltada ao consumo, como a que vivemos hoje, vale aqui a reflexão: a mensagem que você está transmitindo através das suas roupas representa sua identidade ou sua necessidade de aprovação? No fundo, todos nós queremos nos sentir amados, mas esse seu desejo está acima de tudo?

nossas roupas e escolhas de consumo traduzem tudo aquilo que está permeando nossas mentes e corações

Indústria da moda e a cultura do descarte de roupas

O outro lado da moeda está em pensar: quem fez minhas roupas? De onde elas vieram? A indústria das roupas que consumimos hoje, assim como a dos calçados, móveis, carros, celulares e quase tudo que consumimos em nosso dia a dia, está voltada para a criação e fabricação de produtos que são feitos para serem descartados.

Sendo assim, esses produtores dedicam seu marketing em vitrines, anúncios, revistas e novelas para que você se sinta sempre “fora de moda” e necessite comprar de novo, de novo e de novo. Sem contar na qualidade das peças de vestuário que diminuem a cada dia. As lojas de departamento espalhadas por todo Brasil oferecem a moda que queremos usar hoje, com um preço quase irresistível. Mas, você já parou para pensar qual o caminho que esta peça percorreu? Como foi que aquela camiseta chegou à loja por apenas R$ 19,90?

Muito provavelmente você já ouviu algo a respeito de denúncias de trabalho escravo e da degradação do meio ambiente na indústria da moda. Então, lhe convido a pensar: como você tem escolhido suas roupas? Pense sobre o caminho que ela percorreu até chegar às suas mãos e sobre o caminho que ela percorrerá quando você descartá-la.

como você tem escolhido suas roupas? Pense sobre o caminho que ela percorreu até chegar às suas mãos e sobre o caminho que ela percorrerá quando você descartá-la.

É importante lembrar que por trás de uma simples camiseta existe toda uma cadeia produtiva, que inicia com o cultivo da matéria-prima, passa pela preparação do fio, tecelagem, tingimento, criação, modelagem, costura, acabamento, embalagem, transporte, até chegar às vitrines, vendas e entrega ao cliente. Você realmente acredita que R$ 19,90 pagam por todos os custos envolvidos? Com certeza, produtores ganharam menos do que deveriam e provavelmente os processos produtivos foram acelerados, resultando em baixíssima qualidade de produto. Sem contar que com baixo preço de venda, as marcas precisam vender em maior quantidade para atingir metas financeiras, logo os consumidores são convidados a comprar mais e mais o tempo todo. Assim, você deve ter em seu guarda-roupa um bom número de peças que danificaram na terceira ou quarta lavagem, ou que usou apenas duas ou três vezes e descartando, porque comprou outras mais legais.

Por mais que tenha o hábito de participar de bazares de troca ou de doar roupas para pessoas mais necessitadas, cada um dos produtos que consumimos, cedo ou tarde, torna-se lixo. E no caso de produtos de baixa qualidade, a vida útil desse produto é ainda menor, logo, este passará muito mais tempo em descarte e decomposição do que em uso.

Precisamos, urgentemente, passar a escolher melhor, saber as marcas que oferecem produtos de melhor qualidade, de mais durabilidade, e que não façam uso indevido de mão de obra ou recursos naturais. Precisamos de um guarda-roupa com menos peças e com mais representatividade.

Pense sobre o que sua imagem está comunicando hoje, sobre como você verá suas fotos daqui a dez anos. A melhor dica de moda que posso dar, hoje, é: vista quem você é e não quem as vitrines querem lhe obrigar a ser. Faça escolhas conscientes e represente sua essência. Não há nada mais estiloso do que ser quem você nasceu para ser.

Keka Ribeiro

Keka Ribeiro

Formada em Design de Moda, é especialista em moda sustentável. Atua em marca própria, desenvolvendo ações sociais e coleções temáticas através do conceito de vestuário ecofriendly.