Empreendedorismo materno: 8 passos práticos para mães
Empreendedorismo materno: 10,4 milhões de mães já comandam negócios no Brasil. Descubra direitos, dados e 8 passos para começar o seu
Por Amanda Figueira
O empreendedorismo materno descreve as transformações profissionais provocadas ou aceleradas pela maternidade.
No Brasil, essa realidade alcança milhões de mulheres que reorganizam suas carreiras após a chegada de um filho, seja para abrir o próprio negócio, seja para reposicionar a atuação dentro de um modelo mais flexível.
Em 2024, o país atingiu o maior número de mulheres empreendedoras já registrado: 10,35 milhões de donas de negócio, segundo o Sebrae. Boa parte delas é mãe, e uma fração relevante começou a empreender exatamente como resposta aos desafios de conciliar carreira e cuidados.
Este guia atualiza um conteúdo originalmente publicado em 2016 e traz dados, leis e práticas que sustentam a decisão de empreender em 2026.
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O que é empreendedorismo materno?
O termo “empreendedor”, segundo o Sebrae, descreve quem inicia algo novo, sai do plano do desejo e parte para a ação.
O empreendedorismo materno acrescenta um recorte específico: as transformações no eixo profissional surgem a partir da maternidade ou são aceleradas por ela.
Existe um equívoco comum nesse universo, que é associar o termo apenas à venda de produtos para gestantes, bebês ou famílias. Uma mãe arquiteta que decide abrir o próprio escritório após o nascimento do filho também é empreendedora materna.
O ponto central está no gatilho que motivou a virada profissional, e não no nicho de atuação escolhido.
Outro aspecto importante: nenhuma mulher sai exatamente igual da experiência da maternidade. Algumas retomam a rotina anterior, outras transformam por completo o cotidiano profissional.
Para muitas, empreender vira a forma encontrada de manter realização, autonomia financeira e tempo com os filhos.
Por que o empreendedorismo materno cresce no Brasil
A pesquisa GEM 2024, conduzida pelo Sebrae em parceria com a Anegepe, mostra que a taxa de empreendedorismo no Brasil saltou de 31,6% para 33,4% em 2024. A participação das mulheres entre os empreendedores iniciais voltou a crescer e chegou a 46,8%, depois de quatro anos de queda.
No quarto trimestre de 2024, mulheres já representavam 42% do total de empregadores e trabalhadores por conta própria do país. Mesmo com avanços, o ambiente segue desigual: empreendedoras ganham, em média, 24,4% menos que homens, e mulheres negras chegam a receber 47,5% menos do que mulheres brancas.
Estudo da FGV/IBRE indica que cerca de metade das mulheres que tiraram licença-maternidade deixou o mercado de trabalho em até dois anos após o retorno, em geral por iniciativa do empregador.
Pesquisa da Catho de 2025 aponta que 60% das mães entrevistadas estão fora do mercado de trabalho. Esses números explicam, em parte, por que tantas mulheres veem no próprio negócio uma rota de saída para a falta de estrutura corporativa.
A sobrecarga doméstica também pesa. Dados do IBGE indicam que as brasileiras dedicam, em média, 9,6 horas semanais a mais do que os homens em afazeres domésticos e cuidados, o que reduz o tempo disponível para qualquer projeto profissional.
O que mudou na lei: direitos atualizados em 2026
Boa parte do mal-estar descrito por mães trabalhadoras tem raiz em estruturas legais incompletas. Nos últimos anos, algumas mudanças relevantes começaram a corrigir parte disso.
Lei 14.457/2022 (Programa Emprega + Mulheres)
Em vigor desde março de 2023, a Lei 14.457/2022 atualizou a CLT em frentes que afetam diretamente mães trabalhadoras e empreendedoras. Entre os principais pontos:
- Regulamenta o reembolso-creche para mães e pais com filhos de até 5 anos e 11 meses.
- Permite jornada flexível, home office e antecipação de férias para responsáveis por crianças até 6 anos ou com deficiência.
- Cria linhas de microcrédito específicas para mulheres, incluindo MEIs, com até R$ 5 mil iniciais por contrato.
- Reforça a igualdade salarial em funções idênticas e amplia as responsabilidades da CIPA no combate ao assédio.
Empresas que aderem ao programa recebem o Selo Emprega + Mulheres e ganham acesso a benefícios de crédito.o programa recebem o Selo Emprega + Mulheres e ganham acesso a benefícios de crédito.
Salário-maternidade sem carência (STF, 2024)
Em março de 2024, o STF declarou inconstitucional a exigência de 10 contribuições mensais para concessão de salário-maternidade a contribuintes individuais, MEIs, facultativas e seguradas especiais (ADIs 2.110 e 2.111).
Em 2025, o INSS regulamentou a aplicação por meio de portaria específica, valendo para todos os pedidos feitos a partir de 5 de abril de 2024.
Para mães autônomas e empreendedoras individuais, isso significa acesso ao benefício sem o antigo período mínimo de carência.
Licença ampliada em casos de internação (PL 386/2023)
Sancionado em julho de 2025, o PL 386/2023 alterou o artigo 392 da CLT para garantir que, em casos de internação prolongada da mãe ou do bebê acima de 14 dias, a licença-maternidade só comece a contar após a alta hospitalar.
A medida formaliza o entendimento que o STF já havia firmado em 2022 (ADI 6327).
⚠️ Atenção: as regras valem para celetistas e seguradas do INSS, mas precisam ser solicitadas. Para CLT, o pedido vai à empresa. Para autônomas e MEIs, o pedido vai direto ao INSS pelo aplicativo Meu INSS ou pelo telefone 135.
8 passos para começar como mãe empreendedora
A combinação entre experiência prática e dados de mercado sugere alguns caminhos consistentes para quem pensa em empreender após a maternidade.
1. Reconheça seu propósito
Antes de pensar em modelo de negócio, vale investigar o que faz sentido neste momento da vida. Uma pergunta útil em workshops de carreira é: “o que eu faria mesmo sem cobrar?”. A resposta tende a apontar pistas sobre talentos e propósito.
Entender ciclos pessoais também ajuda. O Mapa Profissional indica vocações e padrões ligados à carreira a partir da Astrologia, e pode complementar a reflexão sobre direção profissional.
2. Não confunda com venda de produtos para bebês
Empreendedorismo materno não é sinônimo de venda de produtos infantis ou serviços para gestantes. O que define o conceito é a maternidade como gatilho da virada profissional, independentemente do público atendido pelo negócio.
Uma advogada que abre o próprio escritório, uma desenvolvedora que monta uma consultoria, uma cozinheira que vira chef privada: todas podem se enquadrar no movimento.
3. Prepare-se para trabalhar mais (não menos)
Existe a crença de que empreender em casa significa folga e flexibilidade. Na prática, o início costuma exigir mais horas, não menos. A profissional acumula funções de operação, vendas, marketing, atendimento e gestão financeira, somadas aos cuidados domésticos.
Saber disso de partida reduz frustrações e ajuda a estruturar metas realistas.
4. Construa rede de apoio
Mães empreendedoras precisam de ajuda. Apoio doméstico, apoio profissional (mentoria, parcerias) e apoio emocional fazem diferença direta no desempenho do negócio. Tentar resolver tudo sozinha tende a antecipar o esgotamento.
A própria Lei 14.457/2022 reconhece o valor do trabalho compartilhado ao incluir o conceito de parentalidade, que distribui responsabilidades de cuidado entre os adultos da família.
5. Administre o tempo com método
Trabalhar em casa exige disciplina. Vale separar blocos de tempo para tarefas profissionais, tarefas domésticas e cuidados com os filhos, em vez de tentar fazer tudo simultaneamente.
A produtividade real costuma cair drasticamente quando a mãe acumula funções no mesmo período. Métodos simples como Pomodoro, agendamento por blocos e listas curtas ajudam a manter o foco.
6. Faça um planejamento financeiro
Toda transição de carreira pede colchão financeiro. Uma reserva equivalente a seis meses de despesas tende a ser o mínimo recomendado por consultores antes do salto definitivo.
💡 Dica prática: liste os gastos fixos da casa, defina um teto mensal para despesas pessoais e separe um pró-labore inicial enxuto para o novo negócio. Cortes em custos supérfluos no início ajudam a alongar o fôlego.
7. Cultive networking
Estar em rede acelera negócios. Vale participar de eventos da área, manter contato com formadores de opinião e aceitar parcerias mesmo nas fases iniciais. Comunidades específicas para mães empreendedoras existem em quase todas as grandes cidades e em formato digital.
8. Profissionalize a operação
A maternidade não pode virar justificativa para falhas profissionais com clientes. Cumprir prazos, formalizar o negócio (MEI, ME, EI), separar contas pessoais das contas da empresa e investir em qualificação são passos importantes para construir reputação.
O Sebrae oferece cursos gratuitos e ferramentas de planejamento estratégico para quem está começando.
Conclusão
O empreendedorismo materno em 2026 acontece em um cenário muito diferente do de uma década atrás. Os dados mostram crescimento real do número de mulheres à frente de negócios, leis começam a reconhecer particularidades da maternidade no trabalho, e tecnologias digitais ampliam canais de atuação.
Apesar dos avanços, a carga doméstica concentrada nas mulheres, a desigualdade salarial e a falta de creches continuam como obstáculos importantes. Por isso, empreender após virar mãe segue exigindo planejamento, rede de apoio e clareza de propósito.
Quem decide trilhar esse caminho costuma encontrar nele uma forma de reconciliar tempo, autonomia e sentido. O ponto de partida é estrutura: planejamento, rede de apoio e clareza sobre o próprio propósito.
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FAQ sobre empreendedorismo materno
O que é empreendedorismo materno?
Empreendedorismo materno descreve as transformações profissionais provocadas ou aceleradas pela maternidade. Pode envolver abrir um negócio próprio, virar consultora autônoma, reorganizar a atuação dentro de um modelo mais flexível ou retomar uma carreira em novas bases. O critério não está no ramo escolhido, e sim no fato de a virada ter sido motivada pela chegada de um filho. Mães que vendem produtos infantis se enquadram, mas mães que abrem escritórios de arquitetura, consultorias de tecnologia ou cozinhas autorais também.
Mãe MEI tem direito a salário-maternidade?
Sim. Desde abril de 2024, com a decisão do STF nas ADIs 2.110 e 2.111, MEIs, contribuintes individuais e seguradas especiais não precisam mais cumprir carência mínima de contribuições para receber o salário-maternidade. Basta ter qualidade de segurada na data do parto. O pedido pode ser feito pelo aplicativo Meu INSS, pelo site Gov.br ou pelo telefone 135. O valor corresponde à média dos 12 últimos salários de contribuição, durante 120 dias.
Como começar um negócio sendo mãe sem capital inicial?
A Lei 14.457/2022 criou linhas de microcrédito específicas para mulheres, com valores iniciais de até R$ 2 mil para pessoa física e até R$ 5 mil para microempreendedoras individuais. O Sebrae oferece cursos gratuitos de planejamento de negócio. Modelos com baixa barreira de entrada, como prestação de serviços, conteúdo digital, consultoria e atividades online, tendem a ser opções de partida com investimento mínimo. Vale também considerar editais e programas de apoio a mulheres empreendedoras oferecidos por bancos públicos como o BNDES e a Caixa.
Quantas horas uma mãe empreendedora trabalha por dia?
Não existe média única, mas pesquisas indicam que mulheres dedicam, em média, 9,6 horas semanais a mais que homens em afazeres domésticos (IBGE). Ao somar negócio próprio, casa e cuidados com filhos, a jornada efetiva costuma ultrapassar 10 horas diárias nos primeiros anos do empreendimento. Por isso, gestão de tempo e rede de apoio são tão essenciais. A boa notícia é que, depois da fase inicial, a flexibilidade tende a aumentar e parte do tempo passa a ser controlada pela própria mãe.
Quais são os principais erros das mães empreendedoras?
Os mais comuns indicados por mentoras e consultoras de carreira incluem: tentar fazer tudo sozinha, misturar tarefas profissionais e domésticas no mesmo bloco de tempo, não separar finanças pessoais das do negócio, depender de uma única fonte de renda nos primeiros meses e usar a maternidade como justificativa para falhas com clientes. Profissionalizar a operação desde o início, com contrato, prazos claros e processo de cobrança organizado, reduz boa parte desses riscos.
Psicóloga, professora, mentora e especialista em comportamento humano. Tem como propósito, apoiar pessoas em seus processos de transformação através da psicoeducação, do autoconhecimento e do acolhimento e ressignificação das suas próprias histórias, utilizando uma metodologia própria e inovadora que já foi testada em mais dos 10 mil atendimentos realizados nos últimos 15 anos.
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