A natureza é uma aliada na busca pela liberdade da alma

A  liberdade é tão necessária à nossa existência quanto o ar que respiramos. Sem ela, a vida perde seu brilho – alguém discorda?

Quando observamos a natureza em estado de presença, nos conectamos com uma secreta paz interior que podemos chamar de liberdade – sentimento que nos visita, que chama os buscadores, clama por manifestação em toda alma humana não importa idade, raça, classe social, cultura. Quando foi a última vez que você observou a natureza em estado de presença?

Ou seja, se permitindo viver o momento presente com atenção plena? É possível encontrar diversas inspirações na natureza para aprender mais sobre como ser livre. A  liberdade é tão necessária à nossa existência quanto o ar que respiramos. Sem ela, a vida perde seu brilho – alguém discorda?

Encontramos diversas inspirações na natureza para aprendermos mais sobre esse inerente anseio humano de sentir-se livre. Os pássaros, quando querem voar, voam. A árvore sabe que deve desapegar das folhas, sementes e frutos maduros. Águas correntes de rios, cachoeiras e riachos vivem em movimento constante e rendem-se em liberdade ao oceano. A gota de orvalho, quando não resiste à lei da gravidade, liberta-se para se unir ao solo e, simplesmente, permite-se levar. Há lições importantes aí. Ao observar com calma a natureza, aprendemos que para ser livre precisamos enxergar, reconhecer, admitir, modificar, entregar, compartilhar e confiar.

Nos permitimos enganar durante séculos a respeito de nossas necessidades, de quem somos, do que queremos. Crescemos ouvindo que “não podemos”, “não merecemos”, não somos “bons o bastante” para um monte de coisas. No entanto, estamos em um momento da história onde a vida nos convida à não resistência, à ação, ao recolhimento, à mudança – ao nosso desenvolvimento integral, enfim. Para chegar à liberdade de ser, pensar, agir, comunicar, viver, devemos tomar consciência de todas as mentiras nas quais acreditamos por tanto tempo e gerações.

Charles Eisenstein, filósofo e escritor americano, diz que todas as crises que temos enfrentado no planeta sinalizam “o fim da infância humana”. Para ele, elas nos  levam à necessidade de mudança, crescimento e autorresponsabilidade. Isso exige coragem, especialmente em uma sociedade que enxerga a natureza como “recurso” e não como vida com valor intrínseco.

No livro Sacred Economics: Money, Gift and Society in the Age of Transition (“ Economia Sagrada: Dinheiro, Dom e Sociedade na Era da Transição” em tradução livre), ele  diz que estamos nos aproximando da natureza novamente. Esse movimento faz parte de nossa transição para a maioridade enquanto espécie. E não existe transição sem liberdade.

Liberdade implica em aceitar riscos

A liberdade implica em aceitar riscos. Em ver no que dá, mesmo sem ter certeza alguma do que vem pela frente. Ela  nos pede autorresponsabilidade, paciência, confiança e o entendimento de que nem sempre estamos ( ou podemos estar) no controle da magia da vida. Liberdade precisa de entrega ao flow e planejamento, de intuição, da união entre emoção e pensamento.

Sendo a natureza de fora uma extensão da natureza de dentro – e já que estamos todos interconectados – alimente sua alma, fortaleça-se em seu anseio por liberdade permitindo-se observar a natureza de forma atenta e serena. Assim, você poderá encontrar respostas sobre seu relacionamento, profissão, mudança de país, necessidade de calma interior e por aí uma infinidade de outras coisas.

A árvore, a gota de orvalho, a chuva, o bambu, o cachorro, o passarinho, a rosa, a formiga: todos são livres, plenos e totais. Estão em movimento e evolução.  Conte com a natureza para se libertar. Vá para algum lugar que você goste, sente-se, respire fundo e permita-se perceber e receber. Evite outros estímulos e distorções.  Esqueça o celular, a selfie, o mundo digital. Fique ali, em contemplação. Sem expectativa, sem esperar nenhum insight.

Simplesmente relaxe, mantenha-se no momento presente e tenha a intenção de aprender. Observe os sentimentos que passam por você enquanto pratica a observação atenta. Anote o que pensar e sentir. Esse pode ser um poderoso passo rumo ao anseio por mais liberdade que, eu sei,  você sente! Depois, me conta como foi.

Karina Miotto

Karina Miotto

Karina Miotto é mestre em Ciência Holística, facilitadora de vivências em ecologia profunda, sustentabilidade e reconexão. Realiza processos vivenciais com a missão de reconectar as pessoas ao seu poder pessoal através do contato com a natureza. É fundadora do movimento Reconexão Amazônia e ativista pela floresta com atuação em grandes ONGs nacionais e internacionais.