Celia Lima
  • Por Celia Lima
  • Leia em 4 min.
  • 29/04/2014
  • Atualizado em 22/07/2019 às 20:37

Filhos prejudicam a relação?

Quando a família aumenta, é preciso saber lidar com essa transformação

Quando a família aumenta, é preciso saber lidar com essa transformação

Filhos prejudicam a relação?

A vida da gente é toda feita de ciclos. Normalmente a passagem de um ciclo para outro é feita de forma gradual. As transformações não acontecem de uma hora para outra, elas “vão acontecendo” até que se estabeleçam em definitivo. É assim da infância para a adolescência, para a vida adulta, para a maturidade e velhice. Mas existem coisas para as quais não há um preparo, elas simplesmente acontecem e é o dia-a-dia que nos ensina como transitar pelas novidades.

O casamento é assim: por mais que mães, tias, avós e amigos nos encham de conselhos e por mais que tenhamos o exemplo de nossos pais, cada experiência é única. Conhecemos bem nosso par, mas vamos perceber que existe um universo a ser descoberto nas manias de cada um, nos gostos e hábitos. Tudo vai se ajustando aos poucos até que o casal tenha sua própria dinâmica.

Esse período de ajustes e reconhecimento pode ser entendido como uma outra fase do namoro. A intimidade ganha força e percebe-se que estar junto todos os dias pode ser muito divertido e ao mesmo tempo muito instrutivo. Divisão de tarefas, de despesas, negociar passeios, respeitar o espaço e a individualidade, tudo isso faz parte de um aprendizado e encaminha o casal pra um outro nível de maturidade. Normalmente o que ocorre depois de um tempo – e cada casal tem o seu tempo – é o desejo de ter filhos.

Começa aí uma nova fase do casamento e podemos dizer que o casal começa a “namorar” a ideia. A gravidez é um período que prepara o casal para a ideia de ter um bebê. Mas ter um bebê do lado de dentro do corpo é obviamente completamente diferente de tê-lo nos braços.

Tudo numa relação pode sempre promover o aprofundamento das emoções e da cumplicidade – e os filhos são parte desse processo.

O casal passa por outra adaptação, a rotina conhecida é transformada e o senso de responsabilidade ganha um novo contorno. Ouvimos muitas frases que podem ser completamente desanimadoras: “Filhos atrapalham a harmonia do casal”,”Tudo gira em função dos filhos”, “Depois dos filhos nossa intimidade nunca mais foi a mesma”.

Que tal pensar em “transformação”? Claro que a relação se transforma e o casal pode aprender a namorar também o novo panorama doméstico, dando continuidade ao eterno aprendizado. Para onde se pode lançar um olhar generoso, que abra novas portas para acolher com alegria e satisfação a presença dos filhos em nossa vida?

  • Não acredite que você sabe tudo. Na verdade não sabemos quase nada e é importante ouvir as considerações de seu par. Vocês terão ainda mais oportunidades de se conhecer depois que os filhos chegam.
  • Crianças também são sinônimo de “mão-de-obra”, eles precisam de cuidados objetivos que podem e devem ser partilhados. O casal pode se descobrir muito mais solidário depois dos filhos.
  • Aproveite a presença dos filhos para revisitar sua própria infância. Perceba que existe uma criança adormecida dentro de vocês – que acaba de despertar quando se entregam às brincadeiras.

Nunca pensem que estão impedidos de namorar porque agora existem os filhos! Crianças não tem o poder de acabar com o desejo, com a libido de seus pais. É um peso muito grande para os pequenos serem responsabilizados pela diminuição do romantismo entre vocês. E eles não são desculpa para o afastamento íntimo do casal.

  • Dialoguem muito sempre que perceberem certo distanciamento entre vocês. Não acredli que os filhos sejam os responsáveis por suas dificuldades pessoais.
  • Não deixem de se tocar, se abraçar ou se beijar só porque os filhos estão presentes. Ao contrário, é importante que eles sintam que há amor e interesse entre vocês, isso lhes dará referências positivas quando chegar a vez deles.
  • Aproveite situações do cotidiano que envolvem as crianças para namorar: enquanto elas brincam no parque vocês passeiam de mãos dadas.
  • Namorem no cinema quando forem levar os pequenos, no supermercado…
  • Viagens de férias são mais uma oportunidade de consolidar o romance e de distribuir carinho e afeto a todos
  • Aproveite as férias também para separar uns dias só para vocês.

Quando os filhos chegam à adolescência o casal pode reinaugurar outra fase do namoro, agora reaprendendo a ficar novamente a sós, já que a noite pertencerá aos filhos e suas baladas.

Que tal dar uma esticadinha até o motel até chegar a hora de ir buscá-los na festa?

Nunca use seu filho para justificar um possível afastamento ou desinteresse entre vocês. Vocês são os responsáveis por renovar constantemente a relação e se adaptar a cada nova fase da união. O romantismo não deve se perder e é possível namorar indefinidamente seu parceiro ou sua parceira.

A vida se recicla. Namorando sempre, cultivando as delicadezas dos primeiros tempos, vocês poderão ser um casal jovem em todos os ciclos… Principalmente quando virem seus filhos lhes dando netos.

Vale a pena namorar!

Para as mães e pais separados

  • Não deixe de namorar porque seu relacionamento anterior terminou. Parecer uma vítima diante de seus filhos não é saudável, eles querem sentir seus pais felizes.
  • Introduza o novo namorado na vida de seus filhos depois de se sentir segura de que não será um relacionamento efêmero.
  • Faça isso de forma delicada, de modo que eles não se sintam ameaçados afetivamente pela presença de um “estranho”.
  • Converse com seus filhos a respeito dessa pessoa, responda às perguntas com honestidade.
  • Não deixe de fazer programas que incluam as crianças se quiser estreitar o relacionamento deles.
  • Tente não mudar radicalmente sua rotina com eles, faça isso paulatinamente.
  • Caso termine o namoro, coloque seus filhos a par. Uma pessoa não desaparece da vida do pai ou da mãe sem mais nem menos. Aliás, estará desaparecendo também da vida delas e nada mais justo que se fale a respeito.
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Celia Lima

Celia Lima

Psicoterapeuta Holística, utiliza florais e técnicas da psicossíntese como apoio ao processo terapêutico. Presta atendimento também por meio de terapia breve com encontros semanais, propondo uma análise lúcida e realista de questões pontuais propostas pelo cliente objetivando resultados de curto/médio prazo. Saiba mais