Beleza cruelty-free: expandindo o consumo consciente

Entenda a diferença entre produtos orgânicos, veganos e livres de crueldades

Beleza cruelty-free: expandindo o consumo consciente

Assim como na indústria alimentícia, algumas marcas de produtos de higiene e beleza estão construindo valores ligados à sustentabilidade. Se você se preocupa com o seu corpo e também com o meio ambiente é importante observar três categorias ao escolher seus produtos.

Os orgânicos têm ingredientes naturais cultivados sem agrotóxicos, hormônios e outras químicas. Os veganos não têm em sua fórmula substâncias de origem animal, como gordura bovina e mel. Já os cruelty-free (livres de crueldades) não fazem testes em animais.

Por que se preocupar com a composição dos cosméticos?

De olho no público vegano, Luisa Baims fundou a empresa de cosméticos Baims – certificada como orgânica, vegana e cruelty-free. De acordo com a empresária, “um produto cruelty significa apenas que não é testado em animais, mas poderia ter em sua fórmula derivados de animais e muitos ingredientes nada saudáveis  em sua composição. Um cosmético vegano significa que não possui nenhum tipo de ingredientes animais, ou derivado, o que não o torna sinônimo de saudável, pois ele pode conter um batalhão de  químicas agressivas para a pele e para o meio ambiente”.

Os animais usados para testes cosméticos estão sofrendo os efeitos de cada substância química em sua forma mais potente, mesmo que no produto final tenha apenas um pequeno vestígio dele.

A escolha por produtos cruelty-free vai além da preocupação com o próprio corpo, expandindo a consciência para os processos de produção. Luisa explica que para entender a crueldade dos testes em animais, é importante olhar para todo o processo. “Produtos de higiene e beleza são compostos por diversos ingredientes. Cada um deles é testado por sua reação a organismos vivos em sua forma mais pura. Portanto, quando as empresas testam seus produtos em animais, elas não estão simplesmente passando um pouco de rímel na pálpebra de um coelhinho, estão banhando-o em ácido esteárico para ver se mata ou não, causa inflamação, faz o cabelo cair ou produz qualquer outro efeito colateral indesejado. Ou seja, os animais usados para testes cosméticos estão sofrendo os efeitos de cada substância química em sua forma mais pura e potente, mesmo que no produto final tenha apenas um pequeno vestígio dele”.

Cruelty-free pelo mundo

Desde 2013, a União Europeia vem se dedicando a testes humanitários e proibiu a realização o uso das substâncias em animais. A solução é simples, eficiente e relativamente barata. Um computador programado com funções corporais e um suprimento sólido de células humanas 100% vivas podem realizar qualquer tipo de teste. Nos Estados Unidos, o projeto de lei “Humane Cosmetics Act” tem como objetivo combater a prática no país, além de proibir a importação. Apesar da ação ainda lenta da legislação, muitas marcas colaboram para demonstrar seu compromisso com produtos livres de crueldade. No entanto, a indústria mundial ainda precisa de uma maior conscientização. “Na China, por lei, só é permitido vender cosméticos se estes forem testados em animais”, conta Luisa. Ou seja, uma marca vendida no mercado chinês, inevitavelmente realiza testes cruéis.

Investindo na saúde da pele

Os benefícios dos produtos de higiene e beleza orgânicos, veganos e cruelty-free são inúmeros. No entanto, o custo ainda é alto para a maioria dos consumidores que se interessa em transformar seus hábitos. Os certificados são internacionais e as embalagens importadas e sustentáveis. “É uma questão de escolha investir na saúde de sua pele, porque você pode gastar menos com maquiagem hoje e depois gastar muito mais com dermatologistas e tratamentos no futuro”, explica Luisa.

Escolhas de nossas especialistas

Malu Paes Leme despertou para uma escolha mais consciente quando começou sua jornada na alimentação saudável. “Quando conheci o vegetarianismo, e consequentemente o veganismo, descobri um universo que vai além da alimentação através da comida. A alimentação através do que colocamos na nossa pele também.

Assim como o impacto que essas escolhas causavam não só no meu corpo, mas em várias esferas como a ambiental e animal. Isso me impactou muito. Quanto mais eu percebia que minhas escolhas diárias tinham um impacto gigantesco em todas essas esferas, mas eu me sentia empoderada para mudar essa situação para melhor”.

No livro “Cem anos de Mentira”, Randall Fitzgerald fala extensivamente como a indústria farmacêutica e alimentícia vem enganando seus consumidores há pelo menos 100 anos. “São produtos que usamos diariamente, então o impacto na nossa saúde é gigantesco. Precisamos nos conscientizar disso. Nossas escolhas ditam a qualidade da nossa saúde e a qualidade do nosso meio ambiente. Produtos mais artesanais normalmente são mais seguros, mas é possível encontrar marcas que são realmente confiáveis”.

Dica: Evite comprar produtos que tenham BHT, Lauril sulfato de sódio, parabenos e perfumes.

Melissa Setubal também iniciou sua jornada orgânica, vegana e cruelty-free pela alimentação. “Comecei a perceber que as coisas que impactavam a minha saúde, impactavam o sistema como um todo, que inclui também os seres vivos, na indústria de alimentos, higiene e estética”, destaca a especialista. “Se pensarmos apenas no aspecto dos animais, a visão fica muito estreita. Não é só vegano, nem só cruelty-free. É importante pensar em toda a cadeia. Não adianta consumir produtos que não são testados em animais e incentivar a indústria da soja e dos agrotóxicos”, conclui.

Agora é com você

Que tal experimentar novos hábitos de higiene e beleza? Alguma vez você leu o rótulo de seu batom? Já parou para pensar como os ingredientes dos cosméticos que usa diariamente afetam sua saúde e o meio ambiente? Faça escolhas conscientes!

No dia 8 de junho, a empresária Luisa Baims participará do painel Beleza Cruelty-free na Naturaltech, em São Paulo.

Equipe Personare

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Nós, da equipe Personare, também estamos em um processo constante de conhecimento sobre nós mesmos, sobre o mundo e sobre as relações humanas.