Roberta Struzani
Por Roberta StruzaniLeia em 2 min.05/06/2014 

Existe ponto G? Aproveite para descobrir o seu

Zona de prazer da mulher é localizada no interior do clitóris

Você certamente já ouviu falar em “ponto G”, mas o que será que isso realmente significa? Na verdade, esse pode ser considerado o ponto forte do amor, pois após encontrá-lo a mulher tem mais possibilidade de sentir prazer e facilmente alcançar o orgasmo. Mas vale reforçar que o prazer deve ser sentido pelo casal durante o ato sexual. Afinal, o sexo, quando vivenciado de forma saudável e estimulante para ambos, pode ser o termômetro da relação e até favorecer a boa relação amorosa em todos os aspectos, trazendo alegrias inclusive para outros setores da vida, como social e profissional

O “ponto G” não é uma estrutura à parte da vagina da mulher, mais sim a porção interna do próprio clitóris. Por isso, esta zona erógena pode ser tão polêmica e contar com diversas opiniões diferentes do ponto de vista médico sobre sua existência. Além disso, o fato de não possuir um nome científico, o “ponto G” dificulta a aceitação de muitos médicos, pois não se trata de um ponto, mas sim de todo um sistema que envolve estruturas, órgãos, nervos, músculos, vascularização, comportamentos e resposta à excitação sexual. Embora isso seja complexo do ponto de vista científico, na prática é muito mais simples do que parece.

Curiosidade

Um estudo realizado pela educadora e pesquisadora sexual, Dra. Beverly Whipple, e publicado na Revista Científica “Scandinavian Journal of Sexology“, sugere que o “ponto G” realmente existe e pode ser o segredo para que a mulher chegue ao orgasmo. Este estudo foi realizado com mais de 800 mulheres com alto potencial de chegar ao clímax. O casal era deixado sozinho, em uma cabine semelhante ao aconchego de um quarto, e era orientado a iniciar uma relação sexual. A mulher simplesmente se entregava ao momento, enquanto o homem ficava com um ponto acústico para receber orientações dos especialistas sobre a penetração de seu dedo no canal vaginal. Com isso, era possível medir com precisão o local de maior prazer em todas as mulheres que se submeteram a pesquisa, constatando que o “ponto G” existe, de fato.

No entanto, justamente pelo “ponto G” se tratar do próprio clitóris, cada mulher terá uma resposta e sensações diferentes a ele. Quem já sente prazer ao toque clitoriano, por exemplo, tem mais tendências a ter um orgasmo por meio desse local. Mas não basta estimular esse ponto, o grande segredo para as mulheres que ainda não o encontraram está no envolvimento que ocorre na procura pela zona erógena. O corpo precisa sofrer todas as alterações da excitação para que o “ponto G” fique mais fácil de ser localizado. A mulher deve estar envolvida, relaxada e entregue à relação, para que as paredes do canal vaginal inchem, diminuindo o calibre da região, e o pênis ou os dedos do parceiro possam alcançar o “ponto G”.

O clitóris da mulher corresponde ao pênis do homem. Quando o embrião está se desenvolvendo no ventre materno, ele sempre possui um clitóris, independente de qual será o sexo da criança. Se os gametas forem femininos, então o clitóris permanece e se desenvolve melhor, mas se forem masculinos o clitóris se desenvolve e transforma-se em um pênis. Portanto, a mulher tem o mesmo prazer no clitóris que o homem tem na cabeça do pênis. E se o pênis fica erétil, o clitóris também fica e isso possibilita maior sensibilidade ao toque.

Isso significa que quanto mais o desejo da mulher for favorecido na relação sexual, deixando-a excitada, mais fácil será encontrar o “ponto G”, pois ele ficará mais vascularizado, inchado e proeminente.

quanto mais o desejo da mulher for favorecido na relação sexual, deixando-a excitada, mais fácil será encontrar o “ponto G”, pois ele ficará mais vascularizado, inchado e proeminente.

Vale dizer que dificilmente a própria mulher consegue encontrar o seu “ponto G”, já que ele fica localizado na parede frontal da vagina, perpendicular ao próprio clitóris.

Para a pessoa parceira encontrar o “ponto G” da mulher, é preciso que ela esteja deitada de costas e o outro introduza o dedo indicador ou médio no canal vaginal com a palma da mão voltada para cima. Depois vale fazer um movimento sutil e lento com as pontas dos dedos, até que a mulher sinalize que o “ponto G” foi tocado. Após isso, ela pode guiar a pessoa parceira para tocá-la mais leve ou mais forte.

É indicado que os casais se aprofundem em conhecer os pontos de prazer da mulher, mudando as posições no ato sexual, como, por exemplo, deixando-a deitada de barriga para cima e elevando suas pernas, assim como outras posições para facilitar ainda mais o acesso a esse ponto. Dessa forma, ela terá mais chances de ter múltiplos orgasmos, sem esquecer que para isso a mulher precisa estar bem psicologicamente com a sua sexualidade.

O orgasmo aumenta a frequência cardíaca e respiratória, além do fluxo de sangue por todo o corpo. Os poros se dilatam e levam a uma maior sudorese, assim como a pupila dos olhos, que capta mais luz. Mais de 30 partes do cérebro são ativadas ao mesmo tempo e uma pequena região no centro do cérebro, quase na altura média entre as orelhas, chamada de hipotálamo, é ativada, liberando ocitocina na corrente sanguínea. Essa é a mesma substância liberada pela mulher no trabalho de parto, que no orgasmo leva às contrações, como espasmos na vagina. O curioso é que as contrações vaginais de uma mulher com musculatura mais forte e saudável, quando atinge o clímax, podem apertar a glande do homem, que o levará a ter orgasmo junto com ela.

as contrações vaginais de uma mulher com musculatura mais forte e saudável, quando atinge o clímax, podem apertar a glande do homem, que o levará a ter orgasmo junto com ela.

Para as mulheres com anorgasmia, ou seja, com dificuldade de atingir o orgasmo, estimular o “ponto G” pode ser uma ótima possibilidade de experimentar o prazer. Apesar de essa zona erógena estar localizada na região interna do clitóris, a sensação orgástica desse ponto é bem diferente da clitoriana e cada mulher também experimenta orgasmos diferentes uma das outras.

Não esqueça que o segredo para encontrar o “ponto G” é estar envolvido com a relação sexual e a busca por essa zona pode ser encarada como uma brincadeira que aprimorará a vida do casal.

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Roberta Struzani

Roberta Struzani

Terapeuta especializada em sexualidade e saúde ginecológica. Realiza atendimentos presenciais e online focados no autoconhecimento, na elevação da autoestima e na saúde do aparelho reprodutor feminino. Sua principal ferramenta de trabalho é o Pompoarismo.