A mulher e seus ciclos

Entenda a correspondência entre o que acontece dentro do corpo feminino com o que acontece fora

O feminino é cíclico como são os ciclos da natureza, as estações e as fases da lua. Assim também é o corpo da mulher, que mês a mês cicla, mudando sua fase, natureza, qualidade, energia e movimento interior.

Encontramos uma fascinante correspondência entre o que acontece dentro do corpo da mulher com o que acontece fora. Se imaginarmos que o ciclo da lua leva em torno de 28/29 dias para se completar, podemos entender, o que acontece mês a mês em nosso próprio universo interior. E isso, foi para mim, uma grande revelação! Quando aprendi, descobri e entendi que eu era cíclica, percebi que não havia nada de errado comigo, eu apenas não estava seguindo a minha bússola interior. E quando comecei a fazê-lo, um novo mundo se abriu para mim.

Redescobri o respeito.
Conheci o verdadeiro amor próprio.
Percebi o que era realmente me estimar.
Revelei a potência da minha intuição.
Encontrei um caminho de cura interior.
Resgatei as rédeas da minha autonomia.
Comecei a amar meu corpo e minha feminilidade.

Feminino, ciclo menstrual e arquétipos 

As mulheres têm quatro grandes fases em seu ciclo, e sendo assim, elas são, pelo menos, quatro mulheres diferentes ao longo do mês que se alternam regularmente. Cada uma dessas mulheres e os arquétipos do feminino que carregam trazem uma habilidade, uma manifestação e uma expressão que são completamente únicas.

 Isso quer dizer que as mulheres não têm uma consistência muito regular e inalterável, e fomos “treinadas” a passarmos por cima das nossas necessidades e a nos manter sempre iguais – dispostas, energéticas, racionais, fazedoras e amorosas. Porém, isso se torna insustentável. As mulheres possuem uma consistência mensal, que varia de semana para semana, e assim também são as suas habilidades, capacidades e processos mentais, físicos, emocionais e espirituais. O que não faz das mulheres instáveis, mas sim, seres mutáveis e com capacidades diferentes e distintas a cada período regular de tempo. E isso precisa ser aproveitado ao seu máximo, no tempo certo.

É como se você tivesse várias cartas na manga, além do coringa.

Entenda melhor a relação da mulher com os ciclos da natureza, as estações e as fases da lua

1 – Lua Nova / Inverno / Arquétipo da Bruxa-Anciã

Começamos a contar o ciclo quando a mulher menstrua, independente de qual fase a lua realmente esteja. Simbolicamente, no entanto, o início do ciclo corresponde à Lua Nova ou nosso inverno interior, que seriam os dias de menstruação. Nesta fase, encontramos um feminino mais internalizado, retraído, reflexivo e com muita baixa de energia, atenção e disposição. Como a lua e o inverno, nós nos recolhemos para dentro de nós mesmas. É um momento em que a mulher tende a desejar uma pausa, descanso e solidão. Isso pode ser difícil em nossa sociedade, que estimula e louva o excesso de extroversão, fazer constante e estar no mundo. Desaprendemos a observar, silenciar e parar. E é nesta fase, que podemos aprender sobre o que de fato está acontecendo em nosso interior. E muitas vezes, quanto mais passamos por cima das nossas próprias necessidades, mais dor podemos encontrar aqui – a dor da voz que foi silenciada e das necessidade negligenciadas.

Quanto mais passamos por cima das nossas próprias necessidades, mais dor podemos encontrar aqui – a dor da voz que foi silenciada e das necessidade negligenciadas.

Este é o momento de ofertarmos ao nosso feminino uma profunda nutrição, acolhimento e silêncio. É hora de acessar a sábia interior. Por isso esta fase é relacionada com as energias do feminino da bruxa, da anciã ou da senhora. Daquela parte nossa que simplesmente sabe, porque já viveu tudo e viu de tudo. É hora de ouvir a nossa parcela mais sábia para nos alinharmos melhor com a nossa sabedoria inata interior. É hora de recarregar as baterias com mesmo afinco com que recarregamos nossos celulares. É hora de modo avião. É hora de ficar offline. É a sua hora.

2 – Lua Crescente / Primavera / Arquétipo da Donzela

O ciclo continua, conforme deixamos essa escuridão e recolhimento, para mais uma vez, começarmos uma nova aventura e novas possibilidades de vir. Assim, como também é a primavera e a lua crescente. Nesta fase, a mulher está com mais energia, disposição, espírito aventureiro e pronta para ir atrás daquilo que deseja e quer obter sucesso. É hora de mexer o corpo. De colocar a mão na massa e fazer acontecer. Perceba, que todo o descanso e recolhimento que foi feito na fase interior, agora vai poder ser usado. O celular está carregado e você pode usá-lo como bem entender. Você tem ferramentas. Você tem os meios. Você tem os atalhos e a capacidade para conseguir o que quer. É hora de confiar em si mesma. Não ter medo de arriscar e ousar. Aproveite também para exercitar-se. Colocar-se. Realizar! Porque esta é a fase onde as energias do feminino, trazem as forças da donzela e da guerreira, que podem mover montanhas!

3 – Lua Cheia / Verão / Arquétipo da Mãe

Porém, o ciclo segue! E não nascemos para estacionar na vida e nem internamente, acomodando-se em uma fase com a qual você se identifica mais. Vamos vivenciar todas! Agora, é hora da lua tornar-se cheia, da natureza exibir sua abundância e riqueza do verão e do feminino estar em seu pico conforme ovulamos. E veja bem – na ovulação, você pode ser a mulher que desejar! Porque é uma fase de confiança emocional, de poder de sedução, compaixão e empatia, alta habilidade de socializar, ouvir e fazer-se ser ouvida e estabelecer vínculos. Conforme ovulamos, nos conectamos com as energias do feminino da amante e da mãe, que nos mostra da nossa habilidade de gestar nossos filhos, projetos, sonhos ou de simplesmente, usufruiur e vivenciar o prazer da nossa sexualidade, sensualidade fertilidade e criatividade. É hora de compartilhar sua vida com os demais. Celebre tudo que vem fazendo até agora! Curta suas conquistas! Curta as bênçãos da sua vida! Curta a si mesma – dance, receba ou faça uma massagem, desenhe, cozinhe ou esteja com aqueles que são importantes para você.

4 – Lua Minguante / Outono / Arquétipo da Feiticeira

O ciclo vai chegando mais uma vez próximo ao fim. Conforme deixamos o máximo da nossa beleza, disposição e capacidades, deixando para trás uma linda lua cheia, vamos minguando, outonando e deixando as coisas irem. Desapegando do que não serve. Fazendo um detox de tudo que é tóxico em nossas vidas. Liberando espaço para o velho ir e o novo vir. Conforme chegando ao período pré-menstrual, chegamos as energias do feminino da feiticeira e da ceifadora.

Aquela que vai selecionando, identificando o que está errando, recebendo muitas informações da própria intuição e insights, para ajudar a ajustar a vida para que fique mais alinhada com as suas necessidades, ritmo e funcionamento interior. É a hora da verdade. Hora de ponderar, de rever, revisar, analisar e fazer uma balanço. É quase uma fase de Mercúrio Retrógrado. Como temos que olhar para como estivemos vivendo e encarar o quanto nos negligenciamos, o quanto esquecemos de nós em prol dos outros, da sociedade e do trabalho, o quanto quem somos não é aceito pela sociedade ou por nós mesmas, o quanto deixamos de nos ouvir, podemos começar a ficar bravas ou até iradas mesmo.

Porém, como quando estamos em Mercúrio Retrógrado, nem sempre é a melhor fase para nos fazermos entender. Até porque, não necessariamente ainda sabemos como de fato funcionamos. Portanto, é uma fase de prestar mais atenção aos incômodos, as raivas, iras ou medos que possam surgir para ver o que esses conteúdos internos estão querendo te revelar. Essa é a fase do ciclo que mais está ao nosso favor! Como assim? Você só pode estar louca ou ter uma visão muito utópica do feminino! Eu quero morrer ou matar! Sim, eu sei disso, mas o que estou querendo explicar, é que isso acontece porque não estamos ouvindo! Tudo que aparece nessa fase vem do nosso inconsciente. Nos deparamos com tudo aquilo que ocultamos – nossas sombras, nossas medos, nossas negligência etc. Então, é hora de ser honesta consigo mesma. Poupe-se de bater boca ou querer convencer e mudar o outra. É hora de você dialogar consigo mesma, estabelecer mudanças e realmente se convencer a viver de forma mais respeitosa com sua necessidades. Porque no fundo – sabemos exatamente o que precisamos.

É hora de você dialogar consigo mesma, estabelecer mudanças e realmente se convencer a viver de forma mais respeitosa com sua necessidades.

E é isso que nosso ciclo, em suas diferentes fases vem fazer por nós. Mostrar quem nós somos e o que podemos fazer com isso para viver melhor. Criar um ciclo não mais de sofrimento, mas de bem-estar, potencia e saúde. É nosso mapa que indica onde está nosso grande tesouro, e sabe onde ele está? Dentro de você.

Ana Paula Malagueta

Ana Paula Malagueta

Utiliza diferentes formas, ferramentas e caminhos como o Yoga, Astrologia, Tarot, Danças Circulares, BodyTalk e movimentos em grupos de mulheres para acessar, desenvolver, resgatar e integrar as energias dos Sagrados Feminino e Masculino em nossas vidas.