10 principais dúvidas sobre intolerância à lactose

Descubra o que causa a doença, principais sintomas, tratamento e mais

10 principais dúvidas sobre intolerância à lactose

Dor e distensão abdominal, gases, diarreia… você sente algum desses sintomas? Pois saiba que pode ser intolerância à lactose! Veja, abaixo, as 10 principais dúvidas que esclarecem o que é esta condição de saúde.

O que é intolerância à lactose?

A intolerância à lactose é a incapacidade de digerir produtos lácteos, devido uma deficiência na produção da enzima lactase.

A intolerância à lactose é a incapacidade de digerir produtos lácteos, devido uma deficiência na produção da enzima lactase.

Para absorver os nutrientes presentes nos alimentos, nosso organismo conta com o auxílio de enzimas que fazem a separação de grandes moléculas, com o objetivo de deixá-las do tamanho ideal para a absorção pelo corpo.

A lactose, pertencente ao grupo dos carboidratos, é composta pela união de uma molécula de glicose e uma de galactose. Não é possível absorver essa dupla em conjunto. Portanto, a enzima lactase garante a sua separação, para que o corpo possa realizar a absorção normalmente.

Quais os principais sintomas da intolerância à lactose e porque eles ocorrem?

Os principais sintomas são desordens gastrintestinais como gases, diarreia, distensão abdominal, podendo ocorrer também constipação e náuseas. Pessoas com intolerância à lactose não possuem lactase suficiente para realizar a separação por completo da lactose presente nos alimentos. Então, as moléculas de lactose que chegam inteiras ao intestino, ao invés de serem absorvidas, são fermentadas por bactérias presentes na microbiota, o que resulta nos sintomas citados.

O que causa a intolerância à lactose?

As causas para a intolerância à lactose podem ser basicamente divididas em dois grupos:

– Causa primária: deficiência de lactase do tipo adulto, considerada a mais comum. Neste caso, o indivíduo passa a ter uma redução natural e gradativa na produção da enzima lactase ao longo da vida.

– Causa secundária: resulta de algum dano na mucosa intestinal. Doenças como diarreia infecciosa, síndrome do intestino irritável, doença celíaca, entre outras, além do uso prolongado de antibióticos pode provocar esses danos.

A intolerância à lactose tem cura?

Na causa primária a intolerância é uma condição permanente. Já na secundária é uma condição que pode ser reversível quando aquilo que gerou danos à mucosa intestinal é combatido e a mucosa restabelecida.

Como o diagnóstico de intolerância à lactose é realizado?

Após a avaliação clínica o médico poderá solicitar exames para confirmar a suspeita, como por exemplo:

– Teste de tolerância à lactose: exame laboratorial no qual o paciente recebe uma dose de lactose via oral em jejum. Após a ingestão, amostras de sangue são coletadas durante um período de 2 horas para verificar se ocorreu alteração significativa no nível de glicose. Caso não tenha ocorrido, indica que a lactose não foi separada em glicose e galactose e, portanto, a absorção não foi satisfatória – indicando um quadro de intolerância.

Como a lactose é ingerida para a realização desse exame, é comum o aparecimento de sintomas em pessoas com intolerância à lactose durante ou após a realização do exame.

– Detecção genética de intolerância à lactose: teste genético que utiliza uma amostra da saliva para verificar a presença do gene que indica persistência da enzima lactase. A ausência desse gene indica intolerância à lactose. Para a realização do exame não é necessário nenhum tipo de dieta específica ou ingestão de lactose. Portanto, é um exame livre de sintomas, indicado especialmente para crianças.

Como é feito o controle da intolerância à lactose depois de ser diagnosticada?

O controle é feito basicamente pela quantidade de lactose que a pessoa passa a ingerir. Geralmente, as pessoas que acabam de descobrir a intolerância à lactose estão com os sintomas exacerbados. A primeira recomendação é parar de consumir produtos lácteos por um período, para que a mucosa intestinal se recupere.

A primeira recomendação é parar de consumir produtos lácteos por um período, para que a mucosa intestinal se recupere.

Em muitos casos, o uso de probióticos e suplementos, como a glutamina, prescritos pelo médico ou nutricionista, podem auxiliar nesse processo. Após esse período, os laticínios e produtos zero lactose são inseridos na alimentação aos poucos, em pequenas porções, para se observar a tolerância individual.

Quais substituições à lactose mais costumam ser utilizadas?

Atualmente, a oferta de produtos zero lactose é bastante variada e tornou-se um recurso para que a pessoa possa continuar o consumo de produtos lácteos, mas sem manifestar os principais sintomas da intolerância.

Para os que não se adaptam a esse tipo de produto, há a opção das bebidas ou dos extratos vegetais conhecidos popularmente como “leites vegetais”, como por exemplo: leite de coco, aveia, castanha de caju, amêndoas, etc. Muitos deles são comercializados fortificados com cálcio.

Produtos como iogurtes, queijos, creme de leite e leite condensado também podem ser encontrados em versões livres de ingredientes lácteos ou qualquer proteína animal, e geralmente são produzidos a base de coco, castanha de caju e soja. Esses produtos que antes eram direcionados ao público vegano hoje também beneficiam os intolerantes à lactose.

Outra opção é produzir todas essas versões sem lactose de forma caseira, o que resulta em uma alternativa mais acessível e com a vantagem de dar um toque pessoal à receita.

Pessoas que possuem uma alimentação livre de lactose – seja por intolerância ou opção – correm o risco de ter alguma deficiência de nutrientes?

Sim, é preciso ficar atento ao consumo de cálcio, um mineral fundamental para diversas funções no organismo, como a contração muscular, além de ser essencial na formação dos ossos.

Então, como é possível repor o cálcio que não é consumido?

Alimentos como: sardinha, feijão, aveia, tofu, vegetais verde-escuros (couve, espinafre, brócolis) e amêndoas contêm uma quantidade significativa de cálcio. Para que o cálcio realize suas funções, também é necessário que os níveis de vitamina D estejam adequados. A exposição ao sol é a principal fonte de vitamina D, embora alguns alimentos também possuam a vitamina, como por exemplo: peixes (sardinha, atum, salmão), ovos e cogumelos.

A suplementação desses nutrientes pode ser realizada em casos específicos. Faça um acompanhamento com seu médico ou nutricionista para garantir uma nutrição adequada.

A lactose faz mal em pessoas que não são intolerantes a ela?

Pessoas que não são intolerantes à lactose possuem quantidade suficiente de enzima lactase para realizar o processo digestivo normalmente, sem a presença de sintomas. Por isso, não é indicado excluir totalmente a lactose da alimentação, caso não haja nenhum tipo de queixa.

Me identifiquei com os sintomas, devo excluir os lácteos da minha alimentação?

Não, na suspeita procure um médico para uma avaliação adequada. Mesmo se a intolerância à lactose for detectada, a exclusão total não é indicada. Cada caso deve ser avaliado individualmente por seu médico ou nutricionista.

Monalisa Cavallaro

Monalisa Cavallaro

Nutricionista e terapeuta, trabalha integrando a nutrição do corpo, mente e alma. Intolerante à lactose, criou o blog "Diário Sem Lactose" - www.diariosemlactose.com. E-mail: monalisacavallaro@gmail.com / Instagram: @monalisacavallaro