Marcia Fervienza
Por Marcia FervienzaLeia em 3 min.13/06/2018 

Cinco atitudes para evitar com adolescentes

Forçar diálogo e demonstrar desconfiança pode complicar relação entre pais e filhos

Sempre digo que ser mãe é a melhor coisa do mundo: até que eles se tornam adolescentes. Digo isso sem culpa nem medo de errar já que sou mãe de três e nem mesmo os primeiros anos – de fraldas, dores de ouvido e noites sem dormir – são, na minha opinião, tão difíceis quanto os anos de transição entre a infância e a idade adulta. Quando adolescentes, nossos filhos estão naquela fase em que precisam se separar da gente para encontrarem a própria identidade, desenvolverem suas próprias opiniões e provarem para eles mesmos que podem sobreviver no mundo sem a gente – mesmo quando ainda não podem. Com isso, se afastam e nos afastam. Deixamos de ser os pais idolatrados da infância para nos tornarmos aqueles que não sabem nada e que são chatos.

Quando adolescentes, nossos filhos estão naquela fase em que precisam provar para eles mesmos que podem sobreviver no mundo sem a gente – mesmo quando ainda não podem.

Os carinhos sem medida e sem pedir licença, tão comuns antes, escasseiam ou desaparecem. Aquela busca constante pela gente, aquela vozinha que não para de chamar nosso nome (seja para nos mostrar ou para pedir algo) também. Eles já não desfrutam mais da nossa companhia: agora tudo gira em torno dos amigos. E estabelecer um diálogo, ainda que superficial, parece uma tarefa impossível. A gente fica, então, supercarente deles… Sentimos saudades dos nossos bebês. Até que os hormônios assumem o controle e eles começam com as explosões (de choro ou de raiva) e nos tiram do sério.

Eu, por exemplo, muitas vezes sinto que por mais que eu tente me conectar com minha filha adolescente, não consigo. Não importa o quanto eu tente estabelecer um diálogo, o resultado é nulo. Ou melhor, era. Depois de muita análise,descobri o que podia melhorar nas minhas tentativas. E se você estiver enfrentando o mesmo problema, talvez esteja pecando nos mesmos pontos.

1 – Falar com eles como se fossem crianças

Para a gente, nossos filhos, independente da idade, serão sempre crianças. Mas a verdade é que precisamos conseguir ajustar a nossa relação com eles para as diferentes etapas que atravessam. Na adolescência, é preciso dialogar como se já fossem mais adultos do que são. Precisamos ouvi-los de verdade e respeitar suas opiniões, não importa o quanto discordemos. Não precisamos apoiá-los e podemos interferir em decisões que julguemos perigosas, mas o respeito precisa estar presente. Não é isso – o respeito pelas nossas opiniões – que todos queremos?

Eu sei o quanto isso é difícil, mas pense no seguinte: a sua opinião para eles vale ouro. Sim, eu sei, não parece, eles fingem que não dão a menor importância, mas vale. Sei disso porque até hoje, com mais de 40 anos, a opinião da minha mãe importa muito. Isso não muda nunca. Pai e mãe têm sempre peso na nossa vida. E no caso do seu filho adolescente, a única forma que você tem de saber sobre o que ocorre em sua vida é mantendo uma escuta aberta e sem julgamentos. Prefira sempre isso a regras e proibições porque adolescente adora romper regras e fazer coisas escondido. Logo, é melhor influenciá-los a fazer o certo e o melhor para eles – como se a ideia tivesse vindo deles mesmo -, do que impor.

Se não houver outra opção, somos e sempre seremos responsáveis por sua segurança física, mental e emocional. E, em nome disso, faremos o que for preciso. Mas respeito e confiança sempre geram resultados melhores.

2 – Encarar uma conversa com eles ao fim do dia como uma obrigação

Você pode até achar que eles não percebem, mas eles sabem bem quando a interação é por desejo e quando é por obrigação, quando você está mentalmente presente ou ausente. Eles são sensíveis e percebem seus sentimentos muito mais do que você imagina. Então, se decidir conversar com eles, por exemplo, ao final do dia, certifique-se de estar presente e atento, ou será em vão.

São nestas janelas de tempo que você tem a oportunidade de participar da vida deles e ter uma palhinha daquilo que talvez eles estejam compartilhando só com os amigos ou amigas mais íntimos. Mesmo que pareçam independentes, eles precisam do seu envolvimento amoroso mais do que você imagina. Pense no seu filho ou filha como pensaria numa amiga ao emitir uma opinião. Se o fizer, você provavelmente o fará com mais respeito e mais em tom de sugestão.

3 – Tentar forçar uma conversa

Tão importante quanto estar aberto e buscar uma conversa é saber quando não fazê-lo. Às vezes, em nossa ansiedade por estabelecermos uma conexão somos invasivos (e até chatos) com muitas perguntas, afastando-os.

Uma ideia: que tal começar o bate papo compartilhando algo do seu dia, ao invés de começar fazendo perguntas? Contem algo, peçam opinião, mostrem-se vulneráveis e interessados em saber o que ele/ela pensa. Vocês não precisam ser fortes nem saber tudo o tempo todo.

4 – Emitir opiniões e julgamentos como pai/mãe quando eles se abrem com você

Vocês não queriam fazer parte do mundo deles? Então, quando eles abrirem a porta, ajam como observadores mais experientes que querem ajudar, não como alguém que tem o poder (ou desejo) de ditar as ações e decisões deles. Não julguem. Mantenham a mente aberta. Mantenham-se curiosos a respeito daquilo que o adolescente traz sem serem invasivos. Não significa que vocês vão abençoar qualquer coisa que eles compartilhem, mas sim que vocês devem ser mais criativos em como orientar a decisão deles, se quiserem que eles continuem se abrindo com vocês. No final das contas, eles farão o que quiserem. Logo, devagar, vocês podem estabelecer uma relação baseada em diálogo. Ou pode entrar com tudo e eliminar quaisquer possibilidades futuras de conversas sinceras.

5 – Demonstrar desconfiança

Você é daquele tipo de pai/mãe que vive recomendando que eles dirijam devagar, que levem o casaco, que façam isso ou aquilo? Se for, talvez seja hora de parar e reavaliar. As intenções podem ser maravilhosas, mas a mensagem que chega para eles é que você não confia neles nem para que tomem as decisões mais básicas. E com desconfiança não se constrói uma relação.

Os momentos para “ensinar” sempre surgem. Só não vale usar aqueles em que eles estão se abrindo e revelando suas vulnerabilidades para isso.

É preciso, sim, discutir comportamentos seguros e de risco, o conceito de responsabilidade e consequências, e debater preocupações quanto a possíveis amigos. Mas é preciso escolher bem quando fazê-lo. Os momentos para “ensinar” sempre surgem. Só não vale usar aqueles em que eles estão se abrindo e revelando suas vulnerabilidades para isso.

Infelizmente, a relação com adolescentes não vem com manual. O entendimento mútuo pode ficar complicado. Mas temos uma vantagem: já fomos adolescentes. Lembra como a gente se sentia quando nossos pais nos proibiam de fazer algo? E quando eles ficavam se metendo com nossos amigos e namorados?

Temos que usar nossas próprias experiências como referência. Fizemos coisas erradas e, por sorte, deu tudo certo. Mas os recursos dos pais de hoje em dia devem ser mais ricos do que os dos nossos pais, até porque os apelos à insegurança hoje também são muito mais variados. Usando empatia, só temos a ganhar.

Marcia Fervienza

Marcia Fervienza

Astróloga há mais de 15 anos e psicóloga, atua como colaboradora em Astrologia para diversas revistas e possui trabalhos publicados em vários países. Oferece atendimentos astrológicos presenciais e virtuais.