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Constelação familiar é espiritismo? Entenda esse e outros mitos

Constelação Familiar não é espiritismo nem tem ligação com religião. Entenda como funciona essa terapia, seus perigos e benefícios

Constelação familiar é espiritismo? Entenda esse e outros mitos

Algumas pessoas que começam a ter contato com a Constelação Familiar – ou porque ouviram alguém falar ou porque “caíram de paraquedas” em alguma sessão em grupo (ao vivo ou gravada) – podem inicialmente ficar confusas, achando que se trata de uma sessão espírita e não terapêutica. Se for este o seu caso, calma! É muito provável que não te explicaram direito como funciona a técnica na prática.

Em atendimentos de grupo de constelação, utiliza-se pessoas voluntárias para representar os membros do sistema familiar/empresarial do cliente, de seu grupo social ou os aspectos envolvidos no seu problema (pai, mãe, cônjuge, ex-parceiros, filhos, avôs e avós, a empresa, os sócios, o dinheiro, os funcionários etc.).

O espaço onde a Constelação se desenrola é chamado de campo. Ao se posicionarem espacialmente no campo, esses representantes começam a apresentar as emoções da pessoa representada e alguns movimentos que expressam as dinâmicas ocultas que atuam por trás daquele problema, relação ou conflito em questão.

Afinal, o que é ressonância mórfica e por que não deve ser confundida com espiritismo?

É nesse momento em que as pessoas normalmente ficam impressionadas, principalmente com a forma fidedigna com que os representantes representam o papel designado, mesmo não conhecendo nada sobre a pessoa que estão representando. E a confusão normalmente se dá quando alguém representa um pessoa já falecida.

Sobre isso é importante destacar que não somente pessoas mortas são representadas. E não apenas pessoas. É comum, por exemplo, alguém ser chamado para representar um sintoma, uma doença, um país, uma empresa, o destino e por aí vai.

Ou seja, aquilo que acontece no corpo do representante não é um espírito que se incorpora, e sim um fenômeno que chamamos de ressonância mórfica. A pessoa capta aquilo que está armazenado no invisível, no campo de memória (ou campo morfogenético, como diz a teoria do biólogo Rupert Sheldrake).

Esse campo funciona de forma equivalente aos conhecidos bancos de dados na nuvem, nos quais não vemos a informação, mas sabemos que ela está lá, em algum lugar, basta uma chave de acesso para acessá-la.

Constelação familiar não é religião

Numa constelação, qualquer pessoa pode acessar esse campo de memória mediante uma postura de neutralidade, sem intenção ou julgamento. Então, não se trata de religião. Trata-se de um fenômeno biológico, que acontece em todas as espécies.

É dessa forma, por exemplo, que as aves sabem quando e para onde devem migrar, as tartarugas sabem onde deverão desovar e os peixes de um cardume sabem a hora e a direção certa de se movimentar juntos para fugir de um predador. Os indivíduos de um grupo ou espécie captam a informação (ou memória) em seus corpos, desse grande banco de dados invisível.

Como surgiu a Constelação Familiar?

A Constelação Familiar foi desenvolvida pelo alemão Bert Hellinger (1925-1999) que, além de psicoterapeuta, pedagogo e filósofo, era teólogo e foi missionário da Igreja Católica na juventude. Embora sua formação de base tenha sido religiosa, seu trabalho nunca teve relação com qualquer religião.

A Constelação Familiar nasceu como uma nova abordagem da Psicoterapia Sistêmica, baseada na Fenomenologia e na teoria do Campos Morfogenéticos do biólogo Rupert Sheldrake.

O termo Constelação Familiar veio da palavra em alemão Familienaufstellung, que numa tradução literal seria “colocação ou configuração familiar”. Remete à representação de membros de um sistema familiar, mostrando as suas relações através da configuração espacial destes elementos.

No Brasil, e nos países de língua hispânica, adotou-se o termo “constelação familiar/constelación familiar”, pois os primeiros livros de Bert Hellinger foram traduzidos a partir da versão em inglês, que por sua vez traduziu o verbo stellung em alemão para constellate (agrupar numa dada posição).

Para que serve a constelação familiar?

A Constelação Familiar é uma técnica de representação espacial das relações humanas, que permite identificar, de forma breve e vivencial, a causa das desordens e conflitos que experimentamos no âmbito familiar, profissional, dos relacionamentos e da saúde.

Embora Bert Hellinger inicialmente acreditasse ser um método de psicoterapia, logo ele percebeu que suas descobertas iam muito além do que se conhecia como terapia, e que poderiam oferecer ajuda na vida de pessoas que não sofriam de distúrbios mentais diagnosticáveis.

Seu trabalho foi evoluindo de forma a conduzir as pessoas para o que ele chamou de movimento do espírito (e é aqui que o povo também faz confusão!). O movimento do espírito nada mais é que uma postura interna de sintonia com uma consciência mais ampla, espiritual, que vai além da consciência individual ou de grupo.

É uma força que movimenta tudo, independente da nossa vontade, e nos conduz através do amor a todos como são e a tudo como é.

Quando a Constelação Familiar é perigosa

Como acontece com qualquer outra profissão, se a Constelação Familiar for aplicada por um profissional sem a qualificação e a experiência necessárias, isso pode sim ser perigoso. Pois o cliente pode ser levado a entrar em contato com questões muito difíceis, sombras e traumas biográficos e transbiográficos que podem inclusive retraumatizá-lo.

Por isso é importante escolher um profissional com boa formação na área, bons anos de prática e bem recomendado.

Muita gente critica a Constelação alegando que é uma pseudociência e que não é autorizada pelo Conselho de Psicologia. Quem faz tais alegações está correto. A Constelação é um conhecimento que se enquadra como filosofia e não como ciência, pois sua base é fenomenológica.

É uma forma de ver e de se colocar na vida, e por ser capaz de mudar nossas relações, a constelação tem efeitos terapêuticos profundos, até mesmo contra depressão. Apesar da ciência ser muito importante, pode não dar conta de explicar tudo quando se trata de comportamentos, sentimentos e da psique humana.

A Constelação também não pertence à área da Psicologia e tampouco é um método terapêutico, como é a Psicanálise. São profissões completamente diferentes e com formações diferentes, dado suas especificidades. Por essa razão, a Constelação Familiar não se submete ao Conselho de Psicologia.

Quem pode aplicar a Constelação Familiar?

Um facilitador de Constelação Familiar não precisa ser psicólogo, psicanalista, médico ou psiquiatra, embora muitos profissionais dessas áreas acabem se formando e atuando como consteladores. Há, inclusive, muitos advogados, promotores e juízes que buscam essa formação para atuarem com Direito Sistêmico.

Não há um conselho ou entidade que regulamente a profissão. Bert Hellinger tampouco desejou isso em vida, embora atualmente existam movimentos nessa direção no Brasil e em outros países.

O importante, na hora de fazer uma sessão de Constelação Familiar, é buscar um profissional sério, que teve uma formação presencial ou pelo menos semi-presencial em instituições reconhecidas ou na própria Hellinger Schule, com seus docentes ou precursores da técnica no Brasil, além de treinamentos complementares e vários anos de prática.

Benefícios da constelação familiar

A técnica revela de forma muito rápida, em apenas uma sessão, quais são as dinâmicas ocultas (quase sempre inconscientes) por trás dos problemas, das dificuldades, dos conflitos e das doenças. De posse das novas informações, não há como o cliente ficar indiferente. Não é possível “desver” o que se viu e, assim, uma nova consciência emerge.

Ao esclarecer as dinâmicas problemáticas no entorno da questão, o cliente pode encontrar a postura interna e o caminho emocional necessários para resolvê-la. A nova tomada de consciência se reflete na realidade da própria vida do cliente e dos demais indivíduos envolvidos no sistema.

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Alice Duarte

Alice Duarte

Alice Duarte é facilitadora de Constelação Sistêmica Familiar e Organizacional, com treinamentos internacionais com o alemães Bert e Sophie Hellinger, e os espanhóis Joan Garriga e Brigitte Champetier de Ribes. Desde 2015 facilita processos de autoconhecimento, cura emocional e solução de conflitos nos relacionamentos. É jornalista, mantém um site autoral com artigos em português e é criadora do programa online Por Uma Vida Sem Amarras. Vive em Curitiba, onde trabalha com grupos terapêuticos, workshops, cursos e atendimentos individuais (presenciais e online) de Constelação Familiar e Consultoria Sistêmica Empresarial. Aqui no Personare escreve sobre autoconhecimento e relações humanas. Saiba mais