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Manual de aleitamento materno

Guia reúne dicas para ajudar mães durante a amamentação

Atualizado em

Uma das ferramentas mais importantes para o desenvolvimento da criança é o aleitamento materno, que alimentará o bebê com todos os nutrientes que ele precisa. Mas, como já dizia o conceituado médico humanista Frederick Laboyer, muito mais importante que matar a sede e a fome de nutrientes, amamentar o seu filho matará a sede de amor que ele precisa para crescer bem.

Inclusive, recentemente as mamães adeptas do aleitamento ganharam mais um motivo para comemorar: um estudo inédito, realizado no Brasil por pesquisadores da Universidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, revelou impactos em longo prazo para os pequenos que foram amamentados ao longo de pelo menos um ano.

De acordo com o estudo, estes bebês, ao atingirem a idade de trinta anos, apresentaram resultados superiores em testes de QI em relação a outras pessoas, além de mostrarem na renda média um aumento de mais de R$ 300,00.

Assim, confira abaixo algumas informações que podem ajudar mães e bebês durante a amamentação. Neste manual você encontrará dicas sobre posição correta ao amamentar, cuidados para manter uma boa produção de leite, mitos sobre o assunto e mais.

Primeiro passo para a amamentação

Segundo a American Heart Association e a Sociedade Brasileira de Pediatria, é recomendado que o aleitamento materno comece na primeira meia hora de vida da criança. Assim que o bebê nasce ele passa por alguns cuidados de rotina, como limpeza de via aérea, secagem e teste de apgar (que dá uma nota às condições do recém-nascido, minutos depois do parto).

No entanto, todos estes procedimentos podem ser realizados diretamente no colo de sua mãe (tórax ou abdome), facilitando dessa forma o primeiro contato, tão importante para ambos. Isso pode ser conversado com o pediatra responsável pelo bebê no parto ou a mãe pode se informar na maternidade.

Neste contato inicial do bebê no peito da mamãe, não necessariamente a criança fará a sucção nutritiva, mas mais importante que isso é o contato entre a pele de ambos, com trocas de sensação tátil, calor, odores e amor. Durante o trabalho de parto a mãe poderá ingerir bastante líquido e se alimentar de forma leve e saudável para facilitar a secreção do primeiro leite do bebê (colostro), facilitando que isso ocorra imediatamente após o nascimento.

Para um bom desempenho do aleitamento

Para que a mãe possa amamentar, não basta colocar o bebê no peito. Muitas vezes as mulheres se queixam de terem vivido algum momento de crise e, por conta disso, neste dia o leite secou. Isso ocorre porque o aleitamento materno também depende de aspectos emocionais e vínculos entre a mamãe e o bebê.

Durante a amamentação, é importante que a mãe e o bebê tenham sua privacidade, assim como um ambiente adequado para isso.

A mulher deve dar atenção exclusiva a esse momento, sem a presença de televisão ou bate-papo, já que todas as suas emoções são transferidas para o bebê.

Sentimentos relacionados à raiva, por exemplo, podem dar origem a substâncias amargas no leite, levando a uma possível rejeição do bebê pelo alimento.

Depois do nascimento, a interação com o bebê continua sendo muito importante.

Isso significa que a família deve conversar com a criança, cantar para ela, contar histórias, colocar uma música para o bebê ouvir, fazer massagens como a Shantala, ou qualquer outra atividade que ajude a estabelecer uma comunicação entre todos.

Ter informação sobre o aleitamento materno desde a gestação é de fundamental importância para a mulher ter mais confiança no processo, que consequentemente refletirá na boa produção do seu leite.

Enquanto estiverem na maternidade, é indicado que mãe e bebê estejam em alojamento conjunto. Isso pode aumentar a produção de leite, facilitando o reflexo de sucção da criança – capacidade que está intimamente ligada ao vínculo entre mãe e filho nas primeiras horas de vida.

Cuidados para manter uma boa produção de leite

Alguns hábitos podem ser adotados para manter uma boa produção de leite e incentivar a continuidade da amamentação por vontade do bebê. Veja abaixo algumas dicas:

Alimentação

É recomendado que a mãe se alimente bem, comendo cereais, raízes, legumes, proteína vegetal ou animal, vitaminas e sais minerais, frutas e até mesmo uma boa base de gordura e açúcares. A ingestão de 500 calorias por dia é suficiente.

Sono

A mãe deve tentar se programar para que possa dormir, ou ao menos tentar descansar à tarde, junto ao bebê, podendo ser na mesma cama ou do lado do berço. Conversar com a família e com as visitas para que respeite esse momento é um bom começo para incentivar o hábito.

Atividade física

Os exercícios nesse momento também são indicados. A mãe deve tentar fazer pelo menos uma caminhada de meia hora ao ar livre, que pode ser inclusive acompanhada do filho.

Como amamentar

Como já havíamos dito anteriormente, para que haja a amamentação não basta colocar a criança no peito. Existem posicionamentos que facilitam a posição correta do bebê no mamilo e a sucção efetiva do leite materno, além de diversos cuidados. Confira alguns abaixo.

Posição

Ao amamentar, a mulher precisa estar em uma posição relaxada e confortável. O corpo do bebê deve ficar próximo ao da mãe, com a cabeça e o corpo alinhados, “bumbum” apoiado, e o queixo tocando o peito da mamãe.

Afeto

A mãe deve manter a atenção na face do bebê durante todo o tempo da mamada, olhando no olho da criança. Essa atenção, juntamente ao toque de carinho da mamãe no bebê, desencadeará um reflexo somático, ou seja, estímulos serão levados até o hipotálamo no cérebro da mamãe, produzindo prolactina (hormônio que produz o leite) e trazendo-o para o bebê.

Sucção

A sucção do bebê deve sempre ser reparada pela mamãe, pois além de permitir que a criança consiga sugar o alimento, isso evita que entre ar junto com o leite – o que previne, por sua vez, as indesejáveis cólicas no pequeno.

Para uma sucção correta, a boca da criança deve estar bem aberta, parecendo “boca de peixinho”, ou seja, com o lábio inferior para fora e a língua acoplada em torno do peito.

O ideal é que a parte de cima da auréola do seio fique mais visível que a parte de baixo, quando coberta pela boca do bebê. Repare se a bochecha da criança aparenta estar arredondada, como se de fato estivesse com o leite na boca inteira.

Deve ser possível ver e ouvir a deglutição do bebê, desde que a mãe esteja em um ambiente silencioso. Além disso, o bebê tende a soltar o peito naturalmente quando saciado. Mas caso a mamãe precise interromper a mamada, nunca puxe a criança bruscamente, pois isso poderá causar fissuras (ferimentos no mamilo).

O ideal é introduzir o seu dedo mindinho na boca do bebê, enfiando-o pelo cantinho. Assim a criança passará a sugar o dedo ao invés do mamilo, permitindo que a mulher retire seu peito sem risco. Por isso é importante manter as unhas curtas, limpas e livres de esmaltes enquanto amamenta.

Além disso, a mãe deverá oferecer toda a mama ao bebê e não só o mamilo, permitindo que ele “abocanhe” o máximo que puder. Para isso, é preciso que a cabeça da criança esteja levemente apoiada e inclinada para trás, permitindo uma boa passagem nas vias aéreas e principalmente na passagem do leite.

Mitos da amamentação

Um hábito muito comum e errado nas mães que amamentam é pressionar a mama para baixo com o dedo, na intenção de facilitar a respiração do bebê. No entanto, este procedimento não é necessário quando a criança está na posição correta.

Se as vias aéreas do bebê não estiverem livres, ele irá automaticamente largar o peito e demonstrar incômodo. Se o bebê ficar com as bochechas para dentro (encovadas), aparentando mastigar o mamilo, ou se ao invés de sugar a criança fizer barulho de chupar, retire-a do peito e tente colocá-la novamente na posição correta.

Mais um aspecto popular observado em muitas mães é a queixa de que amamentar dói. A mulher não deve sentir dor nos mamilos, apenas uma fisgada indolor no começo da mamada, que corresponde ao reflexo de descida do leite.

A presença de dor é sinal de que a posição da criança está incorreta e que ela deve ser reposicionada no seio. Caso amamentar esteja dolorido por conta de um ferimento já instalado, crie o hábito de passar o próprio leite no mamilo depois de cada mamada.

Afinal, o leite materno também age como cicatrizante natural.

Para evitar as fissuras, além de ficar atenta à posição correta do bebê, a mulher deve evitar que a criança durma durante a amamentação, tirando a boca bruscamente do seio.

A mesma orientação se aplica a uma criança maior que ainda esteja sendo amamentada e pode se distrair facilmente e tirar a boca do seio, podendo causar fissura nesse momento.

Também não é preciso limpar os mamilos antes e após as mamadas. Não use álcool, sabonete, água boricada ou creme hidratante nos mamilos.

Quanto e quando amamentar?

Algumas vezes somente um peito é suficiente para satisfazer o bebê, principalmente nas primeiras semanas. Se isso acontecer e o outro seio estiver muito cheio e incomodando, a mãe poderá ordenhar o peito não oferecido. O recém-nascido precisa ser amamentado com mais frequência nos primeiros dias.

Mesmo que ele não sinalize estar com fome, a mãe deverá estimular a mamada com maior frequência, cerca de dez a doze vezes em 24 horas.

Isso é necessário porque na vida intrauterina o bebê não realizava nenhum esforço para receber seu alimento, então a mãe deverá auxiliá-lo nessa readaptação, para que a criança seja alimentada de forma suficiente para o seu ganho de peso ideal.

Caso o bebê durma muito, é preciso que a mãe o acorde a cada três horas aproximadamente para amamentá-lo. Fora essa regra, quem faz o horário da amamentação é o bebê e não a mãe.

Até os seis meses de idade o leite materno deve ser o alimento único e exclusivo da criança, sem a necessidade de incorporar água, chá, suco ou sopinha ao cardápio do pequeno.

Procure sempre um pediatra de confiança e que satisfaça o que você acredita ser o melhor para o seu filho.

Auxílio no aleitamento materno

Quando ocorre alguma intercorrência durante a amamentação, como diminuição na produção de leite, fissuras ou qualquer outro problema que a impeça de amamentar, antes de desistir e optar pela alimentação sólida para o seu filho, saiba que existem diversos programas que incentivam o aleitamento materno.

Muitos costumam ser gratuitos e com atendimento 24 horas, como o Programa Saúde da Família (PSF), o Programa de Atenção Integral à Saúde da Criança (PAISC), o Hospital Amigo da Criança ou qualquer outra instituição com programas de apoio ao aleitamento materno.

Além disso, profissionais especializados em fisioterapia obstétrica, enfermagem obstétrica, doulas e até mesmo algumas terapeutas especializadas em amamentação podem ajudar a mulher com dificuldades de amamentar. Procure algum em sua cidade e receba apoio nesta oferta de amor, que ocorre por meio do leite materno.

Roberta Struzani

Roberta Struzani

Especialista em Sexualidade e Ginecologia Natural. Pioneira no estudo de Ginástica Íntima e Reconsagração do Ventre no Brasil, contribuiu para a formação de diversas terapeutas e desenvolveu um trabalho personalizado que traz benefícios para a saúde da mulher, do físico ao emocional.

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