Roberta Struzani
Por Roberta StruzaniLeia em 4 min.18/07/2018 

Coletor menstrual e absorvente de pano, como funcionam?

Guia sobre alternativas ao absorvente tradicional. Tire suas dúvidas

Você já deve ter ouvido falar sobre coletor menstrual, absorvente de pano, calcinha absorvente ou softcup. De que forma você coleta e absorve seu sangue menstrual? Se for da forma mais tradicional, usando absorventes internos e externos comumente encontrados no mercado, é importante que saiba que eles são extremamente tóxicos e possuem substâncias que podem causar irritação. Uma pesquisa do instituto americano Women’s Voices for the Earth afirma que as paredes da vagina são cobertas por inúmeros vasos sanguíneos e linfáticos, eles mandam os produtos químicos contidos nos absorventes diretamente para a circulação sanguínea, sem metabolizar antes.

Além disso, estes absorventes descartáveis contêm Dioxina, uma substância tóxica capaz de provocar desde infecções vaginais até casos de câncer no colo do útero e choque tóxico (doença proveniente de infecções, que afeta 1 a cada 100 mil pessoas). Fora o aumento do fluxo do sangramento.

Coletor menstrual, absorvente de pano e calcinha menstrual: qual escolher?

Absorvente de pano ou bioabsorvente

O bioabsorvente ou absorvente de pano é feito em tecido 100% algodão. Absorve muito mais o fluxo e não precisa ser trocado com tanta frequência. O uso é muito similar ao do absorvente tradicional, ou seja, colocado na calcinha, com a vantagem de ser natural e de fácil higienização. Pode ser lavado e, após seco, reutilizado. Nele, é possível adicionar novas toalhinhas de algodão de acordo com a sua necessidade de proteção.

Ecoabsorvente

O ecoabsorvente segue o mesmo princípio do bioabsorvente, mas são peças únicas, que não precisam ser trocadas. Ele contém a camada interna de algodão e a camada externa de microsoft, garantindo que a impermeabilização seja feita de uma forma mas respirável.

Calcinha menstrual

A calcinha menstrual combina tecidos tecnológicos (absorventes, antimicrobianos e transpiráveis), que permitem que suas camadas dêem conforto e segurança. Normalmente, são oferecidas em modelos para diferentes fluxos, dos menos intensos (equivalente a um absorvente tradicional) aos mais intensos (equivalente a quatro absorventes tradicionais). O recomendável é que seja usada por até 12 horas. Lavagem e durabilidade compatíveis com a calcinha tradicional.

Coletor menstrual

Como o nome mesmo indica, ele não absorve o fluxo e, sim, o coleta. Após introduzido no canal vaginal, ele abre e o sangue naturalmente cai no coletor. Ele não entra em contato com os tecidos vaginais e, por isso, tem menor probabilidade de causar irritação. Uma ótima vantagem deste método é que, como o sangue menstrual não entra em contato com o oxigênio, não fica com odor desagradável. Além disso, pode ser usado por até 12 horas. Tem durabilidade de 10 anos.

Esponja e softcup: opções que podem ser usadas nas relações sexuais

Esponja

Como o nome supõe, a esponja é feita de material maleável e deve ser inserida na vagina o mais profundo possível. Pode ser higienizada (lavada) e reutilizada até seu desgaste natural. Não é algo tão comum no Brasil, mas, de acordo com a ginecologista Raquel Dardik, do NYU Langone Medical Center, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, elas são muito seguras e são ótimas para absorção, já que essa é a função da esponja. Existe o uso da esponja marinha menstrual e também existe o da esponja menstrual sintética, já vendida no Brasil.  

Softcup

Funciona da mesma forma do coletor de silicone, só que o softcup é descartável. A vantagem dele é que, além de ser maleável, fica em uma região mais alta do canal vaginal, na entrada do útero. Dessa forma, o pênis consegue entrar normalmente. A proposta deste coletor descartável é justamente poder ter relação sexual sem que a pessoa parceira tenha contato com o seu sangue menstrual.  

Impacto ambiental

Por serem reutilizáveis, esses métodos naturais são sustentáveis e evitam produção de lixo não degradável que tanto impacta o meio ambiente.

O impacto ambiental começa antes mesmo do descarte do absorvente tradicional. Já na sua produção, com a extração e processamento das matérias-primas, baseados na produção dos plásticos (petróleo) e da celulose (árvores), que requerem muita energia e criam resíduos de longa duração.

Estima-se que uma mulher, em cada ciclo menstrual, use cerca de dez absorventes descartáveis. Durante a vida, são cerca de dez mil a 15 mil. Todo este descarte acaba indo parar em lixões e aterros sanitários, causando grande impacto ambiental, uma vez que alguns componentes levam cerca de 100 anos até a total decomposição.

Novas formas de diminuir o problema

Ainda que não sejam realizadas no Brasil, algumas atitudes já começaram a ser tomadas pelo mundo. Sabe-se que absorventes não são recicláveis, mas uma empresa canadense chamada Knowaste descobriu que é possível separar os componentes responsáveis pela absorção da menstruação presentes no absorvente tradicional, transformando-os em telhas e madeiras sintéticas.

Outro método, desenvolvido na Nova Zelândia pela empresa Envirocomp, é a compostagem dos absorventes, ou seja, transformá-los em adubo orgânico.

O que podemos fazer aqui no Brasil é não jogar os absorventes no vaso sanitário, evitando que seu resíduo chegue a mares e oceanos. Segundo dados do grupo americano de defesa ambiental Ocean Conservancy, eles levam anos para serem decompostos e podem ser ingeridos por animais marinhos e aves.

Roberta Struzani

Roberta Struzani

Terapeuta especializada em sexualidade e saúde ginecológica. Realiza atendimentos presenciais e online focados no autoconhecimento, na elevação da autoestima e na saúde do aparelho reprodutor feminino. Sua principal ferramenta de trabalho é o Pompoarismo.