Histórias inspiradoras de empreendedoras de sucesso

Conheça 3 mulheres que largaram seus empregos para investir no que amam

Em tempos de crise é bastante comum que o desânimo bata à nossa porta. A dificuldade está em quase todos os lugares, seja no trabalho, nos noticiários, nos posts das redes sociais, nas compras do mês ou nas conversas informais. Parece que não estamos livres da crise nem na hora de ir dormir, quando os pensamentos por muitas vezes tiram nosso sono e paz interior. Porém, é importante que a gente acredite que podemos, sim, gerar nossas próprias soluções. Para lhe ajudar nesta jornada, nada melhor que conhecer histórias de sucesso que motivam e inspiram.

Como coach e consultora de carreira, escolhi contar um pouco sobre o percurso de pessoas que tive a feliz oportunidade de conhecer e, de alguma forma, apoiá-las em seus processos. Não foi nada fácil selecionar apenas três relatos, já que meu dia a dia é tomado por histórias tão interessantes e especiais.

Para me ajudar nessa escolha difícil, usei como critério falar sobre mulheres que estão engajadas com questões do feminino. A ideia é justamente inspirar outras tantas que estão buscando um novo caminho para suas vidas e não sabem muito bem como, especialmente nesse momento de crise, no qual muitas vezes nosso foco acaba se direcionando aos problemas e não às soluções.

Aproveitando o ensejo, vou citar aqui uma figura muito inspiradora, que é o bengalês Muhammad Yunus, de 76 anos, que recebeu o prêmio Nobel da Paz. Em sua última passagem pelo Brasil, deixou a seguinte mensagem: “Não chore por estar desempregado, crie seu emprego”.

“Não chore por estar desempregado, crie seu emprego”.

Ainda durante sua palestra no país para empreendedores e acadêmicos, conclamou todos a saírem de suas zonas de conforto para buscar soluções criativas e também criar postos de trabalho numa economia em crise. “Temos que incentivar os jovens a serem criativos. É esse o caminho para o surgimento de empreendedores sociais”, disse. Yunus ainda enfatizou que é importante ter em mente não apenas a possibilidade de procurar trabalho, mas a de criar oportunidades de trabalho. Inspire-se nas histórias de quem fez exatamente o que Muhammad Yunus prega.

Bruna Carvalho, proprietária da Dona Chica Slingueria

Bruna Carvalho chegou até mim num momento muito especial e transformador da minha vida: quando me tornei mãe e direcionei parte da energia do meu trabalho para atender outras mães. Nessa época, a Bruna foi a uma roda de pós-parto que eu mediava, cuja ideia era falar sobre as transformações e os desafios da maternidade. E isso incluía, é claro, a volta ao trabalho depois do bebê nascer.

O processo de transformação pessoal da Bruna, assim como o de muitas mulheres, começou após a maternidade e veio com tudo. Foi intenso e avassalador, como ela mesma diz. A Bruna é bióloga e trabalhava com pesquisa científica. Tinha cursos, doutorado, pós-doutorado na bagagem, até que a maternidade a virou do avesso e o seu olhar para o mundo mudou, desde a gestação.

Seu bebê nasceu. Quando viu, estava mergulhada até o ultimo fio de cabelo no mundo da maternidade. E a volta ao trabalho era um fantasma que a assombrava. Uma das coisas que mais incomodava era a correria que vivia antes de ser mãe. Ela já não via sentido em passar 3h por dia (ou mais) se deslocando para o trabalho. E questionava: “onde meu filho se encaixaria naquela rotina de antes? Qual a recompensa de toda aquela correria? Qual o meu prazer e realização em tudo isso?”.

Em meio a tudo isso, fez alguns carregadores de bebê (slings) para ela, que logo foram um sucesso entre as amigas dessa nova jornada. Quando se deu conta, tinha uma oportunidade de negócio na sua frente, com um bebê de 3 ou 4 meses. Essa era a chance de dar o passo que a tiraria da carreira antiga e a colocaria no caminho do empreendedorismo. A Bruna conseguiu tornar um interesse pessoal, os slings até então feitos para as amigas companheiras de puerpério, em um negócio.

Além disso, ela entendeu que não queria romper com uma carreira para ficar em casa, apenas. Queria mais tempo com o filho sim, mas ainda não era apenas isso. “Criança cresce, e depois?”, ela refletia. Eram muitas questões. Para Bruna, a autonomia financeira era extremamente importante para se sentir livre. Sim, ela teve muito medo de seguir esse caminho. Mas, felizmente, hoje, um ano e meio depois, Bruna é um exemplo de sucesso. Sua empresa, a Dona Chica Slingueria, deu tão certo que alcançou clientes por todo país através de sua loja virtual. Lá, as mamães encontram diversos modelos de carregadores de bebê, como slings de pano e até produtos mais estruturados, como a chicachila, que se assemelha aos conhecidos “cangurus”, só que respeita o corpo e a fisiologia do desenvolvimento do bebê. Tudo muito novo no mercado brasileiro.

Para que tudo isso continue dando certo, Bruna vem estudando, aprendendo a gerenciar a empresa e a organizar seu tempo para ter qualidade de vida com sua família, mas sem deixar de oferecer um serviço que deixe seus clientes satisfeitos. Ou seja, ela mudou completamente e prosperou. E hoje se sente feliz com suas escolhas, além de ter se tornado uma inspiração para outras mulheres.

Ana Mansur, coach de propósito de vida

Ana Mansur é uma psicóloga e coach de propósito de vida, com foco em mulheres. Hoje ela se apresenta assim, mas nem sempre foi desse jeito. Há alguns anos ela era aquela profissional que tinha toda uma carreira promissora pela frente, mas estava super insatisfeita com a vida que levava. Trabalhava no setor de Recursos Humanos de uma grande empresa, recebia um excelente salário e tinha uma certa estabilidade. O que mais poderia querer?

No entanto, Ana estava triste, ia com vontade de chorar para o trabalho. Faltava sentido no que fazia e sua vida como um todo estava pagando o preço. Ela não tinha tempo para cuidar de si, pois gastava as horas livres para se deslocar até o trabalho. Quando eventualmente sobrava um tempo, se sentia tão cansada que não tinha energia para fazer nada. Ana conta que a sensação era a de que morria um pouquinho a cada dia. Pesado, não é mesmo? Sentia que estava chegando ao limite, não aguentava mais a vida que estava levando e não queria acreditar que aquilo era o máximo que poderia ter. Apesar de não gostar mais do que fazia, também não sabia o que queria fazer.

Foi nesse momento que retomamos o nosso contato. Tinha sido chefe dela anteriormente, quando ainda atuava na área de RH, e ela sabia que eu havia largado tudo para trabalhar com direcionamento de carreira. Ela, então, resolveu arriscar para ver se “esse tal de Coaching” a ajudava com essa insatisfação.

Foi nesse processo que Ana percebeu o quanto sua vida estava sem sintonia com quem ela queria ser, com o que achava certo. Por meio do coaching, teve mais clareza do quanto toda sua vida estava desequilibrada. Não só o seu trabalho, mas praticamente todas as outras áreas também. E foi aí que ela encontrou sentido em virar autônoma, usar mais sua formação em Psicologia e ver o resultado do seu trabalho na vida das pessoas. Ana queria fazer diferença no mundo.

Assim, largou seu emprego formal e começou a oferecer terapia e coaching para mulheres. Hoje ela tem certeza que o seu propósito enquanto profissional é ajudar mulheres a viverem a história que desejam contar. Isto é, ela ajuda pessoas que estão insatisfeitas com a vida que estão levando, assim como ela própria já esteve um dia. A Ana hoje, mais do que nunca, ama a vida que tem, o seu trabalho e sua forma de atuação. Isso quer dizer que a vida dela é perfeita e sem problemas? Claro que não! Mas significa que ela tem clareza para onde quer ir e o tipo de profissional que deseja ser, sem deixar de lado todas as outras áreas da sua vida.

E eu tenho muito orgulho de ter, em parte, acompanhado essa transformação na vida da Ana, principalmente pelo fato de termos feito escolhas muito parecidas. Digo que ela foi a minha “pupila”, mas que hoje cresceu e tomou seu próprio caminho.

Ursulla Araujo, criadora da Carioteca

Essa carioca chegou até meu consultório no início da minha carreira de coach, depois de viver 15 anos fora do Rio de Janeiro – ela já tinha morado em outro estado (Rio Grande do Sul) e até em países como Irlanda, Inglaterra, Espanha e EUA. Naquele momento, Ursulla tinha muitas ideias e vontade de fazer coisas diferentes. Após 12 anos de experiência no mercado corporativo, começou a se questionar e a buscar um novo caminho, algo que fizesse sentido em sua vida. Segundo ela, foi a partir do processo de coaching que começou a enxergar que era possível empreender num formato diferente de empresa, de parceria e de sociedade.

Começou, assim, sua busca por esse tal caminho, mas tendo como foco seus valores e propósitos. Foi aí que ela se apaixonou pelas novas economias, como por exemplo, a economia circular, colaborativa, criativa… Baseadas em valores bem diferentes da economia estritamente capitalista que a gente vive. Além disso, Ursulla passou a vivenciar um processo mais profundo de autoconsciência e autoconhecimento, que trouxe à tona um lado adormecido e negligenciado por ela até então, o da força do feminino.

Por ter sido criada pelo seu pai, através de um modelo bastante masculino, percebeu essa desconexão e começou uma busca pelo resgate do feminino, trabalhando e militando por causas feministas. Afinal de contas, vivemos num modelo capitalista que é muito machista, injusto e incoerente com as mulheres. E a nova proposta de economia colaborativa tem muitos desses valores femininos (como o cuidado, a empatia, a determinação e o amor) – não exclusivamente do gênero, mas principalmente do arquétipo feminino que todos nós, mulheres e homens, temos.

Essa mudança de paradigmas deu a Ursulla a feliz oportunidade de iniciar uma nova carreira. Assim surgiu a Carioteca, uma estimuladora de comportamento colaborativo. Por meio da facilitação de consultorias e processos participativos, inclui e envolve indivíduos, numa nova forma de relacionamento para pessoas ou organizações, na qual o diálogo é um criador de pontes para essas relações.

Hoje a Carioteca é um exemplo de sucesso que atende clientes de formas e tamanhos diversos. Pela força do empreendedorismo que Ursulla inclusive prega no seu dia a dia, é possível enxergar mais uma lição ensinada por Muhammad Yunus: todo ser humano é empreendedor, só precisa de espaço e estímulos para empreender. Fascinada pelo tema, Ursulla também acredita que as pessoas podem gerar suas próprias oportunidades na carreira.

Clique aqui e saiba mais sobre a Carioteca, este projeto tão inspirador.

E agora? Está esperando o que para sua mudar sua vida também? Lembre-se que só uma pessoa pode criar oportunidades para sua vida: você. Basta acreditar em si e correr atrás dos seus sonhos.

Amanda Figueira

Amanda Figueira

Psicóloga, coach e consultora de carreira. Possui formação em Reiki e Pranic Healing, atua também como terapeuta holística. Atendimento presencial e online.