As relações e as sombras da personalidade

O entendimento de quem somos através da interação com o outro

Exercício para identificar questões suas que, inconscientemente, projeta no outro.

Conhecemos a nós mesmos através das relações. Relacionamentos, seja com pessoas, animais, meio-ambiente ou ideias, são as formas de entender quem somos. E não há como fugir das relações. Mesmo na meditação, o “olhar para dentro” é uma relação com as camadas do nosso eu, com o divino, ou com o vazio.

Cada interação, cada relação, consigo ou com o outro, é um convite para um estudo, uma pequena lição sobre a realidade, cheia de ensinamentos. O que acontece muitas vezes é que vemos no outro aspectos que são nossos. O que não conseguimos integrar e trazer para a consciência, percebemos no outro. O que é meu é projetado para fora de mim. E vivemos sentimentos dolorosos e distorcidos que nos contaminam e dificultam nossa relação.

Quando estamos cientes da possibilidade desse mecanismo agir, podemos usar essas pistas sobre nossas impressões externas para desvendar-nos. Quando me responsabilizo pelo que vemos no outro, sabendo que isso diz muito sobre mim, posso realmente ver mais de mim através do outro. Se não, projeto no outro o que não quero em mim (ou que não me acho merecedor) e responsabilizo o outro ente pelas minhas questões projetando as coisas que não consigo lidar em outras situações da nossa vida. Como diria o ditado: “o que me afeta tem afeto”. O que me incomoda é uma tentativa de comunicação da minha própria consciência me revelando conteúdos inconscientes.

Como entender o que é meu e o que é do outro?

Existem exercícios e terapias úteis para que essa tomada de consciência se torne acessível. Mas é preciso abertura, vontade, um certo senso de necessidade de integração. É preciso escolher crescer.

Passo aqui um exercício, proposto por Ken Wilber, como uma das práticas de trabalho terapêutico para sombras da personalidade. Chama-se 3, 2, 1 da sombra. Experimente. Pode te ajudar a entender o que é seu e o que é do outro. Afinal, a realidade depende do observador. Pode ser praticado sempre que necessário, em qualquer horário do dia, verbal ou mentalmente.

Passo a passo para prática individual do 3, 2, 1 da sombra

Você se sente incomodado com algo ou alguém? Gostaria de transformar?

Irritabilidade é um sinal de sombra. Perceba algo que esteja mexendo com você. Por exemplo: sinto raiva do meu namorado. Assim podemos fazer um processo que chamamos de 3,2,1 da sombra. Este é um trabalho de sombra, inspirado na Gestalt, que nos auxilia a compreender, dissolver e responsabilizar-nos pela nossa parte nos processos e relações.  Os números 3,2,1 falam em terceira, segunda e primeira pessoa. Nos relacionando com essas 3 perspectivas é que faremos o trabalho.

No áudio abaixo, você escuta o exercício guiado:

Caso prefira, pode ter acesso ao conteúdo em texto:

3 – TERCEIRA PESSOA:

O primeiro passo é falar da pessoa/situação em terceira pessoa:

Reflita sobre a questão e escolha 2 ou 3 características. Adjetive aqui sem usar palavrões, usando características claras. Como, por exemplo: egoísta, desatento, arrogante, grosseiro.

“Sinto raiva do meu namorado porque…”

  • Ele é:
  • Ele é:
  • Ele é:

2 – SEGUNDA PESSOA:

Aqui, vamos “dialogar” com a pessoa.

Com essa atitude (adjetivos usados na primeira parte), o que quer me ensinar?

Nessa etapa, você deixa seu coração gerar empatia por essa pessoa para, como um advogado de defesa da pessoa, conseguir perceber seu lado, seus motivos e objetivos. Reflita e escreva o que vier, como por exemplo:

Quem é você?

Sou seu namorado.

Eu sinto que dou a atenção que consigo dar, mas é difícil para mim viver perdendo tempo com assuntos menos importantes, prefiro focar nas coisas que vejo real importância e isso pra mim não é arrogância, é uma questão de honrar meu tempo de vida, meu objetivo nunca foi ser egoísta com você.

1 – PRIMEIRA PESSOA

Agora, “calce os sapatos” da pessoa e responda em primeira pessoa. Defenda a ideia de ser assim, do jeito que ela é. Escreva tudo que vier.

Quem é você e qual o seu papel na minha vida neste momento?

Agora, volte a ser você e faça um reflexão retrospectiva de outros momentos na vida (não necessariamente com o alvo do problema em questão, no caso aqui, o namorado) e reconheça quando você agiu demonstrando as mesmas características/adjetivos que anotou sobre a outra pessoa. Pesquise as situações do passado.

E,então,  traga:

  • Eu, em tal situação, … me comportei de maneira egoísta.
  • Eu, em tal situação, … me comportei de maneira desatenta.

Relações são espelhos

A vida é muito generosa em colocar espelhos para integrarmos nossas questões passadas mal integradas, ou características não aceitas.

Dessa forma, eu paro de projetar minha energia no outro (no caso do exemplo do exercício acima, o namorado) e instantaneamente ele deixa de me magoar ou gerar raiva, pois não estou mais projetando minhas sombras nele. Isso diminui seu poder de me deixar com raiva. Assim, trazemos de volta para nós aquela projeção. Nos fortalecemos e aliviamos o outro. O relacionamento melhora. A partir daí, podemos escolher trabalhar essas características em nós.

Boa prática!

Mari Mel Ostermann

Mari Mel Ostermann

Formada em Naturologia pela UNISUL, faz leitura de aura, é mestre em Reiki Essencial e co-fundadora do curso Integral Way (http://cursointegralway.com/). Trabalha em prol da liberdade das pessoas, combinando técnicas estudadas com suas vivências pessoais.