Roberta Struzani
  • Por Roberta Struzani
  • Leia em 4 min.
  • 18/07/2018
  • Atualizado em 23/10/2018 às 18:01

Coletor menstrual e absorvente de pano, como funcionam?

Guia sobre alternativas ao absorvente tradicional. Tire suas dúvidas

Coletor menstrual e absorvente de pano, como funcionam?

Você já deve ter ouvido falar sobre coletor menstrual, absorvente de pano, calcinha absorvente ou softcup. De que forma você coleta e absorve seu sangue menstrual? Se for da forma mais tradicional, usando absorventes internos e externos comumente encontrados no mercado, é importante que saiba que eles são extremamente tóxicos e possuem substâncias que podem causar irritação. Uma pesquisa do instituto americano Women’s Voices for the Earth afirma que as paredes da vagina são cobertas por inúmeros vasos sanguíneos e linfáticos, eles mandam os produtos químicos contidos nos absorventes diretamente para a circulação sanguínea, sem metabolizar antes.

Além disso, estes absorventes descartáveis contêm Dioxina, uma substância tóxica capaz de provocar desde infecções vaginais até casos de câncer no colo do útero e choque tóxico (doença proveniente de infecções, que afeta 1 a cada 100 mil pessoas). Fora o aumento do fluxo do sangramento.

Coletor menstrual, absorvente de pano e calcinha menstrual: qual escolher?

Absorvente de pano ou bioabsorvente

O bioabsorvente ou absorvente de pano é feito em tecido 100% algodão. Absorve muito mais o fluxo e não precisa ser trocado com tanta frequência. O uso é muito similar ao do absorvente tradicional, ou seja, colocado na calcinha, com a vantagem de ser natural e de fácil higienização. Pode ser lavado e, após seco, reutilizado. Nele, é possível adicionar novas toalhinhas de algodão de acordo com a sua necessidade de proteção.

Ecoabsorvente

O ecoabsorvente segue o mesmo princípio do bioabsorvente, mas são peças únicas, que não precisam ser trocadas. Ele contém a camada interna de algodão e a camada externa de microsoft, garantindo que a impermeabilização seja feita de uma forma mas respirável.

Calcinha menstrual

A calcinha menstrual combina tecidos tecnológicos (absorventes, antimicrobianos e transpiráveis), que permitem que suas camadas dêem conforto e segurança. Normalmente, são oferecidas em modelos para diferentes fluxos, dos menos intensos (equivalente a um absorvente tradicional) aos mais intensos (equivalente a quatro absorventes tradicionais). O recomendável é que seja usada por até 12 horas. Lavagem e durabilidade compatíveis com a calcinha tradicional.

Coletor menstrual

Como o nome mesmo indica, ele não absorve o fluxo e, sim, o coleta. Após introduzido no canal vaginal, ele abre e o sangue naturalmente cai no coletor. Ele não entra em contato com os tecidos vaginais e, por isso, tem menor probabilidade de causar irritação. Uma ótima vantagem deste método é que, como o sangue menstrual não entra em contato com o oxigênio, não fica com odor desagradável. Além disso, pode ser usado por até 12 horas. Tem durabilidade de 10 anos.

Esponja e softcup: opções que podem ser usadas nas relações sexuais

Esponja

Como o nome supõe, a esponja é feita de material maleável e deve ser inserida na vagina o mais profundo possível. Pode ser higienizada (lavada) e reutilizada até seu desgaste natural. Não é algo tão comum no Brasil, mas, de acordo com a ginecologista Raquel Dardik, do NYU Langone Medical Center, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, elas são muito seguras e são ótimas para absorção, já que essa é a função da esponja. Existe o uso da esponja marinha menstrual e também existe o da esponja menstrual sintética, já vendida no Brasil.  

Softcup

Funciona da mesma forma do coletor de silicone, só que o softcup é descartável. A vantagem dele é que, além de ser maleável, fica em uma região mais alta do canal vaginal, na entrada do útero. Dessa forma, o pênis consegue entrar normalmente. A proposta deste coletor descartável é justamente poder ter relação sexual sem que a pessoa parceira tenha contato com o seu sangue menstrual.  

Impacto ambiental

Por serem reutilizáveis, esses métodos naturais são sustentáveis e evitam produção de lixo não degradável que tanto impacta o meio ambiente.

O impacto ambiental começa antes mesmo do descarte do absorvente tradicional. Já na sua produção, com a extração e processamento das matérias-primas, baseados na produção dos plásticos (petróleo) e da celulose (árvores), que requerem muita energia e criam resíduos de longa duração.

Estima-se que uma mulher, em cada ciclo menstrual, use cerca de dez absorventes descartáveis. Durante a vida, são cerca de dez mil a 15 mil. Todo este descarte acaba indo parar em lixões e aterros sanitários, causando grande impacto ambiental, uma vez que alguns componentes levam cerca de 100 anos até a total decomposição.

Novas formas de diminuir o problema

Ainda que não sejam realizadas no Brasil, algumas atitudes já começaram a ser tomadas pelo mundo. Sabe-se que absorventes não são recicláveis, mas uma empresa canadense chamada Knowaste descobriu que é possível separar os componentes responsáveis pela absorção da menstruação presentes no absorvente tradicional, transformando-os em telhas e madeiras sintéticas.

Outro método, desenvolvido na Nova Zelândia pela empresa Envirocomp, é a compostagem dos absorventes, ou seja, transformá-los em adubo orgânico.

O que podemos fazer aqui no Brasil é não jogar os absorventes no vaso sanitário, evitando que seu resíduo chegue a mares e oceanos. Segundo dados do grupo americano de defesa ambiental Ocean Conservancy, eles levam anos para serem decompostos e podem ser ingeridos por animais marinhos e aves.

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Roberta Struzani

Roberta Struzani

Terapeuta especializada em sexualidade e saúde ginecológica. Realiza atendimentos presenciais e online focados no autoconhecimento, na elevação da autoestima e na saúde do aparelho reprodutor feminino. Sua principal ferramenta de trabalho é o Pompoarismo. Saiba mais