Fernanda Oliva
Por Fernanda OlivaLeia em 2 min.12/06/2018 

Aletheia: terapia trabalha a criança interior

A partir de escuta e diálogo, é possível expressar e liberar mágoas, amadurecendo questões que tiveram início na infância e juventude

Aletheia é uma terapia que une, em uma vivência dinâmica, constelação familiar e expressão dos “eus infantis” que habitam a psique, principalmente para quem deseja curar sua criança interna. De origem grega, a palavra significa busca da verdade.

Estes “eus infantis” foram chamados por Carl Jung de “subpersonalidades” e atuam como complexos afetivos que irrompem com muita energia e dão passagem a atitudes pouco maduras no adulto. Este estudo propõe abrir espaço cênico e alquímico para escuta e diálogo com estes  “eus infantis” ou “eus menores” para que eles possam se expressar, liberar suas mágoas e amadurecer, justamente porque foram desta vez acolhidos com gentileza.

Reconciliação com a criança interior ferida

É possível observar em algumas constelações a presença de uma criança ferida, birrenta ou retraída, aprisionada no sistema, com dificuldades de realizar o movimento de reconciliação em direção aos pais. O movimento interrompido do filho em direção aos pais é um nó sistêmico muito comum nos sistemas familiares.

Durante uma constelação familiar nem sempre é possível realizar a reconciliação de maneira fluida e honesta porque a consciência individual está repleta de sentimentos negados que precisam se expressar para a energia retida poder fluir. A irritação vivenciada por um adulto, o desespero, a tristeza, nada mais são do que a outra face do amor, que não chega a cumprir seu propósito.

Dramatizar sentimentos para libertá-los

Quando a criança sofreu abusos emocionais ou físicos, manteve na memória, principalmente de maneira inconsciente, imagens vividas nesta fase. Estas dores e afetos reprimidos são empurradas para o inconsciente e, como consequência, a personalidade age através de impulsos inconscientes incontroláveis. São os complexos afetivos atuando na consciência. Sentimentos como raiva, tristeza, frustração, inveja, medo, precisam ser expressados para serem reconhecidos, compreendidos e integrados. Dramatizar estes sentimentos através da fala, do corpo, da birra infantil, por exemplo, é uma maneira evidente de libertar estes “eus infantis” que precisam ser olhados de maneira cuidadosa; são partes internas sombrias que precisam de um pouco de atenção e amor para ressignificarem o passado de sua criança. Este movimento traz muita liberação energética e alívio e abre caminhos para o adulto se expressar.

O grau de abandono e rejeição que o adulto carrega em seu sistema corporal e psíquico, vai depender da história pessoal vivida pelo indivíduo, porque cada ser humano recebeu determinado grau de afeto e acolhimento dos pais durante a infância. Alguns adultos sofreram abusos morais, emocionais e até físicos dos seus progenitores. Outros tiveram uma vida aparentemente mais acolhedora, mas em ambos os casos, toda criança interna do adulto, vivenciou sentimentos de abandono a partir de possíveis lacunas de ausência, negligência, violência, ou mesmo, má compreensão dos fatos a partir da vivência ou fantasias da criança. Desta maneira, todos nós temos uma criança interna que precisa resgatar sua espontaneidade e verdade interior.

A inovação do trabalho é tomar consciência através do campo fenomenológico das constelações familiares onde a criança interna do adulto paralisou e oferecer um espaço cênico sagrado e cuidadoso, como um vaso alquímico, onde o adulto possa ressignificar estas imagens do passado e se expressar com mais espontaneidade e autenticidade e depois realizar, de coração aberto, o movimento em direção aos seus pais. O caminho de resgate da criança interior é a possibilidade de acessar o propósito do verdadeiro “eu”. É a jornada do herói, cheia de desafios, enfrentamentos e aceitação das dores do passado. A superação e ressignificação da fase do primeiro estágio da vida e a liberação dos pais é um grande passo no caminho do autoconhecimento e da individuação.

Fernanda Oliva

Fernanda Oliva

Fernanda Oliva é Consteladora Familiar, Licenciada em Artes Cênicas, pela UNIRIO, e especialista em Psicologia Junguiana, pelo Instituto Junguiano do Rio de Janeiro. Professora de Yoga Integral certificada pela ANYI e voluntária do movimento Awaken Love, desde sua fundação. E-mail: fernandaoliva@gmail.com