Isabela Borges
Por Isabela BorgesLeia em 4 min.25/03/2020 

Constelação Familiar para problemas nos relacionamentos

Terapia trabalha com questões ocultas e, ao trazê-las à consciência, pode curá-las. Faça um exerício e experimente

Como podemos solucionar problemas nos nossos relacionamentos resolvendo questões com nossos ancestrais? A Constelação Familiar Sistêmica é um caminho muito interessante e poderoso para isso.

A consteladora familiar Isabela Borges explica o que é Constelação Familiar e como funciona essa terapia, dando exemplos de padrões afetivos que podem estar ligados à família e à ancestralidade.

Por fim, ela ensina um exercício de Constelação Familiar para relacionamento que você pode fazer sozinho, onde estiver, utilizando apenas dois objetos e que dura apenas cinco minutos.

O que é Constelação Familiar Sistêmica?

A Constelação Familiar é uma terapia sistêmica – não tem relação com nenhuma religião – criada pelo psicoterapeuta alemão Bert Hellinger e trabalha com a ideia de que quando alguém tem um conflito deve procurar entender essa questão dentro do sistema do qual ele faz parte.

Ela trabalha no “campo oculto”, com as relações pessoais que não enxergamos conscientemente.

Seja nos relacionamentos interpessoais, com o parceiro, a família ou no trabalho, ou em situações, como de que forma a pessoa se relaciona com um vício, com uma doença ou um acontecimento, como morte ou gravidez etc. 

“A Constelação mostra o que acontece no movimento oculto, coisas que aconteceram e que influenciam da vida da pessoa e que ela não sabe, não lembra ou não quer lembrar, e traz à tona. Ao trazer para a consciência o que está oculto, isso pode ser curado”, explica Isabela.

É considerada uma terapia “breve”, porque em apenas uma sessão você consegue trabalhar uma questão específica da sua vida e não precisa repeti-la.

Caso queira solucionar algum outro aspecto, pode fazer novamente, mas o indicado, segundo Isabela, é esperar, no mínimo, três meses. 

Ao trazer para a consciência o que está oculto, isso pode ser curado.

“Isso porque o trabalho, a liberação que acontece durante a Constelação, precisa de tempo. É como uma água de rio represada: precisa de tempo para a água voltar ao curso dela e chegar no mar”, explica a terapeuta.

Como funciona uma sessão de Constelação?

A técnica pode ser realizada de duas maneiras: individual ou em grupo.

No atendimento individual, o terapeuta utiliza recursos, como bonecos, para representar elementos da família de quem está constelando (o cliente em si, o pai, a mãe, os avós etc.).

Essa sessão pode ser presencial, no local de atendimento do constelador, por exemplo, ou online, estando cada um em um lugar.

Na versão feita em grupo, quem está constelando convida pessoas que estão presentes, que o próprio cliente pode levar ou que façam esse trabalho ou, ainda, que estejam no local para constelar, para que desempenhem os papéis da família.

Isabela aponta que é importante que o cliente saiba onde está e o que quer constelar. “Precisa ter um foco, um objetivo. Deve ter um ponto de partida e um de chegada. A Constelação é como um GPS e vai fazer esse percurso”, exemplifica.

A partir disso, o constelador vai montar o sistema familiar com as representações, sejam pessoas ou bonecos, e reproduzir aspectos da vida familiar do cliente.

A constelação busca equilibrar as relações, respeitando os papéis de cada um.

Na sequência, terapeuta e cliente visualizam questões de um ponto de vista mais amplo e vão refinando o trabalho até enxergarem naquele sistema algum problema de identificação, algo mal resolvido na família que o atinge ou alguma hierarquia familiar que está fora do lugar, como um filho desempenhando funções do pai e vice-versa.

A constelação busca equilibrar as relações, respeitando os papéis de cada um.

Como padrões familiares podem afetar a vida amorosa?

Os padrões familiares e ancestrais podem afetar a vida amorosa de infinitas formas. A começar pela relação de mãe – a primeira relação da vida de alguém – e de pai – a segunda.

Segundo Isabela Borges, como pai e mãe se relacionam entre eles e com o filho, é o primeiro modelo que alguém tem na vida. 

Se o casal está em desarmonia, por algum acaso, significa que aquele amor está doente. Por exemplo, se a mãe se sente desrespeitada pelo marido ou de alguma forma ameaçada, a tendência é de que ela não queira apresentar o filho ao pai. É um movimento interrompido. 

Com isso, o filho perde esse movimento natural de ter um pai que lhe apresenta o mundo, o que pode gerar muitos conflitos dele com o pai e isso se replicar em outras relacionamentos ao longo da sua vida

Por exemplo, pode querer assumir o lugar do marido da mãe, quando, muitas vezes, o pai está lá, vivo, morando no mesmo teto, e aí entra uma disputa no mundo oculto – não significa incesto.

Quando esse filho cresce, poderá ter dificuldades de encontrar um parceiro, porque já existe um relacionamento com a própria mãe.

Outro exemplo citado pela consteladora é a criança que presencia muitas brigas do casal. Com isso, a tendência é de ela tomar um partido e acabar se intrometendo naquela relação.

“O filho precisa viver numa triangulação com seus pais. Às vezes, o filho entra no meio dessa relação, seja porque os pais chamam ou porque o filho quer salvar o pai ou a mãe. Quando isso acontece, o triângulo vira linha reta, e disso se desencadeiam muitos problemas futuros nos seus relacionamentos”, afirma Isabela.

O que a Constelação Familiar ensina?

Segundo a terapeuta, o primeiro ensinamento a partir da Constelação Familiar é NÃO JULGAR.

“Os seus pais te deram a vida, é o maior presente de todos. Os problemas surgem quando você começa a julgar o que fizeram ou deixaram de fazer”, aponta ela.

Aprender a não julgar nos leva para uma compaixão e leva a uma cadeia de empatia e pode se relacionar melhor.

No mundo visível, é uma dor compreensível ter o pai ausente, por exemplo. No entanto, não nos cabe julgar isso, porque não sabemos os motivos e as dificuldades que ele teve para fazer isso. Talvez, também não tenha tido a presença do próprio pai. 

Portanto, a terapeuta aconselha ao filho olhar como adulto para a situação, independentemente de qual for, e pensar e dizer: “Obrigada, pai, você me deu a vida. Eu te perdoo e te amo”.

“Aprender a não julgar nos leva para uma compaixão e leva a uma cadeia de empatia muito boa. Você acaba sendo muito mais tolerante com o outro e pode se relacionar melhor, porque você entende que não está aqui julgando o outro, seja seus pais ou seu parceiro, mas estamos acolhendo”, ensina Isabela.

Exercício para entender dificuldades afetivas

  1. Pegue dois objetos que estejam perto de você.
    Um para representar seu pai e outro, sua mãe.
  2. Respire fundo e relaxe.
  3. Olhe para o objeto que representa a sua mãe.
    Observe como se sente em relação a ela. Quais sentimento vêm à tona? Como você olha para ela? Como você se sente olhado por ela? Reflita.
  4. Fale para ela em voz alta:
    SIM, eu aceito tudo do jeito que foi.
    Eu não sei o que você passou.
    E, apesar de tudo, você me deu a vida.
    Plenamente.
    Eu só tenho que te agradecer.
  5. Sinta como isso reverbera em você.
  6. Agora, olhe para o seu pai.
    Reflita sobre como se sente em relação a ele.
  7. Após, fale em voz alta para ele:
    Meu querido pai,
    muito obrigada pela vida que você me deu junto com a minha mãe.
    Eu não sei pelo que você passou.
    E, talvez, se fosse comigo, eu não teria feito tão bem quanto você.
    E eu digo SIM a tudo o que aconteceu, do jeito que foi.
  8. Olhe para os dois e fale:
    Eu fico aqui no meu lugar de filho(a)
    e deixo com você o que é de vocês.
    Não tem como eu me intrometer
    eu sou muito pequeno(a) para isso.
    E eu aceito a história de vocês do jeito que ela é.
  9.  Respire fundo. 

 

Reflexões pós exercício

  • Quais sensação que vieram sobre o tamanho deles (dos objetos, dos seus pais)? Você se sentiu menor ou maior eles? Essas questões mostram de que forma você enxerga a hierarquia da família.

Se você se sentiu maior que eles ou um deles, é um problema, porque não podemos ser maiores que os gigantes que nos deram a vida.

  • Perceba os sentimentos que vieram, se foi fácil ou difícil. O que foi mais doloroso? Essas questões precisam ser perdoadas, liberadas, curadas. Tente tirar o julgamento sobre elas.

Fale sobre isso e diga, mentalmente: “Apesar disso… eu te amo e te reverencio”

  • Observe o que te chamou a atenção durante o exercício. O que você percebeu como idêntico, entre objeto e pai ou mãe? O objeto escolhido representava perfeitamente a eles? Isso ocorre porque nós escolhemos nossos pais. 

Esse exercício e a Constelação em si não é algo que precisa repetir. Por mais simples que esse exercício tenha sido, está feito e tem validade. Deixe, agora, o universo fluir.

Isabela Borges

Isabela Borges

Terapeuta especializada em terapias transpessoais e constelações sistêmicas. Trabalha com Astrologia, Tarot, Reiki e Forais Joel Aleixo em seus atendimentos para promover o autoconhecimento e o desenvolvimento pessoal.