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TPM e autoconhecimento: como essa relação pode fortalecer as mulheres

A relação entre TPM e autoconhecimento é caminho para fortalecimento do feminino e pode ajudar as mulheres a validar e entender seus sentimentos

TPM e autoconhecimento: como essa relação pode fortalecer as mulheres

“Eita, tá nervosa? Tá na TPM? ” Quem nunca ouviu essa frase irritante? Ela é frequentemente usada como uma estratégia para desmerecer o incômodo de uma mulher durante a Tensão Pré Menstrual (TPM), como se ela “não soubesse o que está dizendo”.

Mas, muito pelo contrário, a psicologia mostra que podemos confiar no que sentimos, e também que TPM e autoconhecimento andam de mão dadas. Vem comigo que vou te explicar por que e como fazer isso!

TPM e autoconhecimento: saiba de onde vem o mito da mulher “descontrolada”

Historicamente, a relação entre homens e mulheres foi uma relação de opressão. As mulheres tiveram seus direitos negados simplesmente por serem mulheres até muito recentemente.

O direito ao voto, por exemplo, foi conquistado no Brasil em 1932, após 100 anos de muita luta. O direito de competir nas Olimpíadas e ganhar medalhas foi conquistado ainda mais tarde.

No Brasil, até 1979 havia um decreto proibindo mulheres de praticar esportes. Somente em 2012, nas Olimpíadas de Londres, houve a primeira edição dos jogos com participação feminina em todas as modalidades.

Sempre que há opressão de um grupo social sobre o outro, os protestos do grupo oprimido são minimizados. Isso ocorre de muitas formas. No caso da escravização, por exemplo, consistia na crença de que pessoas negras não tinham alma, sendo, portanto menos “humanas” do que as pessoas brancas — o que tornaria menos graves as violências cometidas contra o povo negro.

No caso das mulheres, essa minimização se revela no pensamento de que as mulheres são mais “dramáticas e sensíveis”, de modo que qualquer protesto ou relato de sofrimento é visto apenas como um sintoma de exagero.

Na verdade, pelo contrário, o protesto que emerge na TPM indica de forma certeira que uma forma de tratamento injusta precisa ser revista.

Estereótipos femininos

Muitas coisas já mudaram no que se refere aos direitos das mulheres, mas por que essas mudanças são muito recentes, ainda sofremos os ecos dessas dinâmicas.

Os exemplos são abundantes: mulheres que são assertivas e diretas são taxadas como grossas e inadequadas, ao passo que homens que emitem exatamente o mesmo comportamento são vistos como firmes e decididos.

A ideia de que as reclamações femininas na TPM são exageradas  é um desses resquícios. Entenda mais sobre a TPM e as alterações no humor feminino.

TPM e autoconhecimento: usando uma lente de aumento

Se fosse verdade que na TPM os sentimentos femininos são instáveis, ou não-confiáveis, nessa semana do mês as mulheres teriam queixas completamente inusitadas, que desapareceriam no resto do mês.

Mas não é isso o que acontece.

Na vida real, o que vemos nos consultórios de psicologia é que na TPM se intensificam incômodos que sempre estiveram lá, mas que por motivos variados estavam sendo tolerados ou empurrados para debaixo do tapete.

A TPM funciona como uma lente de aumento para aquilo que está sendo fonte de sofrimento, de desconforto. Ela acende um holofote sobre tudo que causa injustiça ou dano à saúde física ou mental da mulher, e faz com que seja muito mais difícil ignorar os problemas.

Do ponto de vista evolutivo, faz muito sentido. A TPM é o final de um ciclo onde não houve gestação, é o preparo para o próximo, em que uma gravidez pode ocorrer.

Nesse sentido, a TPM é a fase propícia para “arrumar a casa, limpar o ninho” , e se fortalecer, deixar tudo preparado para gestar o novo ser que pode surgir.

Para cumprir essa função, a TPM intensifica nossa percepção, nossa motivação para a resolução de problemas, e também nossa propensão ao autocuidado.

Por este motivo, ela pode ser uma ferramenta importante de autoconhecimento, ajudando a perceber emoções que sempre estiveram lá, mas não foram notadas; ajudando a discriminar problemas e incômodos que estavam sendo jogados para debaixo do tapete, e elevando nosso foco no nosso próprio bem-estar. Ela traz essas questões para a consciência e nos permite planejar melhores formas de enfrentar e lidar com os problemas.

Como lidar com a TPM na perspectiva do autoconhecimento

  1. Observe atentamente. Quando surgir uma emoção nova, pergunte-se: o que estou sentindo? Por que estou sentindo isso? De onde vem esse sentimento? Quando já me senti assim antes?
  2. Valide seus sentimentos. Evite desmerecer o que sente apenas como efeito da TPM. Leve esse sentimento a sério. Lembre-se: as flutuações emocionais da TPM são o seu corpo apontando os problemas que precisam ser resolvidos para que você possa estar mais forte e mais saudável.
  3. Quando tiver clareza do que está sentindo, dos porquês e da origem desse sentimento, faça um planejamento a respeito de como abordar o problema. Pense nos prós e contras das diversas alternativas. Identifique recursos, apoios e objetivos que você pode utilizar na resolução dessas questões.
  4. Se perceber que não consegue resolver algum dos problemas identificados, procure ajuda. A TPM vai apontar tudo o que está causando dano a nossa saúde mental, mas nem sempre esses problemas serão simples de resolver sem causar mais estresse. Se ficar na dúvida sobre o melhor caminho a tomar, peça o conselho de uma pessoa sensata que goste bastante de você, e considere se é o momento de buscar uma psicoterapia. A análise do comportamento tem ferramentas que podem ajudar a superar esses obstáculos!

Além disso, você pode contar com algumas ajudas extras. Por exemplo, você sabia que os chás podem proporcionar alívio para os sintomas da TPM? Confira aqui algumas receitas.

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Tatiana Perecin

Tatiana Perecin

Psicóloga pela UFSCar, especialista em Psicologia Clínica / Análise do Comportamento. Trabalha com terapias contextuais, que são referência na intervenção psicológica baseada em evidências científicas de eficácia. Tem mais de 10 anos de atuação em consultório, atendendo adultos em casais em sofrimento emocional, e também casos severos. Saiba mais